{"id":39839,"date":"2026-10-26T10:40:00","date_gmt":"2026-10-26T13:40:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39839"},"modified":"2026-10-26T10:40:00","modified_gmt":"2026-10-26T13:40:00","slug":"homem-compra-uma-casa-com-arvore-enorme-no-quintal-ele-pode-cortar-mesmo-sendo-dono-do-terreno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/homem-compra-uma-casa-com-arvore-enorme-no-quintal-ele-pode-cortar-mesmo-sendo-dono-do-terreno\/","title":{"rendered":"Homem compra uma casa com \u00e1rvore enorme no quintal: ele pode cortar mesmo sendo dono do terreno?"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Comprar uma casa com \u00e1rvore de grande porte no terreno pode trazer surpresas desagrad\u00e1veis meses depois, quando ra\u00edzes levantam o piso ou galhos bloqueiam a luz solar. O C\u00f3digo Civil permite ao propriet\u00e1rio cortar o que invade sua propriedade, mas a lei estabelece regras precisas para proteger a \u00e1rvore e evitar conflitos judiciais com o vizinho dono dela.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d3rg\u00e3os ambientais locais podem proibir a interven\u00e7\u00e3o se a esp\u00e9cie for protegida ou tombada como patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da cidade. No entanto, o propriet\u00e1rio do terreno invadido pode remover ramos e ra\u00edzes que ultrapassam a linha divis\u00f3ria e entram em sua propriedade. O procedimento, por\u00e9m, exige cuidado: um corte errado coloca em risco a vida da \u00e1rvore e pode levar \u00e0 sua queda total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de agir, consulte os \u00f3rg\u00e3os ambientais locais para verificar se a esp\u00e9cie \u00e9 protegida. Se for, ser\u00e1 necess\u00e1ria autoriza\u00e7\u00e3o formal da prefeitura ou da Secretaria do Meio Ambiente, com justificativa dos problemas que a invas\u00e3o causa no im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Felipe Assis Nakamoto, professor de Direito Civil da Universidade Presbiteriana Mackenzie, ressalta que esp\u00e9cies protegidas ou tombadas exigem procedimentos especiais e cuidados adicionais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">\u00c1rvores na linha divis\u00f3ria entre terrenos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando o tronco est\u00e1 exatamente sobre a divisa entre dois lotes, a lei presume que a \u00e1rvore pertence aos dois propriet\u00e1rios, em condom\u00ednio. Os dois compartilham a posse, a responsabilidade pela manuten\u00e7\u00e3o e os poss\u00edveis danos que a \u00e1rvore cause \u00e0 vizinhan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Qualquer decis\u00e3o sobre poda, corte ou remo\u00e7\u00e3o exige acordo entre os vizinhos. A mesma regra vale para sebes vivas (fileiras de \u00e1rvores ou arbustos plantados como muro) e plantas usadas como marcos divis\u00f3rios. Essas plantas s\u00f3 podem ser cortadas ou arrancadas se ambos os propriet\u00e1rios concordarem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A quem pertencem os frutos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo 1.284 do C\u00f3digo Civil estabelece uma regra clara: frutos que caem da \u00e1rvore do terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde se depositam. Enquanto ainda est\u00e3o no galho \u2014 chamados frutos pendentes \u2014 pertencem ao dono da \u00e1rvore, e quando caem no quintal vizinho, mudam automaticamente de dono.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se os frutos caem na rua p\u00fablica, ningu\u00e9m tem direito exclusivo e qualquer pessoa pode aproveit\u00e1-los, conforme a legisla\u00e7\u00e3o brasileira estabelece.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como resolver sem conflito judicial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O di\u00e1logo pr\u00e9vio \u00e9 o caminho mais seguro para evitar desentendimentos. Converse com o vizinho sobre os problemas reais: infiltra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua nas funda\u00e7\u00f5es, bloqueio de luz solar, entupimento de calhas. Fotografias que comprovem os inconvenientes fortalecem sua posi\u00e7\u00e3o e facilitam um acordo amig\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se o vizinho recusar coopera\u00e7\u00e3o ap\u00f3s as conversas, formalize a reclama\u00e7\u00e3o por escrito, liste os danos espec\u00edficos e estabele\u00e7a um prazo para a\u00e7\u00e3o. Isso ajuda a demonstrar que voc\u00ea tentou resolver a quest\u00e3o. Rosa Maria recomenda fazer a notifica\u00e7\u00e3o por meio de um cart\u00f3rio de t\u00edtulos e documentos, que encaminhar\u00e1 o aviso oficialmente \u00e0 prefeitura municipal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Re\u00fana documenta\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica dos danos e, se necess\u00e1rio, encaminhe o caso \u00e0 prefeitura municipal ou \u00e0 Defesa Civil se houver risco iminente \u00e0 estrutura do im\u00f3vel. Se essas etapas n\u00e3o resolverem o problema, Felipe recomenda procurar as vias judiciais ou denunciar o caso \u00e0 Defesa Civil ou \u00e0 Secretaria do Meio Ambiente do munic\u00edpio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A den\u00fancia deve alertar sobre o risco para vizinhos e para a popula\u00e7\u00e3o em geral. Ele ressalta, por\u00e9m, a import\u00e2ncia de tentar o consenso primeiro, para evitar custos e desgaste na rela\u00e7\u00e3o com o vizinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como formalizar uma reclama\u00e7\u00e3o sobre \u00e1rvore invasora<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>Converse informalmente com o vizinho sobre os problemas reais e documentados<\/li>\r\n<li>Tire fotografias que comprovem os danos: infiltra\u00e7\u00e3o, bloqueio de luz, entupimento de calhas<\/li>\r\n<li>Se o vizinho n\u00e3o cooperar, redija um aviso escrito listando os danos espec\u00edficos e estabelecendo um prazo para a\u00e7\u00e3o<\/li>\r\n<li>Encaminhe essa notifica\u00e7\u00e3o por meio de um cart\u00f3rio de t\u00edtulos e documentos, que a encaminhar\u00e1 oficialmente \u00e0 prefeitura municipal<\/li>\r\n<li>Guarde c\u00f3pias de toda a correspond\u00eancia como prova de que tentou resolver a quest\u00e3o amigavelmente<\/li>\r\n<li>Se necess\u00e1rio, procure a prefeitura municipal ou a Defesa Civil se houver risco iminente \u00e0 estrutura<\/li><\/ul>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posso simplesmente entrar no terreno do vizinho e cortar os galhos que invadem meu quintal?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o, e mesmo tendo o direito legal de remover ramos e ra\u00edzes que atravessam sua propriedade. Entrar no terreno alheio sem permiss\u00e3o para fazer isso \u00e9 considerado um ato abusivo e pode resultar em a\u00e7\u00e3o judicial contra voc\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei garante o direito de corte, mas exige que voc\u00ea respeite a propriedade do vizinho e tente resolver o problema de forma dialogada. Se o vizinho n\u00e3o cooperar ap\u00f3s conversas, voc\u00ea deve formalizar uma notifica\u00e7\u00e3o por escrito ou fazer um pedido oficial ao \u00f3rg\u00e3o ambiental, nunca agir por conta pr\u00f3pria invadindo a propriedade vizinha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Propriet\u00e1rios devem notificar o vizinho formalmente e, se necess\u00e1rio, recorrer \u00e0 prefeitura ou \u00e0 Justi\u00e7a para evitar conflitos legais.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39838,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39839","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39839","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39839"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39839\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39844,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39839\/revisions\/39844"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39838"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39839"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39839"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39839"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}