{"id":40028,"date":"2026-10-31T16:20:00","date_gmt":"2026-10-31T19:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=40028"},"modified":"2026-10-31T16:20:00","modified_gmt":"2026-10-31T19:20:00","slug":"mumia-as-historias-de-corpos-preservados-e-maldicoes-de-tumbas-antigas-que-ajudaram-a-transformar-o-egito-em-cenario-de-filmes-de-terror","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/mumia-as-historias-de-corpos-preservados-e-maldicoes-de-tumbas-antigas-que-ajudaram-a-transformar-o-egito-em-cenario-de-filmes-de-terror\/","title":{"rendered":"M\u00famia: as hist\u00f3rias de corpos preservados e maldi\u00e7\u00f5es de tumbas antigas que ajudaram a transformar o Egito em cen\u00e1rio de filmes de terror"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de dois s\u00e9culos, o Egito antigo exerce fasc\u00ednio sobre a cultura ocidental, e nenhuma imagem desse per\u00edodo \u00e9 t\u00e3o potente quanto a de um corpo envolvido em linho que desperta de um sono milenar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O que transforma esses cad\u00e1veres preservados em monstros de cinema come\u00e7a na hist\u00f3ria real e atravessa s\u00e9culos. Essa trajet\u00f3ria passa pelo fasc\u00ednio europeu que explodiu no fim do s\u00e9culo 18 e ganha forma na imagina\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria e cinematogr\u00e1fica. Ela ajuda a explicar por que essas criaturas antigas continuam t\u00e3o vivas na tela.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pr\u00e1tica de preservar corpos no Egito antigo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a mumifica\u00e7\u00e3o tenha ocorrido em v\u00e1rias culturas ao redor do mundo, a tradi\u00e7\u00e3o eg\u00edpcia foi a mais sofisticada e duradoura, estendendo-se por aproximadamente 3 mil\u00eanios. Para os antigos eg\u00edpcios, corpo e alma eram indivis\u00edveis \u2014 preservar os restos mortais era garantir a sobreviv\u00eancia no p\u00f3s-vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O processo era complexo e ritual\u00edstico, e os eg\u00edpcios removiam o c\u00e9rebro e os \u00f3rg\u00e3os internos. Depois, secavam o corpo, envolviam-no em fitas de linho e o colocavam na tumba com amuletos e objetos de valor. Cada etapa tinha significado religioso e pr\u00e1tico e buscava assegurar que o falecido pudesse prosseguir em outro plano de exist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a Europa descobriu e se apaixonou pelo Egito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de virada chegou em 1798, quando Napole\u00e3o invadiu o Egito levando mais de 150 cientistas. Os registros detalhados que esses pesquisadores produziram, somados \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o dos hier\u00f3glifos, fundaram a egiptologia como disciplina acad\u00eamica e explodiram o interesse europeu pelo pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Saga A M\u00famia | Entenda a Hist\u00f3ria de Todos os Filmes | PT.1\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FQCTzE6FoN8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\r\n\r\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse entusiasmo alcan\u00e7ou todas as formas de express\u00e3o cultural, e arquitetura, artes pl\u00e1sticas e literatura se renderam ao tema eg\u00edpcio. O art d\u00e9co \u00e9 um exemplo direto dessa egitomania, e as m\u00famias deixaram as tumbas, viraram pe\u00e7as de museu e depois mercadorias culturais, alimentando um imagin\u00e1rio que misturava conhecimento arqueol\u00f3gico com fantasia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse contexto preparou o terreno para que a fic\u00e7\u00e3o explorasse hist\u00f3rias de morte, maldi\u00e7\u00e3o e ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do romance ao cinema: nascimento de um monstro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferentemente de Frankenstein ou Dr\u00e1cula, a m\u00famia cinematogr\u00e1fica n\u00e3o descende de uma \u00fanica obra liter\u00e1ria. Durante o s\u00e9culo 19, diversos escritores ingleses moldaram o personagem. Entre eles estava Sir Arthur Conan Doyle, criador de Sherlock Holmes, que introduziu conceitos duradouros como a m\u00famia vingativa e o pergaminho capaz de reanimar cad\u00e1veres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses elementos liter\u00e1rios chegaram ao cinema em 1932, quando &#8220;A M\u00famia&#8221; consolidou o personagem como \u00edcone do horror.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Boris Karloff usou a apar\u00eancia enfaixada apenas na cena de abertura. Por\u00e9m, filmes posteriores da d\u00e9cada de 1940, com Tom Tyler e Lon Chaney Jr., criaram o arqu\u00e9tipo visual que permanece na mem\u00f3ria coletiva: a criatura muda, monstruosa e completamente envolvida em fitas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Reinven\u00e7\u00f5es modernas e novos rumos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A narrativa de Imhotep ressurgiu em adapta\u00e7\u00f5es posteriores, em 2000, com Brendan Fraser, e em 2017, com Tom Cruise. &#8220;Maldi\u00e7\u00e3o da M\u00famia&#8221; promete uma abordagem distinta do que j\u00e1 foi explorado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o diretor Lee Cronin, o filme oferece uma hist\u00f3ria investigativa que contrasta o monstro antigo com um trauma do mundo real. Na trama, a filha desaparecida de um jornalista \u00e9 encontrada viva dentro de um sarc\u00f3fago milenar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um padr\u00e3o hollywoodiano de culpar o &#8220;Outro&#8221; distante<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A obsess\u00e3o de Hollywood com a m\u00famia eg\u00edpcia n\u00e3o \u00e9 um fen\u00f4meno isolado. Faz parte de um padr\u00e3o maior em que o cinema americano busca na \u00c1frica e na \u00c1sia a origem do horror e da amea\u00e7a, como o dem\u00f4nio do Iraque em &#8220;O Exorcista&#8221; ou o fungo da Indon\u00e9sia em &#8220;The Last of Us&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa tend\u00eancia diz mais sobre a mentalidade ocidental do que sobre os lugares representados: transforma regi\u00f5es geogr\u00e1fica e culturalmente distantes em fontes de perigo, enquanto mant\u00e9m a seguran\u00e7a centrada no mundo ocidental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo quando o Egito \u00e9 o cen\u00e1rio, a produ\u00e7\u00e3o de &#8220;Maldi\u00e7\u00e3o da M\u00famia&#8221; aconteceu na Espanha. Isso refor\u00e7a que o cen\u00e1rio \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o imagin\u00e1ria, sem engajamento genu\u00edno com a cultura real.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De Napole\u00e3o aos cinemas atuais, as m\u00famias continuam alimentando um imagin\u00e1rio que mistura arqueologia com fantasia e reflete obsess\u00f5es do Ocidente.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":40027,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-40028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40028","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=40028"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40028\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40219,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/40028\/revisions\/40219"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/40027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=40028"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=40028"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=40028"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}