{"id":38731,"date":"2026-10-10T16:04:00","date_gmt":"2026-10-10T19:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=38731"},"modified":"2026-10-10T16:04:00","modified_gmt":"2026-10-10T19:04:00","slug":"a-erupcao-do-tambora-em-1815-lancou-cinzas-pelo-mundo-e-mudou-o-clima-veja-como-o-vulcao-provocou-o-ano-sem-verao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/a-erupcao-do-tambora-em-1815-lancou-cinzas-pelo-mundo-e-mudou-o-clima-veja-como-o-vulcao-provocou-o-ano-sem-verao\/","title":{"rendered":"A erup\u00e7\u00e3o do Tambora, em 1815, lan\u00e7ou cinzas pelo mundo e mudou o clima: veja como o vulc\u00e3o provocou o \u201cano sem ver\u00e3o\u201d"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A erup\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o submarino Hunga Tonga-Hunga Ha&#8217;apai, ocorrida em 15 de janeiro de 2022 nas proximidades da ilha de Tonga, no Pac\u00edfico, lan\u00e7ou \u00e0 atmosfera um volume de \u00e1gua como os sat\u00e9lites nunca haviam registrado. A explos\u00e3o, por\u00e9m, \u00e9 apenas o cap\u00edtulo mais recente de uma hist\u00f3ria que remonta a s\u00e9culos \u2014 e tem em o monte Tambora seu exemplo mais dram\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diferente das erup\u00e7\u00f5es t\u00edpicas que resfriam o planeta com cinzas bloqueando o Sol, esses eventos extremos deixam marcas clim\u00e1ticas que perpassam gera\u00e7\u00f5es. O Tambora oferece a li\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica para entender como vulc\u00f5es podem alterar o clima global de forma duradoura e inesperada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"bob-video\" style=\"margin:18px 0\"><iframe src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/QFGg1AAxcEo\" width=\"560\" height=\"315\" frameborder=\"0\" loading=\"lazy\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/div>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><br><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um epis\u00f3dio que mudou o clima por um ano inteiro<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Indon\u00e9sia, em 1815, a erup\u00e7\u00e3o do monte Tambora foi t\u00e3o violenta que a montanha desabou sobre si mesma, reduzindo sua altitude em mais de mil metros e formando uma cratera de seis quil\u00f4metros de profundidade. A viol\u00eancia liberou aproximadamente 60 quil\u00f4metros c\u00fabicos de gases, poeira e rochas para a atmosfera \u2014 escala monumental que poucos vulc\u00f5es atingem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O custo humano foi imediato e devastador: cerca de dez mil pessoas morreram na erup\u00e7\u00e3o direta. Mas a verdadeira trag\u00e9dia se desenrolaria nos anos seguintes, quando as consequ\u00eancias atmosf\u00e9ricas se espalharam pelo planeta inteiro, afetando colheitas e temperaturas em continentes distantes.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como as cinzas vulc\u00e2nicas modificaram o clima<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Tambora funcionou como um bloqueador solar natural. O material expelido se espalhou pela atmosfera e passou a barrar boa parte da luz solar, fazendo com que menos calor alcan\u00e7asse o solo. Esse fen\u00f4meno recebeu o nome de &#8220;inverno vulc\u00e2nico&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ano de 1816 ficou conhecido como o &#8220;ano sem ver\u00e3o&#8221; justamente porque temperaturas globais ca\u00edram o suficiente para provocar geadas at\u00e9 em meses quentes, safras fracassadas e fome em v\u00e1rias regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O efeito n\u00e3o foi imediato \u2014 levou alguns meses para as part\u00edculas se espalharem pela estratosfera e impactar o clima em escala planet\u00e1ria, mas permaneceu detect\u00e1vel durante v\u00e1rios anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Do Tambora ao Hunga Tonga-Hunga ha&#8217;apai<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de dois s\u00e9culos depois, quando o vulc\u00e3o submarino explodir em 2022, os cientistas da Nasa registraram um fen\u00f4meno oposto. Em vez de cinzas que resfriam, houve quantidade recorde de vapor d&#8217;\u00e1gua na estratosfera \u2014 entre 12 e 53 quil\u00f4metros acima da superf\u00edcie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo publicado na Geophysical Research Letters apontou 146 milh\u00f5es de toneladas de \u00e1gua lan\u00e7adas naquela camada atmosf\u00e9rica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa quantidade equivalia a encher 58 mil piscinas ol\u00edmpicas \u2014 correspondendo a 10% de toda a \u00e1gua j\u00e1 presente naquela altitude. Luis Mill\u00e1n, autor do estudo do Laborat\u00f3rio de Propuls\u00e3o a Jato da Nasa, informou em comunicado que equipes precisaram inspecionar cuidadosamente as medidas para garantir sua confiabilidade porque nunca tinham observado registros assim antes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O vapor funciona como manta t\u00e9rmica, capturando o calor do Sol e retendo-o, o que produz aquecimento em vez de esfriamento. Esse excesso de umidade tende a ficar na estratosfera durante anos, e nesse per\u00edodo pode reagir quimicamente de maneira a desgastar a camada de oz\u00f4nio \u2014 um efeito, no entanto, passageiro, que some \u00e0 medida que o vapor em excesso vai se dissipando.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consequ\u00eancias que variam segundo o tipo de erup\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois eventos vulc\u00e2nicos, duas respostas clim\u00e1ticas completamente diferentes, e o Tambora trouxe resfriamento global e crises agr\u00edcolas. O Hunga Tonga-Hunga Ha&#8217;apai, por sua vez, contribuiu para aquecimento, embora de escala menor e dura\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria. A diferen\u00e7a estava na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que cada vulc\u00e3o lan\u00e7ou e na altitude em que os materiais se dispersaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Enquanto o aquecimento do vapor d&#8217;\u00e1gua pode debilitar a camada de oz\u00f4nio atrav\u00e9s de rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, o efeito dissipa-se na medida em que o excedente de \u00e1gua se reduz naturalmente. Isoladamente, nenhuma das duas erup\u00e7\u00f5es tem for\u00e7a para agravar o aquecimento global provocado pela a\u00e7\u00e3o humana \u2014 mas ambas mostram como fen\u00f4menos naturais j\u00e1 influenciaram o clima no passado e ainda ajudam a entender a atmosfera hoje.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vulc\u00f5es naturais j\u00e1 influenciaram o clima no passado e ainda ajudam a entender como fen\u00f4menos extremos podem afetar o planeta de formas inesperadas.<\/p>\n","protected":false},"author":24,"featured_media":38730,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-38731","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38731","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/24"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38731"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38731\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38963,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38731\/revisions\/38963"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38730"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38731"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38731"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38731"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}