{"id":37704,"date":"2026-09-22T09:25:49","date_gmt":"2026-09-22T12:25:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/em-1984-a-nasa-mandou-125-milhoes-de-sementes-de-tomate-ao-espaco-e-quase-6-anos-depois-entregou-parte-delas-a-33-milhoes-de-estudantes\/"},"modified":"2026-09-22T09:25:49","modified_gmt":"2026-09-22T12:25:49","slug":"em-1984-a-nasa-mandou-125-milhoes-de-sementes-de-tomate-ao-espaco-e-quase-6-anos-depois-entregou-parte-delas-a-33-milhoes-de-estudantes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/em-1984-a-nasa-mandou-125-milhoes-de-sementes-de-tomate-ao-espaco-e-quase-6-anos-depois-entregou-parte-delas-a-33-milhoes-de-estudantes\/","title":{"rendered":"Em 1984, a NASA mandou 12,5 milh\u00f5es de sementes de tomate ao espa\u00e7o e, quase 6 anos depois, entregou parte delas a 3,3 milh\u00f5es de estudantes"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um plano de 1984 elaborado pela NASA, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos, fez com que 12,5 milh\u00f5es de sementes de tomate deixassem a Terra a bordo de uma plataforma orbital com previs\u00e3o de retorno em cerca de um ano. No entanto, ap\u00f3s alguns atrasos e a paralisa\u00e7\u00e3o dos voos por conta do desastre do Challenger em 1986, o material foi mantido em \u00f3rbita por quase seis anos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando finalmente voltaram, em janeiro de 1990, parte daquelas sementes chegou \u00e0s m\u00e3os de estudantes espalhados por escolas de v\u00e1rios pa\u00edses. A miss\u00e3o tinha um objetivo claro e simples: descobrir se as sementes que passaram anos no v\u00e1cuo ainda germinariam e produziriam plantas iguais \u00e0s que nunca sa\u00edram do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O projeto uniu explora\u00e7\u00e3o espacial, germina\u00e7\u00e3o de plantas e ensino de ci\u00eancias em uma atividade pr\u00e1tica que envolveu milh\u00f5es de alunos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a NASA levou as sementes ao espa\u00e7o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As sementes integravam o SEEDS \u2014 Space Exposed Experiment Developed for Students \u2014, um projeto desenvolvido em parceria com a empresa Park Seed. Todas pertenciam \u00e0 variedade Rutgers California Supreme e foram acondicionadas em recipientes selados dentro da Long Duration Exposure Facility, uma plataforma orbital chamada LDEF.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao contr\u00e1rio de experimentos feitos em \u00f3rbita, essas sementes n\u00e3o foram plantadas no espa\u00e7o: ficaram apenas armazenadas durante toda a viagem. O \u00f4nibus espacial Challenger transportou a plataforma no dia 6 de abril de 1984, e ela entrou em \u00f3rbita no dia seguinte. O retorno estava marcado para cerca de um ano, mas o cronograma se estendeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atrasos sucessivos no programa espacial e a suspens\u00e3o de voos depois do acidente do Challenger em 1986 fizeram a LDEF orbitar a Terra por muito mais tempo que o previsto. Apenas em 12 de janeiro de 1990 a plataforma foi recuperada durante a miss\u00e3o STS-32, e o \u00f4nibus Columbia pousou com os experimentos em 20 de janeiro daquele ano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sementes viajantes chegam \u00e0s salas de aula<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com o material de volta, come\u00e7ou a segunda etapa do projeto. Aproximadamente 3,3 milh\u00f5es de alunos participaram do experimento por meio de mais de 132 mil kits distribu\u00eddos a 64 mil professores de cerca de 40 mil escolas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O alcance passou dos 50 estados americanos e do Distrito de Columbia, chegando a outros 30 pa\u00edses e a diferentes n\u00edveis de ensino. Cada kit trazia sementes que haviam feito a jornada espacial ao lado de amostras que permaneceram na Terra, al\u00e9m de instru\u00e7\u00f5es para o plantio e formul\u00e1rios para anotar os resultados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem todo aluno gerou um registro individual: muitas turmas produziram um \u00fanico relat\u00f3rio coletivo. Mesmo assim, a ag\u00eancia recebeu quase 8 mil relat\u00f3rios, e esse n\u00famero reflete os documentos devolvidos ao projeto, n\u00e3o o total de estudantes que participaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ponto central era a compara\u00e7\u00e3o: colocar lado a lado as plantas nascidas de sementes que orbitaram o planeta e as que nunca deixaram a Terra. Esse segundo grupo funcionava como controle, permitindo identificar se qualquer caracter\u00edstica das plantas espaciais tamb\u00e9m aparecia nas demais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que os estudantes observavam nos tomateiros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada turma acompanhava o crescimento das mudas e anotava quantas sementes germinavam, quanto tempo levava at\u00e9 surgirem os primeiros brotos e como as plantas cresciam ao longo das semanas. O aparecimento de flores e a forma\u00e7\u00e3o dos frutos completavam o roteiro de observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os estudantes tamb\u00e9m anotavam caracter\u00edsticas dos tomates produzidos, das folhas e dos caules, o que permitia compara\u00e7\u00f5es mais detalhadas entre os dois grupos. Os resultados mostraram uma tend\u00eancia de germina\u00e7\u00e3o ligeiramente mais r\u00e1pida e crescimento inicial acelerado nas sementes que viajaram ao espa\u00e7o durante as primeiras tr\u00eas ou quatro semanas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Depois, as plantas cultivadas na Terra alcan\u00e7aram as demais, e na s\u00edntese geral, n\u00e3o foram identificadas diferen\u00e7as significativas entre os dois grupos nem entre seus frutos. O experimento funcionou como uma aula pr\u00e1tica que uniu uma viagem espacial imprevis\u00edvel a um projeto de sala de aula distribu\u00eddo por dezenas de milhares de escolas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O projeto se expandiu para al\u00e9m da Am\u00e9rica do Norte<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O sucesso do SEEDS motivou replica\u00e7\u00f5es posteriores fora dos Estados Unidos. Escolas p\u00fablicas brasileiras receberam sementes que passaram quatro semanas na Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional, diferentemente do experimento original, que durou anos em \u00f3rbita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa varia\u00e7\u00e3o manteve o mesmo princ\u00edpio: comparar o desenvolvimento de plantas cultivadas a partir de sementes que viajaram no espa\u00e7o com o de plantas cujas sementes nunca sa\u00edram do planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A experi\u00eancia brasileira levou o projeto a contextos educacionais distintos e ampliou o uso da explora\u00e7\u00e3o espacial como ferramenta de ensino em sala de aula. Milh\u00f5es de estudantes em diferentes pa\u00edses puderam participar de um experimento que come\u00e7ou em 1984 e continuou gerando aprendizado d\u00e9cadas depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um plano de 1984 elaborado pela NASA, a ag\u00eancia espacial dos Estados Unidos, fez com que 12,5 milh\u00f5es de sementes de tomate deixassem a Terra a bordo de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37704","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37704","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37704"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37704\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}