{"id":39866,"date":"2026-10-31T07:13:00","date_gmt":"2026-10-31T10:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39866"},"modified":"2026-10-31T07:13:00","modified_gmt":"2026-10-31T10:13:00","slug":"como-surgiu-carcassonne-a-cidade-medieval-da-franca-que-preserva-muralhas-imponentes-e-tem-uma-historia-marcada-por-cercos-e-disputas-religiosas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/como-surgiu-carcassonne-a-cidade-medieval-da-franca-que-preserva-muralhas-imponentes-e-tem-uma-historia-marcada-por-cercos-e-disputas-religiosas\/","title":{"rendered":"Como surgiu Carcassonne, a cidade medieval da Fran\u00e7a que preserva muralhas imponentes e tem uma hist\u00f3ria marcada por cercos e disputas religiosas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carcassonne re\u00fane s\u00e9culos de hist\u00f3ria preservados nas imponentes muralhas que cercam a Cit\u00e9, famosa cidade medieval localizada na Fran\u00e7a. Ao longo do tempo, diferentes civiliza\u00e7\u00f5es deixaram vest\u00edgios nas constru\u00e7\u00f5es que permanecem de p\u00e9 at\u00e9 os dias atuais, formando um patrim\u00f4nio hist\u00f3rico que atravessa diversas \u00e9pocas, desde a Antiguidade at\u00e9 os \u00faltimos s\u00e9culos da Idade M\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Carcassonne in 5 minutes\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OcbkK2fbh1E?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\r\n\r\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A origem da cidade fortificada remonta ao per\u00edodo em que o Imp\u00e9rio Romano controlava a regi\u00e3o de Languedoc. Em 122 a.C., os romanos estabeleceram as primeiras estruturas defensivas, transformando Carcassonne em um importante ponto estrat\u00e9gico. O dom\u00ednio romano permaneceu at\u00e9 o s\u00e9culo V, quando os visigodos ocuparam o territ\u00f3rio e passaram a controlar a regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Invas\u00f5es, religi\u00f5es e poder na Idade M\u00e9dia<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os s\u00e9culos 11 e 13, Carcassonne se tornou uma fortaleza importante sob comando dos Trencavels, viscondes locais que constru\u00edram o ch\u00e2teau comtal. Nessa \u00e9poca floresceram os trovadores e a tradi\u00e7\u00e3o do amor cort\u00eas, enquanto a regi\u00e3o vivia sob constante amea\u00e7a de conflito.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto de virada veio em 1209, quando o Papa Inoc\u00eancio III convocou uma cruzada contra os c\u00e1taros, uma seita religiosa que desafiava a Igreja Cat\u00f3lica. O visconde Raymond Roger Trencavel protegia os c\u00e1taros, o que o colocou diretamente no caminho da guerra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carcassonne foi cercada por quinze dias, e Trencavel, capturado, morreu envenenado na pris\u00e3o do pr\u00f3prio castelo aos 24 anos. A cidade passou ent\u00e3o para o comando de Sim\u00e3o de Montfort, que liderava a cruzada, e depois para o rei da Fran\u00e7a, Lu\u00eds VIII.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o tempo, a Cit\u00e9 se transformou numa fortaleza ainda mais robusta, especialmente durante o reinado de Filipe, o Belo. A estrutura defensiva cresceu em import\u00e2ncia estrat\u00e9gica conforme as t\u00e9cnicas de guerra evolu\u00edam.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Decl\u00ednio, abandono e restaura\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tratado dos Piren\u00e9us, assinado em 1659, selou um acordo que mudou tudo. Com as novas t\u00e9cnicas militares tornando as antigas muralhas menos essenciais, Carcassonne perdeu seu papel defensivo e se transformou num bairro pobre e negligenciado. Os moradores preferiram se mudar para a cidade baixa, deixando a Cit\u00e9 vazia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ru\u00edna era iminente: os pr\u00f3prios habitantes de Carcassonne come\u00e7aram a derrubar partes das muralhas e a construir casas usando as pedras do monumento como material. A cidade medieval estava \u00e0 beira do desaparecimento total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua salva\u00e7\u00e3o veio de um advogado e historiador local chamado Jean-Pierre Cros-Mayrevieille, que impediu a execu\u00e7\u00e3o de uma ordem de demoli\u00e7\u00e3o que teria destru\u00eddo definitivamente o que restava da Cit\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1853, o arquiteto Eug\u00e8ne Viollet-Le-Duc iniciou uma restaura\u00e7\u00e3o ambiciosa e, na \u00e9poca, controversa. Seu aluno, Paul Boeswillwald, continuou o trabalho ap\u00f3s ele, e essas duas figuras fundamentais devolveram \u00e0 cidade medieval sua relev\u00e2ncia hist\u00f3rica e sua integridade estrutural.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma Fortaleza europeia preservada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, Carcassonne apresenta tr\u00eas quil\u00f4metros de muralhas duplas defendidas por 52 torres e barbac\u00e3s, formando a maior e melhor preservada fortaleza medieval da Europa. Os visitantes conseguem percorrer a hist\u00f3ria em cada pedra, reconhecendo as marcas deixadas por romanos, visigodos, francos e construtores medievais. A transforma\u00e7\u00e3o de um local quase perdido numa atra\u00e7\u00e3o internacional \u00e9 uma vit\u00f3ria da preserva\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica que fez Carcassonne ser disputada por s\u00e9culos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Carcassonne n\u00e3o foi fortificada por acaso. A cidade fica numa encruzilhada de dois caminhos terrestres usados desde a Antiguidade: um conecta o oceano Atl\u00e2ntico ao mar Mediterr\u00e2neo, e outro liga o Maci\u00e7o Central franc\u00eas \u00e0 Espanha atrav\u00e9s dos Piren\u00e9us. Essa localiza\u00e7\u00e3o estrat\u00e9gica fez com que povos celtas, galo-romanos, visigodos, sarracenos e francos todos desejassem controlar o local ao longo dos mil\u00eanios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo ap\u00f3s perder import\u00e2ncia militar com o Tratado dos Piren\u00e9us em 1659, a regi\u00e3o do Languedoc mantinha relev\u00e2ncia econ\u00f4mica: em 1723, Carcassonne era o &#8220;centro da manufatura do Languedoc&#8221; da ind\u00fastria de lanif\u00edcios, mostrando que a localiza\u00e7\u00e3o continuava valiosa para o com\u00e9rcio, ainda que n\u00e3o mais para a guerra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Da beira do desaparecimento, a Cit\u00e9 foi salva por restaura\u00e7\u00f5es que a transformaram na maior fortaleza medieval preservada da Europa.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":39865,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39866","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39866","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39866"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39866\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":40198,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39866\/revisions\/40198"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39866"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39866"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39866"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}