{"id":39670,"date":"2026-10-22T11:03:00","date_gmt":"2026-10-22T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39670"},"modified":"2026-10-22T11:03:00","modified_gmt":"2026-10-22T14:03:00","slug":"dinossauros-tinham-penas-o-que-fosseis-revelam-sobre-a-aparencia-desses-animais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/dinossauros-tinham-penas-o-que-fosseis-revelam-sobre-a-aparencia-desses-animais\/","title":{"rendered":"Dinossauros tinham penas? O que f\u00f3sseis revelam sobre a apar\u00eancia desses animais"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um conjunto de f\u00f3sseis encontrado na regi\u00e3o da Sib\u00e9ria, na R\u00fassia, indica que a presen\u00e7a de penas era a regra entre os dinossauros, n\u00e3o uma exce\u00e7\u00e3o restrita a poucos grupos. O estudo, publicado na revista Science por pesquisadores de diferentes pa\u00edses, sustenta que o primeiro dinossauro do qual todos os demais descendem j\u00e1 carregava penas pelo corpo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pascal Godefroit, pesquisador do Instituto Real Belga de Ci\u00eancias Naturais em Bruxelas e principal autor do estudo, afirmou que ter penas deixou de ser um tra\u00e7o restrito \u00e0s aves para se tornar uma caracter\u00edstica comum a todo o grupo dos dinossauros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes desse achado, praticamente todos os registros de dinossauros emplumados haviam sido feitos em territ\u00f3rio chin\u00eas, e se limitavam aos ter\u00f3podes, o grupo que deu origem \u00e0s aves atuais. Esse novo f\u00f3ssil siberiano prova que a caracter\u00edstica estava presente em fam\u00edlias bem mais antigas e diversas, reescrevendo a compreens\u00e3o cient\u00edfica sobre esses r\u00e9pteis extintos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A descoberta do Kulindadromeus<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova esp\u00e9cie encontrada, Kulindadromeus zabaikalicus, viveu h\u00e1 cerca de 160 milh\u00f5es de anos perto do rio Kulinda. Com apenas 1,5 metro de comprimento, era um dinossauro ornit\u00edsquio, um herb\u00edvoro de bico que pertencia a um ramo evolutivo distinto dos ter\u00f3podes. Isso torna o achado particularmente significativo para compreender a distribui\u00e7\u00e3o das penas entre os dinossauros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O s\u00edtio f\u00f3ssil inclu\u00eda seis cr\u00e2nios e centenas de ossos, revelando que a maioria dos dinossauros estavam na era juvenil. Esse padr\u00e3o indica que os animais morreram em eventos isolados, n\u00e3o em uma cat\u00e1strofe em massa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O dep\u00f3sito se formou em uma regi\u00e3o com lagos e vulc\u00f5es abundantes; os dinossauros provavelmente ca\u00edram no fundo do lago e foram cobertos por cinzas vulc\u00e2nicas finas que se depositaram logo depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome Kulindadromeus significa essencialmente &#8220;dinossauro corredor no Rio Kulinda&#8221;, rio pr\u00f3ximo ao qual a esp\u00e9cie viveu. O nome da esp\u00e9cie, zabaikalicus, refere-se a Zabaikalsky Krai, a regi\u00e3o da Sib\u00e9ria onde foi descoberto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Os diferentes tipos de penas encontradas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Kulindadromeus combinava penas macias, em tiras finas espalhadas pelo corpo, com escamas especialmente arqueadas que formavam linhas na cauda. Suas canelas apresentavam penas em formato de fita, um tipo nunca documentado em dinossauros at\u00e9 ent\u00e3o. O conjunto revelava uma variedade de estruturas diferentes das observadas em outros dinossauros emplumados e em p\u00e1ssaros modernos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Jakob Vinther, paleont\u00f3logo da Universidade de Bristol no Reino Unido, destacou a relev\u00e2ncia do achado: a qualidade e quantidade dos esp\u00e9cimes siberianos eram raramente esperadas fora da China.