{"id":40037,"date":"2026-10-31T21:34:00","date_gmt":"2026-11-01T00:34:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=40037"},"modified":"2026-10-31T21:34:00","modified_gmt":"2026-11-01T00:34:00","slug":"zumbis-as-figuras-ligadas-ao-folclore-haitiano-que-ganharam-o-cinema-e-se-transformaram-em-multidoes-de-mortos-vivos-famintos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/zumbis-as-figuras-ligadas-ao-folclore-haitiano-que-ganharam-o-cinema-e-se-transformaram-em-multidoes-de-mortos-vivos-famintos\/","title":{"rendered":"Zumbis: as figuras ligadas ao folclore haitiano que ganharam o cinema e se transformaram em multid\u00f5es de mortos-vivos famintos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem de um dos monstros mais populares da cultura americana remonta \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o militar dos Estados Unidos no Haiti, iniciada em 1915. Fuzileiros navais ocuparam o pequeno pa\u00eds caribenho ap\u00f3s seis presidentes serem derrubados entre 1911 e 1915 e permaneceram no territ\u00f3rio at\u00e9 1934.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O governo do presidente Woodrow Wilson considerava a instabilidade pol\u00edtica haitiana um risco aos interesses econ\u00f4micos dos Estados Unidos e decidiu agir. Com isso, transformou o pa\u00eds em uma esp\u00e9cie de col\u00f4nia n\u00e3o declarada por quase 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante esse per\u00edodo, soldados e civis americanos entraram em contato direto com tradi\u00e7\u00f5es religiosas e populares do Haiti, entre elas relatos de corpos que retornavam da morte em condi\u00e7\u00e3o alterada. Esse encontro cultural, resultado direto da presen\u00e7a militar estrangeira, deu proje\u00e7\u00e3o internacional a um mito local, que passou a assombrar o imagin\u00e1rio ocidental.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dos relatos de viagem \u00e0s telas de cinema<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de vampiros e lobisomens, os zumbis n\u00e3o passaram por uma longa fase liter\u00e1ria antes de chegar ao cinema. A observa\u00e7\u00e3o \u00e9 do professor Kyle William Bishop, do Departamento de L\u00edngua Inglesa da Universidade do Sul de Utah, que se apresenta como &#8220;Dr. Walking Dead&#8221; em suas redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o especialista, a criatura saltou quase diretamente do folclore para as telas, sem passar por uma etapa liter\u00e1ria como a do Conde Dr\u00e1cula. Criado pelo escritor irland\u00eas Bram Stoker, o personagem nasceu em um romance, caminho que os mortos-vivos haitianos nunca percorreram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de virarem filme, por\u00e9m, os zumbis j\u00e1 circulavam em relatos jornal\u00edsticos e em obras de car\u00e1ter investigativo sobre o Haiti.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Livros que despertaram a curiosidade americana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1929, viajantes dos Estados Unidos percorriam o Haiti e encontravam condi\u00e7\u00f5es para registrar as cren\u00e7as locais. Naquele ano, William Buehler Seabrook publicou &#8220;The Magic Island&#8221;, um livro-reportagem de tom sensacionalista que apresentou a figura do zumbi ao p\u00fablico americano por meio de relatos supostamente verdadeiros sobre trabalho for\u00e7ado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quase uma d\u00e9cada depois, em 1938, a antrop\u00f3loga negra Zora Neale Hurston lan\u00e7ou &#8220;Tell My Horse&#8221;, um ensaio mais rigoroso sobre os costumes e as pr\u00e1ticas espirituais haitianas. As duas obras foram escritas para registrar h\u00e1bitos que os americanos consideravam ex\u00f3ticos, mas acabaram servindo de ponte entre o folclore caribenho e a imagina\u00e7\u00e3o popular dos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O horror encontrou um novo monstro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No livro &#8220;American Zombie Gothic&#8221;, Kyle Bishop chama a d\u00e9cada de 1930 de primeira Era de Ouro do cinema de terror. Os est\u00fadios buscavam criaturas in\u00e9ditas para protagonizar seus filmes, e o zumbi de origem haitiana surgiu para atender a essa demanda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A transforma\u00e7\u00e3o da figura em personagem de fic\u00e7\u00e3o ocorreu em meio ao clima racial dos Estados Unidos daquela \u00e9poca. A segrega\u00e7\u00e3o institucionalizada em boa parte dos estados americanos moldou as primeiras representa\u00e7\u00f5es do monstro nas telas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um monstro que muda com o tempo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisas da Universidade Yale sobre narrativas de horror refor\u00e7am a ideia de que monstros populares funcionam como espelho das ang\u00fastias coletivas de cada gera\u00e7\u00e3o. Com o zumbi n\u00e3o foi diferente: da floresta haitiana aos est\u00fadios de Hollywood, a criatura refletiu cada momento hist\u00f3rico que atravessou.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa trajet\u00f3ria ajuda a entender por que o zumbi continua se reinventando, d\u00e9cadas depois de sua primeira apari\u00e7\u00e3o nas telas. Cada nova vers\u00e3o do monstro responde a um medo diferente, do colonialismo \u00e0s tens\u00f5es raciais que marcaram boa parte do s\u00e9culo 20 nos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A criatura continua se reinventando porque cada nova vers\u00e3o reflete os medos e ang\u00fastias de sua \u00e9poca.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":40036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-40037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40037","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40037"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40037\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40232,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40037\/revisions\/40232"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40037"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40037"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40037"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}