{"id":37617,"date":"2026-09-26T07:19:00","date_gmt":"2026-09-26T10:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37617"},"modified":"2026-09-26T07:19:00","modified_gmt":"2026-09-26T10:19:00","slug":"funcionario-umbandista-e-obrigado-a-acompanhar-cultos-evangelicos-no-trabalho-e-ganha-indenizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/funcionario-umbandista-e-obrigado-a-acompanhar-cultos-evangelicos-no-trabalho-e-ganha-indenizacao\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rio umbandista \u00e9 obrigado a acompanhar cultos evang\u00e9licos no trabalho e ganha indeniza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um empregado umbandista ir\u00e1 receber R$ 5 mil de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais de uma empresa que promovia cultos evang\u00e9licos no local de trabalho, decidiu a 5\u00aa turma do TRT da 1\u00aa regi\u00e3o. Para os julgadores, mesmo divulgada como facultativa, a repeti\u00e7\u00e3o desses encontros religiosos criava uma press\u00e3o sobre os funcion\u00e1rios, dada a rela\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o t\u00edpica do emprego.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um pastor comandava as celebra\u00e7\u00f5es logo no in\u00edcio do expediente, em encontros que se estendiam por 30 a 40 minutos. O trabalhador relatou que, embora a ades\u00e3o n\u00e3o fosse formalmente exigida, praticamente todos compareciam. O caso aconteceu no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O relato sobre a dispensa e os cultos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o funcion\u00e1rio, o desligamento aconteceu por mensagem de WhatsApp enviada quando ele j\u00e1 estava dentro do \u00f4nibus. De acordo com o relato, o supervisor comunicou o fim do contrato e orientou que ele comparecesse apenas alguns dias depois para formalizar a rescis\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pedido de repara\u00e7\u00e3o havia sido negado na primeira inst\u00e2ncia pelo juiz do Trabalho, Pedro Figueiredo Waib, titular da 25\u00aa vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Para o magistrado, faltavam provas de constrangimento ou de restri\u00e7\u00e3o a direitos, j\u00e1 que o pr\u00f3prio empregado havia admitido n\u00e3o haver obrigatoriedade na participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A virada no julgamento do recurso<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao analisar o recurso, o desembargador do Trabalho Enoque Ribeiro dos Santos, relator do caso, revisitou os depoimentos das partes. O representante da empresa confirmou que havia celebra\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica no hor\u00e1rio de almo\u00e7o, tamb\u00e9m com 30 a 40 minutos, deixando a presen\u00e7a livre para quem quisesse ficar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o do relator, a repeti\u00e7\u00e3o dessas celebra\u00e7\u00f5es no local e no hor\u00e1rio de trabalho ultrapassava o que a dire\u00e7\u00e3o da empresa poderia impor \u00e0 rotina dos funcion\u00e1rios. Para o relator, promover celebra\u00e7\u00f5es religiosas com frequ\u00eancia no local e no hor\u00e1rio de trabalho fere a liberdade de consci\u00eancia e de cren\u00e7a assegurada pela Constitui\u00e7\u00e3o, mesmo quando a empresa apresenta a participa\u00e7\u00e3o como facultativa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na rela\u00e7\u00e3o de emprego marcada pela subordina\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, reuni\u00f5es religiosas desse tipo geram coa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica sobre os empregados.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Direito de n\u00e3o ser exposto a outra f\u00e9<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O desembargador tamb\u00e9m apontou que a liberdade religiosa protege quem prefere n\u00e3o participar de rituais de outra cren\u00e7a nem conviver com eles. Segundo o entendimento adotado, ficar calado durante o culto ou simplesmente permanecer no ambiente onde ele ocorre j\u00e1 representa uma forma de viola\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o professa aquela religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A decis\u00e3o refor\u00e7a que cabe \u00e0 empresa manter um espa\u00e7o de trabalho plural, sem estimular nem dar vantagem a uma f\u00e9 espec\u00edfica. Pesaram ainda no julgamento os relatos de coment\u00e1rios pejorativos sobre a religi\u00e3o do empregado e a falta de justificativa t\u00e9cnica para o fim do contrato.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Diante desses elementos, os julgadores consideraram configurada a viola\u00e7\u00e3o aos direitos do trabalhador. A indeniza\u00e7\u00e3o foi fixada em R$ 5 mil, considerando a remunera\u00e7\u00e3o dele e a gravidade da conduta da empresa. O recurso foi parcialmente provido por unanimidade no processo 0101370-21.2025.5.01.0025.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um empregado umbandista ir\u00e1 receber R$ 5 mil de indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais de uma empresa que promovia cultos evang\u00e9licos no local de trabalho, decidiu\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37616,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37617","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37617","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37617"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37617\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":38062,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37617\/revisions\/38062"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37617"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37617"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37617"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}