{"id":39892,"date":"2026-10-27T00:28:00","date_gmt":"2026-10-27T03:28:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39892"},"modified":"2026-10-27T00:28:00","modified_gmt":"2026-10-27T03:28:00","slug":"fazendeiro-largou-o-investimento-no-gado-para-investir-em-abelhas-e-ganhou-dinheiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/fazendeiro-largou-o-investimento-no-gado-para-investir-em-abelhas-e-ganhou-dinheiro\/","title":{"rendered":"Fazendeiro largou o investimento no gado para investir em abelhas e ganhou dinheiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Adriano Adames vendeu todo o rebanho de gado que possu\u00eda no in\u00edcio dos anos 2000 para se dedicar \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de abelhas. A fam\u00edlia de agropecuaristas estranhou a decis\u00e3o e se surpreendeu ainda mais ao entender o motivo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de virar apicultor, ele foi garimpeiro e mergulhador de cavernas. O interesse pelas abelhas nasceu durante um mergulho, quando encontrou um enxame escondido numa gruta. A organiza\u00e7\u00e3o dos insetos o fascinou a ponto de faz\u00ea-lo mudar de ramo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De uma cachoeira \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele encontrou uma colmeia perto de uma cachoeira de uma fazenda em Bodoquena, no Mato Grosso do Sul. Turistas que passavam pelo local se interessavam pelas abelhas e perguntavam se havia mel \u00e0 venda. Esse interesse o convenceu a abandonar de vez a pecu\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O capital obtido com a venda do gado foi direcionado \u00e0 fabrica\u00e7\u00e3o de caixas usadas para agrupar as col\u00f4nias. Ele tamb\u00e9m passou a produzir mel em embalagens de bisnaga e pr\u00f3polis, al\u00e9m de comercializar colmeias j\u00e1 em produ\u00e7\u00e3o. Atualmente, cada caixa de colmeia \u00e9 vendida por entre R$ 600 e R$ 700. Ele informou ao UOL que o retorno financeiro \u00e9 bom.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Exporta\u00e7\u00e3o e outras fontes de renda<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil exportou 55 mil toneladas de mel em 2022. Segundo o IBGE, os Estados Unidos lideraram as importa\u00e7\u00f5es do produto brasileiro, com 28 mil toneladas compradas no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pre\u00e7o m\u00e9dio do mel exportado pelo pa\u00eds naquele ano ficou em 3 d\u00f3lares o quilo (o equivalente a R$ 17), conforme a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Exportadores de Mel. Somente as vendas internas de mel movimentaram mais de R$ 800 mil em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O produtor, que hoje exporta parte da colheita para o Canad\u00e1, tamb\u00e9m lucra com a fabrica\u00e7\u00e3o e a venda de roupas de apicultura. O uniforme cobre o corpo inteiro, tem tela de prote\u00e7\u00e3o para os olhos e luvas acolchoadas contra picadas, e vendido pela internet, pode custar at\u00e9 R$ 600.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel das abelhas na natureza<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A poliniza\u00e7\u00e3o depende diretamente desses insetos: das mais de 308 mil esp\u00e9cies de plantas j\u00e1 catalogadas, 87% precisam de outro ser vivo para se reproduzir. Aves, morcegos e moscas tamb\u00e9m polinizam, mas as abelhas se destacam por se alimentarem exclusivamente de n\u00e9ctar e p\u00f3len, e isso as torna mais eficientes nessa fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa dieta espec\u00edfica explica por que o mel ganha sabores t\u00e3o diferentes conforme a flor visitada, podendo lembrar frutas c\u00edtricas ou carregar notas florais. Dentro da colmeia, a organiza\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00edgida, e h\u00e1 a rainha, respons\u00e1vel pela reprodu\u00e7\u00e3o; o zang\u00e3o, macho reprodutor; e as oper\u00e1rias, divididas em sentinelas, campeiras, cozinheiras e faxineiras.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma esp\u00e9cie amea\u00e7ada pelo avan\u00e7o agr\u00edcola<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cen\u00e1rio, por\u00e9m, preocupa quem acompanha de perto a atividade. Monoculturas de soja e milho v\u00eam ocupando \u00e1reas que antes eram mata nativa, e isso tem feito as abelhas desaparecerem em diversas regi\u00f5es do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao justificar a mudan\u00e7a de profiss\u00e3o, o produtor afirma que colocou a preserva\u00e7\u00e3o ambiental em primeiro lugar desde que come\u00e7ou a trabalhar com as abelhas. Depois de comunicar \u00e0 fam\u00edlia a venda do rebanho. Ele viajou por pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul para estudar o tema e dar aulas sobre a import\u00e2ncia da esp\u00e9cie e as t\u00e9cnicas de cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ele resume a mudan\u00e7a como o melhor neg\u00f3cio que j\u00e1 fez, dizendo que se encontrou como ser humano a partir