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A hip\u00f3tese de que as penas evolu\u00edram a partir de escamas de r\u00e9pteis antigos e funcionaram inicialmente como isolamento t\u00e9rmico ganha for\u00e7a com esses exemplares. Eles sugerem um mecanismo evolutivo muito anterior ao que se conhecia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Significado evolutivo das penas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A fun\u00e7\u00e3o exata de tantos tipos diferentes de penas permanece em aberto. Godefroit indicou que n\u00e3o sabe ao certo o que todas essas penas diferentes fazem, mas que esses animais n\u00e3o podiam voar. Nos dinossauros de maior porte, a quantidade de penas tende a ser menor, uma vez que o isolamento t\u00e9rmico se tornava menos necess\u00e1rio \u2014 fen\u00f4meno compar\u00e1vel ao dos elefantes africanos, que dispensam uma cobertura densa de pelos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, tamb\u00e9m reconhece que penas n\u00e3o foram apenas uma caracter\u00edstica de aves e seus parentes mais pr\u00f3ximos, mas evolu\u00edram muito mais cedo na hist\u00f3ria dos dinossauros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Kulindadromeus prova que as penas n\u00e3o eram exclusivas de um grupo espec\u00edfico de dinossauros. Se um ornit\u00edsquio herb\u00edvoro e de pequeno porte apresentava plumagem, \u00e9 razo\u00e1vel concluir que o ancestral comum de todos os dinossauros tamb\u00e9m era coberto de penas. A descoberta muda a imagem que temos desses r\u00e9pteis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Brusatte, tudo indica que o ancestral mais remoto dos dinossauros j\u00e1 possu\u00eda penas, de forma que cada esp\u00e9cie do grupo teria exibido alguma varia\u00e7\u00e3o desse revestimento, \u00e0 semelhan\u00e7a do que ocorre com os pelos entre os mam\u00edferos. O material fossil\u00edfero ainda oferece possibilidades de novas descobertas: ainda n\u00e3o se sabe a extens\u00e3o completa do leito f\u00f3ssil, e h\u00e1 expectativa de encontrar mais esp\u00e9cimes em futuras escava\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Modelos de dinossauros em museus, geralmente representados com pele de couro ou escamosa, podem precisar ser atualizados \u00e0 luz dessa descoberta. O primeiro dinossauro emplumado foi descoberto na China em 1996, marcando o in\u00edcio de uma s\u00e9rie de achados que culmina agora na constata\u00e7\u00e3o de que a plumagem era praticamente universal entre esses animais, n\u00e3o uma peculiaridade de certos grupos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Se penas raramente se fossilizam, como temos certeza de que praticamente todos os dinossauros tinham penas?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa \u00e9 uma pergunta leg\u00edtima que at\u00e9 os pr\u00f3prios cientistas enfrentam. As penas raramente se fossilizam, o que torna a descoberta de ind\u00edcios delas extremamente rara e valiosa. O que permite aos pesquisadores estar confiantes \u00e9 a distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica e evolutiva das descobertas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Elementos como penas foram encontradas em dois grupos de dinossauros completamente diferentes (ter\u00f3podes e ornit\u00edsquios) que se dividiram h\u00e1 cerca de 220 milh\u00f5es de anos. Se dois ramos t\u00e3o distantes da \u00e1rvore evolutiva tinham penas, o ancestral comum que viveu antes dessa divis\u00e3o muito provavelmente tamb\u00e9m tinha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">E se o ancestral comum tinha penas, todos os seus descendentes (praticamente todos os dinossauros) teriam herdado essa caracter\u00edstica. O desafio dos pesquisadores agora \u00e9 encontrar mais exemplares fossilizados com impress\u00f5es de penas para confirmar essa teoria em outras fam\u00edlias de dinossauros, especialmente as gigantescas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>F\u00f3sseis siberianos indicam que o ancestral comum de todos os dinossauros j\u00e1 era coberto de penas.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39669,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39670","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39670","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39670"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39670\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39676,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39670\/revisions\/39676"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39669"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39670"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39670"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39670"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}