{"id":37674,"date":"2026-09-26T21:44:00","date_gmt":"2026-09-27T00:44:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37674"},"modified":"2026-09-26T21:44:00","modified_gmt":"2026-09-27T00:44:00","slug":"ao-voltar-do-trabalho-dona-de-casa-encontra-pedreiros-retirando-as-telhas-de-sua-cobertura-para-ajudar-vizinho-em-uma-obra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/ao-voltar-do-trabalho-dona-de-casa-encontra-pedreiros-retirando-as-telhas-de-sua-cobertura-para-ajudar-vizinho-em-uma-obra\/","title":{"rendered":"Ao voltar do trabalho, dona de casa encontra pedreiros retirando as telhas de sua cobertura para ajudar vizinho em uma obra"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">M\u00e1rcia voltou do trabalho e deu de cara com dois oper\u00e1rios em cima do seu telhado, retirando telhas numa tentativa de chegar at\u00e9 uma parede da obra que o vizinho estava fazendo. O vizinho, identificado como Roberto, disse que n\u00e3o havia outra forma de concluir o servi\u00e7o al\u00e9m de acessar a parede pela cobertura dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, ningu\u00e9m avisou a moradora antes de os trabalhadores entrarem em sua propriedade. Epis\u00f3dios assim se repetem sempre que uma reforma exige atravessar o terreno ou a cobertura de quem mora ao lado, e trazem \u00e0 tona quest\u00f5es sobre at\u00e9 onde a lei permite essa entrada, se \u00e9 preciso avisar antes e quem responde por preju\u00edzos causados no processo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quando a lei permite essa entrada for\u00e7ada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pelo artigo 1.313 do C\u00f3digo Civil, h\u00e1 circunst\u00e2ncias em que o morador n\u00e3o pode se opor ao uso tempor\u00e1rio de sua propriedade pelo vizinho. Isso se aplica nos casos em que n\u00e3o h\u00e1 outro jeito de reparar, construir, reconstruir ou limpar a parede ou o muro que divide os dois lotes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A autoriza\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, tem limites claros e n\u00e3o permite qualquer interven\u00e7\u00e3o. Quem pretende usar a propriedade ao lado precisa comprovar que aquele era realmente o \u00fanico caminho dispon\u00edvel, restringindo a a\u00e7\u00e3o apenas ao estritamente necess\u00e1rio para concluir o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O aviso que deveria ter existido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mesma norma que garante o acesso tamb\u00e9m imp\u00f5e a obriga\u00e7\u00e3o de comunicar o vizinho com anteced\u00eancia. A entrada dos trabalhadores na propriedade, sem contato anterior, contraria essa exig\u00eancia legal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Se M\u00e1rcia estivesse em casa durante a obra, poderia acompanhar a entrada da equipe e registrar as condi\u00e7\u00f5es do telhado antes da interven\u00e7\u00e3o. Esse tipo de combina\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, envolvendo data, hor\u00e1rio e forma de acesso \u00e0 cobertura, al\u00e9m das medidas necess\u00e1rias para proteger a estrutura, costuma evitar boa parte dos desentendimentos que surgem depois, quando j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil provar o estado original do local.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Retirar telhas era mesmo necess\u00e1rio?<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A validade da a\u00e7\u00e3o de Roberto depende de dois pontos: a real necessidade do acesso e a forma como os oper\u00e1rios conduziram o trabalho. Ter permiss\u00e3o para entrar n\u00e3o d\u00e1 liberdade para tratar a cobertura vizinha como parte do pr\u00f3prio canteiro de obras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Existia alternativa t\u00e9cnica para alcan\u00e7ar aquela parede sem remover as telhas, mesmo que mais trabalhosa? Essa pergunta importa porque a facilidade de acesso pelo telhado, isoladamente, n\u00e3o comprova que aquele era o \u00fanico caminho poss\u00edvel dentro do que a lei exige.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Quem paga se surgir goteira depois<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O par\u00e1grafo terceiro do mesmo artigo garante ressarcimento a quem sofrer preju\u00edzo decorrente desse tipo de acesso tempor\u00e1rio. Telhas quebradas, infiltra\u00e7\u00f5es e danos ao forro entram nessa conta, desde que fique demonstrada a liga\u00e7\u00e3o entre o servi\u00e7o realizado e o estrago encontrado depois.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Fotos de antes e depois da obra. Al\u00e9m de um laudo t\u00e9cnico sobre as condi\u00e7\u00f5es do telhado, ajudam a separar um problema que j\u00e1 existia de um dano causado pela equipe durante a retirada e a recoloca\u00e7\u00e3o das pe\u00e7as. Sem esse tipo de registro, a discuss\u00e3o sobre quem deve pagar pelo conserto tende a se arrastar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como reunir provas em casos parecidos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quatro pontos ajudam a reconstruir o que aconteceu: registros que comprovem se houve comunica\u00e7\u00e3o pr\u00e9via \u00e0 entrada, e imagens que documentem como o telhado estava antes e como ficou depois do servi\u00e7o. A justificativa t\u00e9cnica para usar aquela cobertura como acesso deve estar registrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Telhas quebradas, deslocadas ou outros danos deixados pela equipe refor\u00e7am o pedido de ressarcimento previsto na legisla\u00e7\u00e3o. Situa\u00e7\u00f5es como essa mostram que o direito de passagem entre vizinhos existe, mas vem cercado de exig\u00eancias que muitas vezes s\u00e3o ignoradas na pr\u00e1tica. Documentar cada etapa, do primeiro barulho no telhado at\u00e9 a entrega final do servi\u00e7o, \u00e9 o que separa um acordo amig\u00e1vel de uma disputa judicial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00e1rcia voltou do trabalho e deu de cara com dois oper\u00e1rios em cima do seu telhado, retirando telhas numa tentativa de chegar at\u00e9 uma parede da obra que o\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37673,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37674","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37674","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37674"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37674\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38083,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37674\/revisions\/38083"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37673"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37674"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37674"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37674"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}