{"id":39231,"date":"2026-10-17T12:20:00","date_gmt":"2026-10-17T15:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=39231"},"modified":"2026-10-17T12:20:00","modified_gmt":"2026-10-17T15:20:00","slug":"o-bioma-que-fica-no-brasil-esconde-animais-gigantes-e-especies-pouco-conhecidas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/o-bioma-que-fica-no-brasil-esconde-animais-gigantes-e-especies-pouco-conhecidas\/","title":{"rendered":"O bioma que fica no Brasil esconde animais gigantes e esp\u00e9cies pouco conhecidas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Brasil reconheceu oficialmente em 2019 o Sistema Costeiro-Marinho, um bioma que permanecia invis\u00edvel nos mapas e se estende dos mangues do litoral amaz\u00f4nico \u00e0s \u00e1guas profundas al\u00e9m da plataforma continental. A regi\u00e3o re\u00fane uma biodiversidade distribu\u00edda por ecossistemas t\u00e3o distintos quanto recifes biog\u00eanicos, cost\u00f5es rochosos e manguezais.<\/p>\n\n\n\n\r\n\r\n<div class=\"jeg_video_container jeg_video_content\"><iframe loading=\"lazy\" title=\"Pesquisas sobre ecossistemas costeiros. EMCT. Ep. 26\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RPM15e6qxYM?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\r\n\r\n\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os animais gigantes que habitam o Sistema Costeiro-Marinho brasileiro est\u00e3o as baleias-jubarte, que podem alcan\u00e7ar cerca de 16 metros de comprimento e pesar mais de 30 toneladas. Esses mam\u00edferos percorrem milhares de quil\u00f4metros durante suas migra\u00e7\u00f5es e utilizam \u00e1reas do litoral brasileiro para reprodu\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m delas, tubar\u00f5es-baleia, considerados os maiores peixes do mundo, tamb\u00e9m aparecem em \u00e1guas brasileiras e podem ultrapassar 12 metros de comprimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O bioma tamb\u00e9m abriga esp\u00e9cies menos conhecidas, como o peixe-morcego, que utiliza suas nadadeiras adaptadas para se locomover pelo fundo do mar, e o cavalo-marinho, encontrado em ambientes costeiros protegidos. Nas regi\u00f5es mais profundas, vivem ainda diferentes esp\u00e9cies de polvos, crust\u00e1ceos e peixes adaptados \u00e0 baixa luminosidade e \u00e0s elevadas press\u00f5es, revelando uma diversidade de animais que permanece pouco conhecida pela popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerado todo o territ\u00f3rio mar\u00edtimo brasileiro, o bioma ocupa aproximadamente 4,5 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados, mais da metade do territ\u00f3rio terrestre do pa\u00eds. S\u00f3 a parte continental \u2014 formada por mangues, restingas, praias arenosas, estu\u00e1rios e cost\u00f5es rochosos \u2014 soma quase 195 mil quil\u00f4metros quadrados, \u00e1rea superior \u00e0 do Pampa inteiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que o bioma precisava de reconhecimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de 2019, a aus\u00eancia de uma categoria pr\u00f3pria abria lacunas na prote\u00e7\u00e3o ambiental. Um manguezal em Alagoas, por exemplo, era classificado apenas como Mata Atl\u00e2ntica, apesar de ocupar simultaneamente \u00e1reas da Caatinga e da costa amaz\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Clemente Coelho Junior, professor do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas da Universidade de Pernambuco, explica que essa sobreposi\u00e7\u00e3o deixava o ecossistema em um &#8220;buraco&#8221; entre as defini\u00e7\u00f5es de biomas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Houve tentativas de desmatamento de mangues em regi\u00f5es de Caatinga porque o entendimento anterior era que esse ecossistema pertencia exclusivamente \u00e0 Mata Atl\u00e2ntica. O reconhecimento do Sistema Costeiro-Marinho como bioma pr\u00f3prio garantiu prote\u00e7\u00e3o legal a toda a extens\u00e3o costeira, porque os manguezais passaram a ser considerados \u00e1reas de prote\u00e7\u00e3o permanente em sua totalidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Complexidade de um ambiente \u00fanico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente costeiro-marinho brasileiro \u00e9 t\u00e3o vasto e variado que diferentes \u00f3rg\u00e3os o dividem de formas distintas. O IBGE lista quatro plataformas ao longo do litoral, enquanto o programa Recursos Vivos da Zona Econ\u00f4mica Exclusiva, da Marinha, identifica tr\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Otto Gadig, professor do Instituto de Bioci\u00eancias da Universidade Estadual Paulista em S\u00e3o Vicente, descreve o sistema como &#8220;enorme, rico, diverso e com uma interface absurda com a parte terrestre&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A geografia muda significativamente de norte a sul, e da regi\u00e3o amaz\u00f4nica at\u00e9 o Esp\u00edrito Santo predominam recifes biog\u00eanicos formados por algas calc\u00e1rias, semelhantes aos de Porto Seguro, em \u00e1guas mais quentes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A partir do Esp\u00edrito Santo em dire\u00e7\u00e3o ao sul surgem cost\u00f5es rochosos, ilhas costeiras e o fen\u00f4meno da ressurg\u00eancia no litoral carioca, que torna as \u00e1guas mais frias e atrai esp\u00e9cies diferentes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tesouros Vivos escondidos nas \u00e1guas<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Cat\u00e1logo das Esp\u00e9cies de Peixes Marinhos do Brasil , publicado em 2003, registra 1.297 esp\u00e9cies de peixes no Sistema Costeiro-Marinho. Um artigo de 2018 aponta 733 esp\u00e9cies exclusivamente marinhas, das quais 111 s\u00e3o end\u00eamicas da regi\u00e3o que engloba as costas brasileira e argentina. Entre essas esp\u00e9cies, 100 est\u00e3o amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e 19 s\u00e3o end\u00eamicas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma das esp\u00e9cies mais not\u00e1veis \u00e9 a Laminaria abyssalis , \u00fanica alga castanha do g\u00eanero Laminaria encontrada no Brasil. End\u00eamica do litoral do Esp\u00edrito Santo, essa alga de clima frio cresce entre 45 e 120 metros de profundidade gra\u00e7as \u00e0 ressurg\u00eancia de \u00c1guas Frias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pescadores locais chamam as \u00e1reas onde elas crescem de &#8220;mares de bananeiras&#8221;, por causa dos largos frondes, equivalentes a folhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O site Flora do Brasil registra 762 esp\u00e9cies de macroalgas no pa\u00eds, n\u00famero que deve se aproximar de 800 atualmente. O sistema tamb\u00e9m inclui crust\u00e1ceos, moluscos, mam\u00edferos marinhos e aves. As microalgas formam o fitopl\u00e2ncton, do qual s\u00e3o conhecidas 1.250 esp\u00e9cies no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esses organismos s\u00e3o essenciais: respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de metade do oxig\u00eanio do planeta, sustentam toda a cadeia alimentar dos oceanos. Apesar dessa diversidade, o Sistema Costeiro-Marinho permanece pouco estudado e conhecido pelo p\u00fablico brasileiro. Seu reconhecimento oficial como s\u00e9timo bioma avan\u00e7a na categoriza\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e garante que futuras pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o considerem a complexidade de cada ecossistema que o integra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil reconheceu oficialmente em 2019 o Sistema Costeiro-Marinho, um bioma que permanecia invis\u00edvel nos mapas e se estende dos mangues do litoral\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":39230,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39231","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39231","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39231"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39231\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":39340,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39231\/revisions\/39340"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39231"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39231"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39231"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}