{"id":40457,"date":"2026-11-06T08:18:00","date_gmt":"2026-11-06T11:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=40457"},"modified":"2026-11-06T08:18:00","modified_gmt":"2026-11-06T11:18:00","slug":"abandonada-ainda-filhote-vira-lata-caminhava-4-km-todas-as-noites-para-buscar-marmita-e-dividir-comida-com-outros-animais-em-ferro-velho-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/abandonada-ainda-filhote-vira-lata-caminhava-4-km-todas-as-noites-para-buscar-marmita-e-dividir-comida-com-outros-animais-em-ferro-velho-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Abandonada ainda filhote, vira-lata caminhava 4 km todas as noites para buscar marmita e dividir comida com outros animais em ferro-velho de S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas as noites, uma vira-lata caramelo chamada Lilica sa\u00eda de um ferro-velho em S\u00e3o Carlos, interior de S\u00e3o Paulo, e caminhava cerca de quatro quil\u00f4metros atr\u00e1s de comida. O destino era sempre o mesmo: a casa de uma professora que lhe oferecia uma refei\u00e7\u00e3o. Depois de esvaziar o prato,a cadela ainda tinha outra tarefa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de voltar direto para casa, a cadela esperava pelas sobras para lev\u00e1-las aos companheiros que dividiam com ela o espa\u00e7o do ferro-velho. A hist\u00f3ria foi exibida na televis\u00e3o em 2012 e repercutiu no Brasil e no exterior. Mais de uma d\u00e9cada de caminhadas noturnas transformou Lilica em um s\u00edmbolo de afeto para quem acompanhou sua hist\u00f3ria em S\u00e3o Carlos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um lar entre animais diferentes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda filhote, a cachorrinha foi deixada sozinha na porta do com\u00e9rcio de Neile V\u00e2nia Antonio, dona do local. Ao acolh\u00ea-la, ela n\u00e3o imaginava que o espa\u00e7o se tornaria tamb\u00e9m abrigo de outros bichos: um cachorro, um gato, um galo, uma galinha e uma mula dividiam o terreno com Lilica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa conviv\u00eancia entre esp\u00e9cies diferentes pode ter despertado nela um instinto de cuidado coletivo. Segundo avalia\u00e7\u00e3o de um veterin\u00e1rio, o comportamento da cadela estava ligado aos instintos materno e de lideran\u00e7a, que a levavam a zelar pelo grupo como se fosse sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como surgiu a ideia da marmita<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A professora L\u00facia Helena de Souza, que criava outros animais em casa, percebeu que Lilica n\u00e3o ia embora logo ap\u00f3s comer. A cadela ficava parada, olhando para o alimento que restava, como se quisesse carreg\u00e1-lo consigo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao perceber a insist\u00eancia da cadela, L\u00facia encontrou uma solu\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica: embrulhou as sobras numa sacola amarrada de modo que Lilica pudesse segur\u00e1-la com a boca durante o trajeto. Por volta das 21h30, Lilica chegava para comer e partia logo depois, j\u00e1 com a encomenda destinada aos outros bichos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um trajeto perigoso e constante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre o ferro-velho e a casa da professora havia uma estrada de movimento intenso, que tornava cada travessia noturna perigosa para o animal. Ainda assim, a cadela repetia o percurso quase sem falhar, atravessando a estrada entre os carros no escuro para cumprir sua entrega.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao voltar, Neile recebia a sacola e distribu\u00eda a comida entre os bichos do terreno, guardando o que sobrava para a manh\u00e3 seguinte. Esse ciclo di\u00e1rio virou parte da vida de todos que moravam ali, animais e humanos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando os pr\u00f3prios filhotes entraram na rotina<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O h\u00e1bito de levar comida aos outros ganhou um novo motivo quando Lilica engravidou e deu \u00e0 luz oito filhotes. De repente, era preciso alimentar uma ninhada inteira, e as viagens noturnas passaram a ter como destino principal os pr\u00f3prios filhos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o crescimento dos cachorrinhos e a ado\u00e7\u00e3o de cada um por novas fam\u00edlias, a cadela retomou o costume de dividir as sobras com os animais do ferro-velho. A entrega de comida seguiu firme mesmo depois que a ninhada se espalhou por outras casas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O fim de uma trajet\u00f3ria marcante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em novembro de 2017, Lilica morreu ap\u00f3s ser picada por uma cobra. Neile, que a recebera ainda filhote e cuidara dela por mais de dez anos, chegou a acreditar que a cadela tivesse desaparecido. Depois, recebeu a confirma\u00e7\u00e3o de que um vizinho havia encontrado a cadela e tentado ajud\u00e1-la.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos esfor\u00e7os, ela n\u00e3o resistiu, e a morte encerrou a hist\u00f3ria de um animal que fez da solidariedade um h\u00e1bito di\u00e1rio em S\u00e3o Carlos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lilica morreu em novembro de 2017 ap\u00f3s ser picada por uma cobra, encerrando mais de dez anos de entregas solid\u00e1rias.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":40456,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-40457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40457","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40457"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40457\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40466,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40457\/revisions\/40466"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40456"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40457"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40457"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40457"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}