{"id":38435,"date":"2026-10-02T03:25:00","date_gmt":"2026-10-02T06:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=38435"},"modified":"2026-10-02T03:25:00","modified_gmt":"2026-10-02T06:25:00","slug":"especialistas-em-comportamento-explicam-por-que-gesticulamos-mesmo-quando-falamos-ao-telefone","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/especialistas-em-comportamento-explicam-por-que-gesticulamos-mesmo-quando-falamos-ao-telefone\/","title":{"rendered":"Especialistas em comportamento explicam por que gesticulamos mesmo quando falamos ao telefone"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pessoa descreve um trajeto e as m\u00e3os desenham o percurso no ar, como se tra\u00e7assem um mapa invis\u00edvel. Outra conversa ao telefone sozinha em um c\u00f4modo e ainda assim move os bra\u00e7os para uma parede vazia. Esse comportamento costuma ser lido como tra\u00e7o de personalidade ou heran\u00e7a cultural de quem gosta de se expressar com intensidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A psicologia do comportamento sugere outra explica\u00e7\u00e3o: as m\u00e3os participam ativamente do processo de pensar, n\u00e3o apenas de comunicar algo j\u00e1 pronto.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O experimento que revelou a fun\u00e7\u00e3o do gesto<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2001, um grupo da Universidade de Chicago liderado pela psic\u00f3loga Susan Goldin-Meadow conduziu um estudo publicado na Psychological Science que combinava duas tarefas. Os volunt\u00e1rios precisavam resolver um problema de matem\u00e1tica em voz alta e, ao mesmo tempo, guardar na mem\u00f3ria uma sequ\u00eancia de letras ou palavras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a de desempenho apareceu justamente na lista memorizada. Ao explicar o racioc\u00ednio gesticulando, os volunt\u00e1rios deixaram mais espa\u00e7o mental livre para reter os itens do que quando explicavam com as m\u00e3os paradas. O resultado indica que o gesto aliviava o esfor\u00e7o cognitivo da fala.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">S\u00f3 funciona quando o gesto tem sentido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em outra etapa, a pesquisa testou movimentos aleat\u00f3rios, sem liga\u00e7\u00e3o com o conte\u00fado da fala, e nesses casos, a vantagem na mem\u00f3ria desaparecia. O benef\u00edcio s\u00f3 se mantinha quando o movimento das m\u00e3os acompanhava o racioc\u00ednio sendo verbalizado naquele instante. Mexer as m\u00e3os \u00e0 toa n\u00e3o ajuda em nada, \u00e9 a sincronia entre gesto e pensamento que faz a diferen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A prova que veio de quem nunca viu ningu\u00e9m gesticular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Restava uma d\u00favida importante: ser\u00e1 que o gesto existe apenas para facilitar o entendimento de quem escuta? Em 1998, um artigo na Nature, assinado por Jana Iverson e Susan Goldin-Meadow, respondeu a essa quest\u00e3o de um jeito inesperado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pessoas cegas de nascen\u00e7a, que jamais presenciaram algu\u00e9m gesticulando, movimentam as m\u00e3os normalmente enquanto falam. O movimento persiste at\u00e9 quando o interlocutor tamb\u00e9m \u00e9 cego e n\u00e3o pode ver os gestos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem plateia para impressionar e sem modelo visual para copiar, o gesto surge mesmo assim. Essa descoberta refor\u00e7a que mexer as m\u00e3os \u00e9 parte da constru\u00e7\u00e3o da fala, n\u00e3o um complemento dirigido a quem observa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Consequ\u00eancias para quem fala em p\u00fablico<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse achado questiona uma pr\u00e1tica comum de treinamento de orat\u00f3ria: pedir que o palestrante mantenha as m\u00e3os quietas para parecer mais controlado. Se o gesto ajuda a organizar o racioc\u00ednio, essa conten\u00e7\u00e3o pode cobrar um pre\u00e7o justamente na hora de maior press\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na sala de aula, a mesma l\u00f3gica aparece em pesquisas sobre aprendizagem. Crian\u00e7as orientadas a fazer gestos espec\u00edficos durante uma explica\u00e7\u00e3o de matem\u00e1tica absorveram o conte\u00fado melhor do que as que foram instru\u00eddas a ficar com as m\u00e3os paradas. Parte do que elas aprendiam aparecia primeiro nas m\u00e3os e s\u00f3 depois na fala.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Gesticular muito n\u00e3o significa pensar melhor<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale uma ressalva: quem gesticula bastante n\u00e3o tem vantagem autom\u00e1tica sobre quem gesticula pouco. As compara\u00e7\u00f5es acompanham a mesma pessoa falando com e sem gesto, n\u00e3o pessoas diferentes entre si. Cultura, contexto e personalidade influenciam quanto algu\u00e9m mexe as m\u00e3os ao falar, e essa varia\u00e7\u00e3o n\u00e3o mede capacidade de racioc\u00ednio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gesticular tamb\u00e9m n\u00e3o substitui o dom\u00ednio do assunto. O efeito \u00e9 aliviar a carga mental durante a explica\u00e7\u00e3o, n\u00e3o melhorar o conte\u00fado explicado. Pedir que algu\u00e9m mantenha as m\u00e3os quietas durante uma apresenta\u00e7\u00e3o pode atrapalhar justamente o racioc\u00ednio que sustenta a fala. A pessoa pode parecer mais contida, mas ter\u00e1 menos recursos dispon\u00edveis para pensar no que est\u00e1 dizendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudos mostram que reprimir gestos durante apresenta\u00e7\u00f5es pode prejudicar o racioc\u00ednio, apesar de parecer mais controlado.<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":38434,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-38435","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38435","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=38435"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38435\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38466,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/38435\/revisions\/38466"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/38434"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=38435"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=38435"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=38435"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}