{"id":37392,"date":"2026-09-18T00:18:00","date_gmt":"2026-09-18T03:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37392"},"modified":"2026-09-18T00:18:00","modified_gmt":"2026-09-18T03:18:00","slug":"por-decadas-cientistas-tentaram-identificar-pe-humano-de-34-milhoes-de-anos-ate-uma-mandibula-encontrada-perto-solucionar-o-misterio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/por-decadas-cientistas-tentaram-identificar-pe-humano-de-34-milhoes-de-anos-ate-uma-mandibula-encontrada-perto-solucionar-o-misterio\/","title":{"rendered":"Por d\u00e9cadas, cientistas tentaram identificar p\u00e9 humano de 3,4 milh\u00f5es de anos, at\u00e9 uma mand\u00edbula encontrada perto solucionar o mist\u00e9rio"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um p\u00e9 fossilizado descoberto na Eti\u00f3pia h\u00e1 mais de dez anos acaba de ter sua esp\u00e9cie identificada. De acordo com um estudo publicado em 25 de novembro na revista Nature, o f\u00f3ssil conhecido como &#8220;p\u00e9 de Burtele&#8221; era do Australopithecus deyiremeda, homin\u00edneo que teria existido cerca de 3,4 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Retirado do solo em 2009, na regi\u00e3o de Afar, o f\u00f3ssil s\u00f3 recebeu uma classifica\u00e7\u00e3o em 2025, j\u00e1 que sua anatomia intrigante dificultava a identifica\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Ele reunia um andar ereto sobre as duas pernas, tra\u00e7o mais moderno, e ao mesmo tempo um ded\u00e3o do p\u00e9 capaz de se opor aos demais, caracter\u00edstica primitiva ligada \u00e0 escalada em \u00e1rvores \u2014 combina\u00e7\u00e3o que confundiu os pesquisadores por anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A dupla identidade do antigo caminhar<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O A. deyiremeda apresentava dentes caninos reduzidos, semelhantes aos de Australopithecus afarensis, a esp\u00e9cie de Lucy, mas mantinha um h\u00e1lux opositor \u2014 aquele ded\u00e3o capaz de se agarrar em galhos. Isso significava que o homin\u00edneo pisava firme no ch\u00e3o enquanto preservava habilidades arb\u00f3reas que seus parentes mais famosos j\u00e1 haviam deixado para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A forma como esse ancestral se movia era distinta da de Lucy. Embora Lucy fosse totalmente b\u00edpede, o A. deyiremeda caminhava ereto no solo, mas mantinha a capacidade de agarrar galhos com o ded\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O diretor do Instituto de Origens Humanas da Universidade Estadual do Arizona e paleoantrop\u00f3logo Yohannes Haile-Selassie afirmou que, apesar de o bipedalismo ter sido decisivo para a trajet\u00f3ria evolutiva humana, ele se manifestou de formas distintas entre os homin\u00edneos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Respostas enterradas no mesmo s\u00edtio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A solu\u00e7\u00e3o do mist\u00e9rio veio quando a equipe retornou ao s\u00edtio arqueol\u00f3gico de Woranso-Mille. Ali, encontrou 13 fragmentos adicionais de dentes e mand\u00edbulas na mesma camada geol\u00f3gica e espa\u00e7o f\u00edsico do p\u00e9 enigm\u00e1tico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com base nessa coincid\u00eancia, os autores do estudo se sentiram seguros para atribuir o f\u00f3ssil ao A. deyiremeda. Ainda assim, o consenso permanece incompleto. Parte da comunidade cient\u00edfica questiona a classifica\u00e7\u00e3o, enquanto outros especialistas veem nessa confirma\u00e7\u00e3o uma oportunidade para compreender como esp\u00e9cies distintas de homin\u00edneos ocuparam a mesma paisagem, possivelmente disputando os mesmos recursos naturais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma evolu\u00e7\u00e3o com m\u00faltiplos caminhos<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O epis\u00f3dio refor\u00e7a uma li\u00e7\u00e3o importante: a transi\u00e7\u00e3o para o bipedalismo pleno n\u00e3o seguiu um \u00fanico roteiro. Quando Lucy foi descoberta em 1975, sua anatomia pareceu indicar que os ancestrais humanos haviam deixado completamente a vida nas \u00e1rvores \u2014 uma ideia que o p\u00e9 de Burtele agora questiona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A descoberta reacende o debate sobre os primeiros cap\u00edtulos da evolu\u00e7\u00e3o humana. Mostra que, enquanto certos ancestrais desciam das \u00e1rvores de forma definitiva, outros homin\u00edneos, como o dono deste p\u00e9, ainda recorriam \u00e0 vida arbor\u00edcola para sobreviver. Eles mantinham uma dupla compet\u00eancia que os tornava \u00fanicos em seu tempo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um p\u00e9 fossilizado descoberto na Eti\u00f3pia h\u00e1 mais de dez anos acaba de ter sua esp\u00e9cie identificada. 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