{"id":38739,"date":"2026-10-10T10:20:00","date_gmt":"2026-10-10T13:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=38739"},"modified":"2026-10-10T10:20:00","modified_gmt":"2026-10-10T13:20:00","slug":"venus-tem-um-dia-mais-longo-que-o-proprio-ano-entenda-como-o-planeta-leva-mais-tempo-para-girar-em-torno-de-si-do-que-para-dar-a-volta-no-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/venus-tem-um-dia-mais-longo-que-o-proprio-ano-entenda-como-o-planeta-leva-mais-tempo-para-girar-em-torno-de-si-do-que-para-dar-a-volta-no-sol\/","title":{"rendered":"V\u00eanus tem um dia mais longo que o pr\u00f3prio ano: entenda como o planeta leva mais tempo para girar em torno de si do que para dar a volta no Sol"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">V\u00eanus guarda uma excentricidade que nenhum outro vizinho do Sistema Solar reproduz: o planeta demora cerca de 243 dias terrestres para completar uma volta sobre o pr\u00f3prio eixo. Mas conclui sua \u00f3rbita ao redor do Sol em apenas 225 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na pr\u00e1tica, isso quer dizer que um \u00fanico giro do planeta sobre si mesmo \u00e9 mais demorado do que o pr\u00f3prio ano venusiano. A causa principal \u00e9 a velocidade quase parada com que o planeta gira, somada a um detalhe ainda mais incomum: o sentido do movimento \u00e9 invertido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 maioria dos planetas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse giro ao contr\u00e1rio tem nome t\u00e9cnico \u2014 rota\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada \u2014 e muda completamente a l\u00f3gica do dia e da noite por l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"bob-video\" style=\"margin:18px 0\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-k-QJgPZneY\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um Sol que nasce do lado errado<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem estivesse na superf\u00edcie veria o Sol surgir no oeste e desaparecer no leste, movimento oposto ao que qualquer pessoa na Terra est\u00e1 acostumada a enxergar. Essa invers\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 um detalhe visual: ela reorganiza inteiramente a forma como o tempo se desenrola no planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Urano \u00e9 o \u00fanico outro planeta do Sistema Solar que tamb\u00e9m apresenta esse tipo de rota\u00e7\u00e3o invertida, o que torna V\u00eanus e Urano uma dupla rara nesse quesito. Nos dois casos, o giro contr\u00e1rio gera efeitos pouco intuitivos sobre a contagem dos dias e das esta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"bob-video\" style=\"margin:18px 0\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SgYf-p_aVpQ\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tr\u00eas rel\u00f3gios diferentes para o mesmo planeta<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para medir o tempo em outros mundos, astr\u00f4nomos recorrem ao conceito de dia sideral: o per\u00edodo que um corpo celeste leva para girar uma vez completa em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s estrelas distantes. Em V\u00eanus, esse valor soma os j\u00e1 mencionados 243 dias terrestres, enquanto a \u00f3rbita solar fecha o ciclo em 225 dias.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 ainda uma terceira forma de contar o tempo, mais pr\u00f3xima do que um habitante perceberia olhando para o c\u00e9u: o intervalo entre dois nasceres do Sol.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse per\u00edodo, batizado de dia solar, resulta da combina\u00e7\u00e3o entre o giro lento e retr\u00f3grado do planeta com seu deslocamento ao redor da estrela. E totaliza aproximadamente 117 dias terrestres \u2014 um amanhecer dura cerca de 58,5 dias, seguido por outros 58,5 dias de escurid\u00e3o completa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A atmosfera que segura essa rota\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cientistas do IAG-USP sugerem que a rota\u00e7\u00e3o retr\u00f3grada de V\u00eanus pode ser resultado da combina\u00e7\u00e3o entre mar\u00e9s gravitacionais e efeitos t\u00e9rmicos na atmosfera do planeta, sem depender de colis\u00f5es externas para existir. Segundo esse racioc\u00ednio, a camada atmosf\u00e9rica densa que envolve V\u00eanus seria essencial para sustentar esse comportamento ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem essa atmosfera, o planeta tenderia a voltar \u00e0 rota\u00e7\u00e3o direta \u2014 a mesma dire\u00e7\u00e3o da maioria dos corpos do Sistema Solar \u2014 em um intervalo inferior a um milh\u00e3o de anos. Esse detalhe refor\u00e7a que o giro ao contr\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 apenas heran\u00e7a do passado distante, mas tamb\u00e9m depende de condi\u00e7\u00f5es atuais para se manter.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mar\u00e9s atmosf\u00e9ricas entram na equa\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma possibilidade investigada recorre \u00e0s mar\u00e9s atmosf\u00e9ricas, movimentos de ar provocados pelo aquecimento desigual da luz solar sobre diferentes regi\u00f5es do planeta. Um estudo publicado na revista Nature em 1978 defendeu que essas mar\u00e9s s\u00e3o capazes de gerar torque, for\u00e7a que consegue alterar velocidade e sentido de rota\u00e7\u00e3o de um planeta inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse efeito poderia neutralizar as mar\u00e9s gravitacionais causadas pela atra\u00e7\u00e3o do Sol, o que ajudaria a justificar a lentid\u00e3o observada hoje. Estudos publicados no peri\u00f3dico Icarus aprofundaram justamente essa rela\u00e7\u00e3o entre mar\u00e9s atmosf\u00e9ricas e gravitacionais, mostrando como os dois fen\u00f4menos podem ter atuado em conjunto durante bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Grandes impactos tamb\u00e9m s\u00e3o cogitados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra linha de pesquisa aposta em colis\u00f5es violentas ocorridas durante a forma\u00e7\u00e3o do planeta, \u00e9poca em que corpos rochosos do Sistema Solar enfrentavam choques frequentes com objetos de grande porte. Um desses impactos teria capacidade de alterar de forma brusca a velocidade ou o sentido da rota\u00e7\u00e3o original de V\u00eanus.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa hip\u00f3tese, por\u00e9m, segue sem comprova\u00e7\u00e3o definitiva como causa isolada do fen\u00f4meno. O cen\u00e1rio mais aceito combina diferentes for\u00e7as atuando simultaneamente: atmosfera, gravidade solar e, possivelmente, impactos antigos moldaram juntos o giro invertido que caracteriza V\u00eanus at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas apontam que a densa atmosfera venusiana \u00e9 essencial para manter essa rota\u00e7\u00e3o invertida ao longo do tempo.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":38738,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-38739","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38739","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38739"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38739\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38937,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38739\/revisions\/38937"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38738"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38739"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38739"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38739"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}