{"id":39699,"date":"2026-10-25T04:22:00","date_gmt":"2026-10-25T07:22:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39699"},"modified":"2026-10-24T09:46:38","modified_gmt":"2026-10-24T12:46:38","slug":"o-fogo-mudou-a-rotina-dos-primeiros-humanos-veja-como-a-descoberta-ajudou-na-alimentacao-e-na-protecao-contra-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/o-fogo-mudou-a-rotina-dos-primeiros-humanos-veja-como-a-descoberta-ajudou-na-alimentacao-e-na-protecao-contra-animais\/","title":{"rendered":"O fogo mudou a rotina dos primeiros humanos; veja como a descoberta ajudou na alimenta\u00e7\u00e3o e na prote\u00e7\u00e3o contra animais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><p>A descoberta do fogo n\u00e3o pode ser atribu\u00edda a um momento espec\u00edfico da hist\u00f3ria, j\u00e1 que seu uso pelos primeiros seres humanos ocorreu de maneira gradual. Essa quest\u00e3o foi abordada em um estudo publicado em 2016 na revista cient\u00edfica Philosophical Transactions of the Royal Society, de autoria do arque\u00f3logo brit\u00e2nico John Gowlett, especialista em arqueologia e egiptologia.<\/p>\n\n\n\n<iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/w7KqTJKmSjg\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os primeiros homin\u00eddeos encontraram o fogo em inc\u00eandios naturais provocados por raios e passaram a us\u00e1-lo em um processo longo e gradual. O fogo transformou a forma como os seres humanos viviam, comiam e se protegiam no planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nossos ancestrais usaram o fogo principalmente para iluminar lugares escuros, localizando alimentos como ovos e lagartos; para aquecimento, prote\u00e7\u00e3o e preparo de refei\u00e7\u00f5es; e como ferramenta para produzir cer\u00e2mica e outros objetos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a alimenta\u00e7\u00e3o mudou com o fogo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s inc\u00eandios naturais, os primeiros humanos sa\u00edram em busca de comida entre os escombros e provavelmente consumiram alimentos que o fogo havia cozido \u2014 uma descoberta que pode ter ocorrido por acaso. Essa experi\u00eancia casual levou \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o intencional do cozimento de carne e de outros alimentos, conforme explicou Gowlett.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aves como falc\u00f5es aproveitavam animais que fugiam dos inc\u00eandios, e situa\u00e7\u00f5es semelhantes provavelmente marcaram as primeiras intera\u00e7\u00f5es humanas com o fogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fogo alterou o ciclo circadiano dos humanos primitivos e criou novos espa\u00e7os de conviv\u00eancia, o que ajudou no desenvolvimento cognitivo e social. \u00c0 noite, grupos de ca\u00e7adores-coletores reunidos em volta das fogueiras conversavam sobre mitos. Cerim\u00f4nias religiosas e hist\u00f3rias do passado tamb\u00e9m ocupavam esse per\u00edodo, em contraste com o dia, quando a sobreviv\u00eancia exigia foco na busca por recursos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando os humanos come\u00e7aram a dominar o fogo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Registros arqueol\u00f3gicos indicam que o dom\u00ednio do fogo remonta a per\u00edodos muito antigos. Material queimado \u00e9 datado de aproximadamente 1,5 milh\u00e3o de anos atr\u00e1s, conforme a Philosophical Transactions of the Royal Society.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 mais de 1,5 milh\u00e3o de anos, a pr\u00e1tica de cozinhar provavelmente j\u00e1 existia, segundo o Smithsonian, embora as lareiras documentadas remontem apenas a 790 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 pouco mais de 1,4 milh\u00e3o de anos, os humanos controlaram o fogo pela primeira vez. Contudo, t\u00e9cnicas deliberadas para produzir fogo com ferramentas de atrito s\u00f3 surgiram no per\u00edodo Neol\u00edtico. Por volta de 7.000 a.C., quando os humanos desenvolveram m\u00e9todos para gerar chamas pelo atrito de dois objetos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Prote\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o territorial<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de transformar a alimenta\u00e7\u00e3o, o fogo protegeu os humanos de predadores noturnos. Manter as chamas acesas permitiu que grupos humanos permanecessem em territ\u00f3rios antes inacess\u00edveis ap\u00f3s o anoitecer e ampliou os locais dispon\u00edveis para habita\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fogo tamb\u00e9m proporcionou calor corporal durante per\u00edodos de frio, ampliando a possibilidade de migra\u00e7\u00e3o humana para regi\u00f5es com climas mais rigorosos. Essa mudan\u00e7a foi determinante para a dispers\u00e3o de popula\u00e7\u00f5es humanas por diferentes continentes, marcando um ponto de virada na hist\u00f3ria da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a fogueira reorganizou o tempo e o espa\u00e7o social humano<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fogo n\u00e3o apenas aquecia e cozinhava. Ao iluminar a escurid\u00e3o noturna, ele criou um novo per\u00edodo do dia dispon\u00edvel para a vida social \u2014 a noite deixou de ser apenas um tempo de repouso for\u00e7ado e se tornou um espa\u00e7o de conviv\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa transforma\u00e7\u00e3o alterou o ciclo circadiano dos ancestrais humanos, permitindo que a vida social se expandisse al\u00e9m das horas de luz natural.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fogueira funcionava como um centro gravitacional que re\u00fania o grupo em torno de si. Diferentemente das conversas di\u00e1rias, focadas em quest\u00f5es pr\u00e1ticas e imediatas da sobreviv\u00eancia, as noites ao redor do fogo abriram espa\u00e7o para hist\u00f3rias do passado. Mitos, cerim\u00f4nias religiosas e reflex\u00f5es sobre o mundo espiritual.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse deslocamento do foco \u2014 de necessidades imediatas para narrativas compartilhadas \u2014 criou um ambiente prop\u00edcio para o desenvolvimento cognitivo e para o fortalecimento dos la\u00e7os sociais dentro do grupo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a produ\u00e7\u00e3o de fogo significou para a fixa\u00e7\u00e3o humana na terra<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dom\u00ednio do fogo foi central para que os humanos deixassem de ser n\u00f4mades e se tornassem sedent\u00e1rios. Com a capacidade de se aquecer, cozinhar alimentos e afugentar predadores noturnos, os grupos humanos puderam permanecer em um \u00fanico local por mais tempo e, depois, de forma permanente. Essa estabilidade territorial permitiu o surgimento da agricultura e do armazenamento de excedentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma vez fixos em um lugar, os humanos come\u00e7aram a explorar sistematicamente a terra onde viviam, plantando e colhendo sementes. O excedente dessa produ\u00e7\u00e3o era guardado em recipientes de cer\u00e2mica para consumo futuro ou troca com outros grupos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa mudan\u00e7a \u2014 de explorar o ambiente conforme se deslocava para modific\u00e1-lo intencionalmente em benef\u00edcio pr\u00f3prio \u2014 marca o in\u00edcio de uma nova rela\u00e7\u00e3o entre humanos e natureza, onde passaram a interferir e controlar seu entorno em vez de apenas se adaptar a ele.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dominar o fogo permitiu que humanos expandissem territorialmente, ocupassem novos habitats e desenvolvessem capacidades cognitivas e sociais fundamentais para a esp\u00e9cie.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":39698,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39699","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39699","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39699"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39699\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39804,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39699\/revisions\/39804"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39698"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39699"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39699"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39699"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}