{"id":39244,"date":"2026-10-17T18:14:00","date_gmt":"2026-10-17T21:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39244"},"modified":"2026-10-17T18:14:00","modified_gmt":"2026-10-17T21:14:00","slug":"criatura-de-aparencia-alienigena-vive-nas-profundezas-do-oceano-e-tem-uma-aparencia-dificil-de-esquecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/criatura-de-aparencia-alienigena-vive-nas-profundezas-do-oceano-e-tem-uma-aparencia-dificil-de-esquecer\/","title":{"rendered":"Criatura de apar\u00eancia alien\u00edgena vive nas profundezas do oceano e tem uma apar\u00eancia dif\u00edcil de esquecer"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O is\u00f3pode gigante \u00e9 um crust\u00e1ceo de apar\u00eancia alien\u00edgena que habita o Mar da China Meridional, a quase 900 metros de profundidade, e chama aten\u00e7\u00e3o pelo tamanho descomunal. O animal tamb\u00e9m surpreende pela capacidade de ficar mais de cinco anos sem comer, mesmo vivendo em um local onde o alimento raramente aparece.<\/p>\n\n\n\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"IS\u00d3PODE GIGANTE - Um Crust\u00e1ceo \u00e9 Incr\u00edvel\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/Uge-Req0qjE?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\r\n\r\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse crust\u00e1ceo \u00e9 parente distante dos tatuzinhos-de-jardim e representa um caso extremo de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente de alto-mar. Os mecanismos biol\u00f3gicos por tr\u00e1s dessa resist\u00eancia prolongada \u00e0 fome foram o foco de um estudo divulgado pela revista cient\u00edfica Cell em agosto de 2026.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa reuniu equipes de tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es \u2014 o Instituto de Oceanologia da Academia Chinesa de Ci\u00eancias, a Universidade Chinesa de Hong Kong e a Universidade Polit\u00e9cnica do Noroeste \u2014 interessadas em entender como esses organismos conseguem economizar energia e resistir a longos per\u00edodos sem comida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O corpo adaptado \u00e0s profundezas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O is\u00f3pode gigante pertence ao g\u00eanero Bathynomus e apresenta um corpo completamente moldado para a vida no fundo do oceano. Sua carapa\u00e7a resistente protege um corpo achatado e segmentado, enquanto 14 patas articuladas garantem locomo\u00e7\u00e3o eficiente em um ambiente onde movimento \u00e9 essencial.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas esp\u00e9cies atingem cerca de 50 cent\u00edmetros de comprimento \u2014 tamanho compar\u00e1vel ao de um c\u00e3o de pequeno porte e raro entre parentes pr\u00f3ximos dos tatuzinhos-de-jardim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A equipe investigou duas esp\u00e9cies para entender essas adapta\u00e7\u00f5es: a Bathynomus jamesi, que vive a aproximadamente 900 metros abaixo da superf\u00edcie no Mar da China Meridional. E a Bathynomus doederleini, encontrada a cerca de 300 metros no Mar da China Oriental.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses crust\u00e1ceos aparecem tamb\u00e9m nos oceanos Atl\u00e2ntico, Pac\u00edfico e \u00cdndico, onde dependem quase inteiramente de restos de peixes e outros organismos que afundam at\u00e9 o leito marinho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O gene que economiza energia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os principais achados est\u00e1 o gene ND1, que pode ter chegado ao genoma desses crust\u00e1ceos por meio de transfer\u00eancia horizontal de genes de bact\u00e9rias h\u00e1 mais de 16 milh\u00f5es de anos. Esse gene parece funcionar como um freio biol\u00f3gico, reduzindo a atividade metab\u00f3lica em ambientes frios e poupando energia durante longos per\u00edodos sem alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores tamb\u00e9m analisaram bact\u00e9rias do grupo Chlamydiae, capazes de armazenar gordura, que podem contribuir para as estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia desses crust\u00e1ceos. Para testar os efeitos do gene ND1, a equipe realizou experimentos com peixes-zebra, vermes e c\u00e9lulas humanas em laborat\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em um desses testes, peixes-zebra que receberam o gene ND1 sobreviveram 37% mais tempo sem comida a 18 \u00b0C. O resultado refor\u00e7a a hip\u00f3tese de que esse mecanismo gen\u00e9tico est\u00e1 diretamente ligado \u00e0 resist\u00eancia observada nos is\u00f3podes gigantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Duas estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia dos Is\u00f3podes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A capacidade de jejuar por anos n\u00e3o depende apenas dos genes. Uma das estrat\u00e9gias dos is\u00f3podes gigantes \u00e9 aproveitar ao m\u00e1ximo cada refei\u00e7\u00e3o: o est\u00f4mago amplo armazena alimento, enquanto o metabolismo lento reduz o consumo de energia e permite enfrentar longos per\u00edodos sem comida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora os resultados dos estudos sejam promissores, novas pesquisas ainda s\u00e3o necess\u00e1rias para esclarecer completamente como esses mecanismos funcionam em conjunto no organismo dos is\u00f3podes gigantes do fundo do oceano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o est\u00f4mago gigante funciona como armaz\u00e9m de energia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O is\u00f3pode gigante possui um est\u00f4mago que ocupa cerca de dois ter\u00e7os de toda a sua cavidade corporal \u2014 propor\u00e7\u00e3o extraordin\u00e1ria comparada \u00e0 maioria dos animais. Quando encontra uma carca\u00e7a no leito marinho, ele aproveita a oportunidade devorando a maior quantidade poss\u00edvel de alimento de uma \u00fanica vez.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse \u00f3rg\u00e3o ampliado funciona como um verdadeiro armaz\u00e9m, acumulando energia que ser\u00e1 consumida lentamente ao longo dos meses ou anos seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As bact\u00e9rias Chlamydiae que vivem em seu sistema digestivo ajudam nessa estrat\u00e9gia e no armazenamento prolongado de gorduras. Esse sistema, combinado com o metabolismo lento do animal, transforma cada refei\u00e7\u00e3o em uma reserva de longa dura\u00e7\u00e3o que sustenta o crust\u00e1ceo nos per\u00edodos de escassez.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a pesquisa dos is\u00f3podes revela sobre a sobreviv\u00eancia em ambientes extremos: Eles conseguem se manterem vivos?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entender como o is\u00f3pode gigante resiste \u00e0 fome n\u00e3o \u00e9 apenas curiosidade cient\u00edfica. Esses mecanismos biol\u00f3gicos \u2014 est\u00f4mago amplo, metabolismo reduzido e genes bacterianos integrados \u2014 ajudam a explicar como organismos vivos se adaptam a ambientes com recursos limitados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, desvendar essas adapta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e metab\u00f3licas pode ter aplica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas na medicina. No desenvolvimento de tecnologias rob\u00f3ticas e na an\u00e1lise de como esp\u00e9cies podem se adaptar \u00e0s mudan\u00e7as clim\u00e1ticas globais. O fundo do oceano \u00e9 o maior espa\u00e7o habit\u00e1vel do planeta e guarda informa\u00e7\u00f5es sobre resili\u00eancia que a ci\u00eancia ainda come\u00e7a a compreender.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo revela que um gene transferido de bact\u00e9rias h\u00e1 milh\u00f5es de anos permite que o animal resista a longos per\u00edodos sem alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":39243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39244","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39244","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39244"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39244\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39346,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39244\/revisions\/39346"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39244"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39244"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39244"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}