do contato com as abelhas, e que isso deu uma guinada completa em sua trajet\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que as abelhas s\u00e3o t\u00e3o eficientes na poliniza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As abelhas se destacam entre outros polinizadores porque sua alimenta\u00e7\u00e3o \u00e9 exclusiva: tanto adultas quanto larvas comem apenas n\u00e9ctar e p\u00f3len. Isso significa que elas precisam visitar flores constantemente para sobreviver, ao contr\u00e1rio de aves, morcegos e moscas que t\u00eam outras fontes de alimento. Cada visita a uma flor \u00e9 uma oportunidade de transferir p\u00f3len de uma planta para outra, tornando-as polinizadores muito mais frequentes e confi\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, esse trabalho cont\u00ednuo garante a varia\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica das plantas, essencial para seu desenvolvimento e reprodu\u00e7\u00e3o. As abelhas tamb\u00e9m garantem que haja plantas suficientes para produzir oxig\u00eanio e manter o equil\u00edbrio dos ecossistemas. Por essas raz\u00f5es, a poliniza\u00e7\u00e3o realizada por abelhas \u00e9 considerada um servi\u00e7o ecossist\u00eamico que vale mais de 200 bilh\u00f5es de d\u00f3lares ao ano no mundo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A diversidade invis\u00edvel das abelhas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maioria das pessoas pensa apenas nas abelhas mel\u00edferas quando ouve falar em abelhas. Elas produzem mel e s\u00e3o nativas da Europa, e no mundo todo, por\u00e9m, existem mais de 20 mil esp\u00e9cies, com tamanhos, cores e comportamentos diferentes. Na Am\u00e9rica Latina, as abelhas nativas mais comuns s\u00e3o as meliponas, tamb\u00e9m chamadas de abelhas sem ferr\u00e3o, que representam a maioria das mais de quatro mil esp\u00e9cies da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O mais importante \u00e9 que a maior parte das abelhas \u00e9 solit\u00e1ria e n\u00e3o vive em sociedade como aquelas criadas em colmeias. Apesar disso, todas atuam como polinizadoras essenciais para o funcionamento da natureza. Muitas pessoas n\u00e3o sabem que a maioria das esp\u00e9cies de abelhas n\u00e3o possui ferr\u00e3o, o que as torna muito menos agressivas do que se imagina.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Nem todas as abelhas produzem mel<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma ideia comum \u00e9 que todas as abelhas fazem mel, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade. A grande maioria das mais de 20 mil esp\u00e9cies conhecidas no mundo n\u00e3o produz esse alimento. As abelhas mel\u00edferas, que s\u00e3o as produtoras de mel, representam apenas uma pequena fra\u00e7\u00e3o da diversidade de abelhas existentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, as esp\u00e9cies que n\u00e3o produzem mel continuam sendo igualmente importantes para o funcionamento dos ecossistemas. Essa distin\u00e7\u00e3o importa porque significa que a prote\u00e7\u00e3o das abelhas n\u00e3o pode estar focada apenas nas abelhas de mel.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todas as esp\u00e9cies de abelhas, produtoras ou n\u00e3o de mel, desempenham papel crucial na poliniza\u00e7\u00e3o e na manuten\u00e7\u00e3o da biodiversidade, o que explica por que cientistas defendem a conserva\u00e7\u00e3o de todas elas, n\u00e3o apenas as comerciais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se 85% das plantas dependem de polinizadores, por que as abelhas est\u00e3o desaparecendo?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma contradi\u00e7\u00e3o preocupante: justamente porque as abelhas s\u00e3o t\u00e3o essenciais, seu desaparecimento \u00e9 uma amea\u00e7a grave. O artigo menciona que monoculturas de soja e milho est\u00e3o ocupando \u00e1reas onde havia mata nativa, eliminando as flores silvestres que as abelhas precisam para se alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando se planta apenas uma ou duas culturas em grandes extens\u00f5es de terra, as abelhas perdem acesso \u00e0 variedade de flores necess\u00e1rias para sua sobreviv\u00eancia. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada porque, conforme explica a pesquisa da National Geographic, as abelhas precisam visitar flores constantemente, uma perda de habitat significa perda direta de alimento para elas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje, o produtor exporta mel para o Canad\u00e1 e tamb\u00e9m lucra vendendo roupas de prote\u00e7\u00e3o para apicultores pela internet.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39891,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39892","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39892"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39905,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39892\/revisions\/39905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39891"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}