{"id":39615,"date":"2026-10-21T12:11:00","date_gmt":"2026-10-21T15:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39615"},"modified":"2026-10-21T12:11:00","modified_gmt":"2026-10-21T15:11:00","slug":"irmao-mora-sozinho-na-casa-deixada-pelos-pais-e-paga-a-manutencao-entenda-como-essas-despesas-podem-ser-discutidas-entre-os-herdeiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/irmao-mora-sozinho-na-casa-deixada-pelos-pais-e-paga-a-manutencao-entenda-como-essas-despesas-podem-ser-discutidas-entre-os-herdeiros\/","title":{"rendered":"Irm\u00e3o mora sozinho na casa deixada pelos pais e paga a manuten\u00e7\u00e3o; entenda como essas despesas podem ser discutidas entre os herdeiros"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vinte anos sozinho num im\u00f3vel de fam\u00edlia n\u00e3o transforma quem ali vive em dono exclusivo da casa. Enquanto o processo de invent\u00e1rio n\u00e3o chega ao fim, o bem segue pertencendo em conjunto a todos os filhos, ainda que apenas um more l\u00e1 e arque com as despesas da casa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Situa\u00e7\u00f5es assim se repetem em fam\u00edlias diferentes: depois de duas d\u00e9cadas morando na casa deixada pelos pais, o ocupante se v\u00ea diante de uma cobran\u00e7a quando os outros herdeiros resolvem colocar \u00e0 venda a fatia que lhes pertence. Para que essa cobran\u00e7a proporcional seja v\u00e1lida, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a exige que os demais propriet\u00e1rios tenham expressado contrariedade ao uso exclusivo do im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um detalhe que costuma gerar d\u00favida \u00e9 a partir de quando essa d\u00edvida come\u00e7a a contar \u2014 e o falecimento dos pais n\u00e3o \u00e9 esse marco inicial. O mesmo entendimento vale para as despesas: IPTU e manuten\u00e7\u00e3o entram na conta do esp\u00f3lio, n\u00e3o s\u00f3 de quem reside no im\u00f3vel.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A casa pertence a todos os herdeiros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada filho se torna dono de uma fra\u00e7\u00e3o ideal do bem assim que os pais falecem, segundo o Informativo de Jurisprud\u00eancia n\u00ba 822 do Superior Tribunal de Justi\u00e7a. Ningu\u00e9m tem uma parte f\u00edsica delimitada: a propriedade existe em conjunto at\u00e9 que a partilha divida o patrim\u00f4nio formalmente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O uso exclusivo do im\u00f3vel, sem pagamento aos demais propriet\u00e1rios, gera uma vantagem que deve ser compensada, conforme prev\u00ea o artigo 1.319 do C\u00f3digo Civil. A regra vale mesmo quando a ocupa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou de forma pac\u00edfica, sem conflito entre os irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando a cobran\u00e7a passa a existir<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A cobran\u00e7a pelo uso exclusivo come\u00e7a quando os demais herdeiros se op\u00f5em. N\u00e3o h\u00e1 cobran\u00e7a autom\u00e1tica pelos anos anteriores de conviv\u00eancia silenciosa. Essa interpreta\u00e7\u00e3o foi fixada pela Terceira Turma do STJ no julgamento do Recurso Especial 570.723, sob relatoria da ministra Nancy Andrighi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma notifica\u00e7\u00e3o extrajudicial j\u00e1 basta para marcar o in\u00edcio da contagem, sem necessidade de a\u00e7\u00e3o judicial imediata. Isso significa que morar de gra\u00e7a com o consentimento da fam\u00edlia durante 20 anos n\u00e3o gera cobran\u00e7a retroativa alguma, s\u00f3 a partir do pedido formal dos irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Compensa\u00e7\u00e3o dentro do invent\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, a Quarta Turma do tribunal confirmou que o valor devido pelo uso do im\u00f3vel pode ser abatido na pr\u00f3pria partilha, sem exigir pagamento em dinheiro separado. O irm\u00e3o que permaneceu na casa, nesse caso, simplesmente recebe uma fra\u00e7\u00e3o menor do total.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O IPTU pago enquanto o processo de invent\u00e1rio tramita tamb\u00e9m fica sob responsabilidade do esp\u00f3lio como um todo, n\u00e3o apenas de quem reside no im\u00f3vel. Com isso, evita-se que o ocupante arque sozinho com duas obriga\u00e7\u00f5es distintas: o imposto e a eventual indeniza\u00e7\u00e3o aos irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Usucapi\u00e3o exige mais do que tempo de moradia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Passar 15 anos num im\u00f3vel sem que ningu\u00e9m reclame n\u00e3o converte automaticamente o ocupante em propriet\u00e1rio \u00fanico. O artigo 1.238 do C\u00f3digo Civil exige posse cont\u00ednua, sem interrup\u00e7\u00e3o e sem qualquer contesta\u00e7\u00e3o dos outros donos, com comportamento equivalente ao de um verdadeiro propriet\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A jurisprud\u00eancia do STJ reconhece que um herdeiro pode pedir usucapi\u00e3o extraordin\u00e1ria mesmo quando o im\u00f3vel est\u00e1 em heran\u00e7a, desde que comprove posse exclusiva e sem oposi\u00e7\u00e3o dos demais durante esse per\u00edodo. Quem vive na casa por acordo t\u00e1cito da fam\u00edlia, por\u00e9m, dificilmente atende a essa exig\u00eancia: a ocupa\u00e7\u00e3o nasceu de consentimento, n\u00e3o de disputa pela propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando os irm\u00e3os formalizam um pedido de venda ou enviam uma notifica\u00e7\u00e3o, esse gesto j\u00e1 caracteriza oposi\u00e7\u00e3o e encerra a chance de usucapi\u00e3o. A partir desse marco, torna-se juridicamente vi\u00e1vel cobrar pelo uso do im\u00f3vel, e o caminho da usucapi\u00e3o deixa de existir para quem ocupa o bem.