{"id":39085,"date":"2026-10-14T10:20:28","date_gmt":"2026-10-14T13:20:28","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/historiadores-explicaram-por-que-homens-apareciam-com-uma-das-maos-dentro-do-casaco-em-retratos-antigos\/"},"modified":"2026-10-14T10:20:28","modified_gmt":"2026-10-14T13:20:28","slug":"historiadores-explicaram-por-que-homens-apareciam-com-uma-das-maos-dentro-do-casaco-em-retratos-antigos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/historiadores-explicaram-por-que-homens-apareciam-com-uma-das-maos-dentro-do-casaco-em-retratos-antigos\/","title":{"rendered":"Historiadores explicaram por que homens apareciam com uma das m\u00e3os dentro do casaco em retratos antigos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um dos retratos mais famosos de Napole\u00e3o, conclu\u00eddo em 1812, o mostra em uma postura inusitada. O imperador veste um uniforme formal e est\u00e1 de p\u00e9 em seu est\u00fadio. Mas \u00e9 a posi\u00e7\u00e3o da m\u00e3o direita que chama a aten\u00e7\u00e3o: ela est\u00e1 enfiada dentro do uniforme, passando pelos bot\u00f5es abertos propositalmente para acomodar todos os cinco dedos, como se estivesse prestes a sacar um rel\u00f3gio de bolso ou uma arma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto mais se observa a imagem, mais estranha ela fica, e o mais curioso \u00e9 que essa n\u00e3o era uma pose ocasional de Napole\u00e3o, mas quase uma marca registrada sua. Retratos posteriores repetem o mesmo gesto, transformando-o em parte de sua identidade visual.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pose n\u00e3o foi inven\u00e7\u00e3o de Napole\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00e3o enfiada no interior da roupa era extremamente popular na \u00e9poca entre a realeza e nobres. Nomes como General Lafayette, o 1\u00ba Duque de Wellington e George Washington tamb\u00e9m adotavam essa postura em seus retratos oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pr\u00e1tica, no entanto, n\u00e3o se limitou \u00e0s pinturas. Quando a fotografia em preto e branco surgiu, o fil\u00f3sofo Karl Marx mantinha o mesmo gesto em seu retrato de 1875. A pose evoluiu e atravessou s\u00e9culos, consolidando-se como um elemento visual importante entre homens de poder e prest\u00edgio. Sua ubiquidade em imagens hist\u00f3ricas sugere que havia raz\u00f5es profundas, tanto pr\u00e1ticas quanto simb\u00f3licas, para sua ado\u00e7\u00e3o generalizada.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/historiadores-explicaram-por-que-homens-apareciam-com-u-1.jpg\" alt=\"\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O fil\u00f3sofo Karl Marx tamb\u00e9m reproduziu o gesto em sua cl\u00e1ssica foto. (Foto: Wikimedia\/Dom\u00ednio p\u00fablico)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Origem na Gr\u00e9cia Antiga e significado de poder<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A explica\u00e7\u00e3o mais simples \u00e9 que a pose representava dignidade e alto status social. Historiadores rastreiam sua origem at\u00e9 a Gr\u00e9cia Antiga, onde c\u00edrculos da sociedade consideravam desrespeitoso falar com as m\u00e3os expostas fora da roupa, e estatu\u00e1ria do s\u00e9culo 6 a.C.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mostra oradores celebrados como S\u00f3lon com as m\u00e3os metidas dentro de suas capas, um padr\u00e3o que ajudava a evitar gestos nervosos durante discursos e se tornava comum entre homens poderosos. Nos s\u00e9culos 17 e 18, o retrato funcionava como ferramenta pol\u00edtica crucial \u2014 simbolizava o poder da realeza e operava quase como propaganda.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esconder uma m\u00e3o na camisa virou um s\u00edmbolo de nobreza e modera\u00e7\u00e3o, conforme descrevia um guia de etiqueta de 1737, The Rudiments of Genteel Behaviour , de Fran\u00e7ois Nivelon, que caracterizava a pose como significando &#8220;coragem viril temperada com mod\u00e9stia&#8221;. A pose come\u00e7ou a aparecer sistematicamente por volta de 1.750 em imagens de l\u00edderes pol\u00edticos, consolidando-se como conven\u00e7\u00e3o visual do poder.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Explica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas por tr\u00e1s do gesto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m das raz\u00f5es simb\u00f3licas, havia motivos pr\u00e1ticos simples. Sess\u00f5es de retrato, principalmente pinturas, duravam tanto que era mais confort\u00e1vel apoiar uma m\u00e3o dentro da jaqueta \u2014 um \u00fanico retrato podia exigir m\u00faltiplos encontros, cada um com v\u00e1rias horas de dura\u00e7\u00e3o. Manter a m\u00e3o oculta tornava a sess\u00e3o menos cansativa para o retratado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra teoria brinca com o ditado popular: m\u00e3os e p\u00e9s eram notoriamente dif\u00edceis de pintar, mesmo para artistas experientes, ent\u00e3o esconder os dedos tornava o retrato mais simples e talvez mais barato. O pintor Thomas Hudson apareceu em tantos retratos famosos com essa pose que alguns teorizaram que ele simplesmente tinha dificuldade em pintar m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Posturas similares \u2014 como manter as m\u00e3os atr\u00e1s das costas \u2014 ainda s\u00e3o percebidas hoje como sinais de confian\u00e7a e pondera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A pose como s\u00edmbolo nacional brit\u00e2nico contra a influ\u00eancia francesa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de representar nobreza universal, a pose adquiriu um significado pol\u00edtico espec\u00edfico na Gr\u00e3-Bretanha do s\u00e9culo XVIII. Historiadores argumentam que o gesto funcionava como express\u00e3o do car\u00e1ter nacional ingl\u00eas: uma imagem &#8220;natural, modesta e reservada, apoiada no precedente cl\u00e1ssico&#8221; \u2014 em contraste deliberado com &#8220;a exuber\u00e2ncia gestual do estilo ret\u00f3rico franc\u00eas&#8221;, associado ao catolicismo e ao absolutismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, quando retratos brit\u00e2nicos adotavam a m\u00e3o no colete, estavam comunicando n\u00e3o apenas poder pessoal, mas tamb\u00e9m uma identidade nacional distinta e superior \u00e0 da Fran\u00e7a rival.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A m\u00e3o no colete era realmente sinal de ser ma\u00e7om?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O gesto \u00e9 conhecido entre os Ma\u00e7ons, mas as fontes hist\u00f3ricas n\u00e3o sustentam que a pose era exclusiva ou principalmente associada \u00e0 Ma\u00e7onaria. A pose apareceu sistematicamente em retratos de l\u00edderes pol\u00edticos e militares europeus e americanos muito antes de se consolidar como conven\u00e7\u00e3o visual do poder<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Muitos desses retratados n\u00e3o tinham rela\u00e7\u00e3o comprovada com a organiza\u00e7\u00e3o. A associa\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f4nica \u00e9 mencionada nas fontes, mas sem evid\u00eancia de que fosse a raz\u00e3o principal pela qual tantos homens de Estado adotaram o gesto.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Historiadores apontam raz\u00f5es simb\u00f3licas e pr\u00e1ticas para a pose, que significava poder e modera\u00e7\u00e3o desde a Gr\u00e9cia Antiga.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":39083,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-39085","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39085","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=39085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/39085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/39083"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=39085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=39085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=39085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}