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O papel do invent\u00e1rio na solu\u00e7\u00e3o do conflito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Concluir o invent\u00e1rio continua sendo a forma mais direta de encerrar esse tipo de impasse entre herdeiros, j\u00e1 que a partilha define de vez quem fica com o qu\u00ea. Segundo o artigo 1.320 do C\u00f3digo Civil, qualquer um dos cond\u00f4minos pode solicitar, sem prazo determinado, que o bem comum seja dividido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Como uma casa n\u00e3o se divide fisicamente, o artigo 1.322 do C\u00f3digo Civil autoriza a venda e a reparti\u00e7\u00e3o do valor. Quem reside no im\u00f3vel tem prefer\u00eancia sobre compradores de fora, abrindo a possibilidade de ficar com a parte dos irm\u00e3os. A Defensoria P\u00fablica pode orientar fam\u00edlias que n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de bancar um processo judicial mais longo sobre a divis\u00e3o do bem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de qualquer acordo informal entre irm\u00e3os, vale levantar o valor de mercado do im\u00f3vel e os gastos j\u00e1 feitos por quem nele reside, como IPTU, reformas e manuten\u00e7\u00e3o entram na negocia\u00e7\u00e3o. Esse levantamento evita que a compensa\u00e7\u00e3o feita na partilha saia prejudicial para qualquer um dos lados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a posse exclusiva se diferencia da simples toler\u00e2ncia familiar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para que um herdeiro consiga usucapi\u00e3o, n\u00e3o basta apenas morar sozinho na casa \u2014 \u00e9 preciso agir como verdadeiro dono, com inten\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio (o que a lei chama de &#8220;animus domini&#8221;). Quando os irm\u00e3os toleram a presen\u00e7a de forma pac\u00edfica, aceitando que o parente more ali, a Justi\u00e7a considera que h\u00e1 apenas deten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o posse real.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a \u00e9 crucial: na deten\u00e7\u00e3o, a pessoa ocupa por permiss\u00e3o; na posse, ocupa como se fosse dona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa distin\u00e7\u00e3o explica por que 20 anos de moradia pac\u00edfica com consentimento da fam\u00edlia n\u00e3o levam automaticamente \u00e0 usucapi\u00e3o. Se os demais herdeiros nunca questionaram a ocupa\u00e7\u00e3o, o STJ entende que houve toler\u00e2ncia, e n\u00e3o a atua\u00e7\u00e3o de propriet\u00e1rio que a lei exige.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O momento em que um irm\u00e3o notifica formalmente pedindo venda ou aluguel marca exatamente quando muda: ali, fica claro que a ocupa\u00e7\u00e3o nunca foi reconhecida como direito de dono, encerrando qualquer caminho para usucapi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que muda quando existe acordo pr\u00e9vio entre os herdeiros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O STJ admite que os herdeiros negociem entre si como v\u00e3o lidar com o IPTU durante o invent\u00e1rio. Se todos assinarem um acordo definindo que o ocupante pagar\u00e1 o imposto, o valor poder\u00e1 ser descontado sem gerar &#8220;dupla indeniza\u00e7\u00e3o&#8221;. O tribunal apenas protege quem n\u00e3o assinou nada e foi surpreendido com essa cobran\u00e7a na hora da partilha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Isso significa que antes de qualquer briga chegar ao juiz, a conversa em fam\u00edlia pode resolver o problema de forma mais justa. Se um irm\u00e3o mora l\u00e1, paga as contas e quer ficar com o im\u00f3vel, pode sentar com os demais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Acertar quanto vale a indeniza\u00e7\u00e3o pelo uso exclusivo, definir quem paga IPTU e quanto cada um recebe na partilha \u2014 tudo documentado e acordado. Quando existe acordo pr\u00e9vio claro, a Justi\u00e7a n\u00e3o interfere.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Concluir o invent\u00e1rio continua sendo a forma mais direta de encerrar esse tipo de impasse entre herdeiros.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39614,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39615","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39615"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39615\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39628,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39615\/revisions\/39628"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39614"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}