{"id":37353,"date":"2026-09-17T13:16:00","date_gmt":"2026-09-17T16:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37353"},"modified":"2026-09-17T13:16:00","modified_gmt":"2026-09-17T16:16:00","slug":"conhecida-como-a-cidade-das-cavernas-regiao-abriga-igrejas-subterraneas-e-formacoes-naturais-moldadas-durante-milhoes-de-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/conhecida-como-a-cidade-das-cavernas-regiao-abriga-igrejas-subterraneas-e-formacoes-naturais-moldadas-durante-milhoes-de-anos\/","title":{"rendered":"Conhecida como a cidade das cavernas, regi\u00e3o abriga igrejas subterr\u00e2neas e forma\u00e7\u00f5es naturais moldadas durante milh\u00f5es de anos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No sul da It\u00e1lia, a cidade de Matera guarda um modo de ocupa\u00e7\u00e3o que talhou casas, ruas e templos direto na pedra, um processo que se estendeu por mil\u00eanios. \u00c9 nos Sassi, o n\u00facleo hist\u00f3rico da cidade, que se concentram esse legado: mais de mil moradias e cerca de 150 templos escavados nas cavernas convivem com mosteiros, antigas oficinas e pontos de com\u00e9rcio, formando um cen\u00e1rio urbano incomum entalhado na encosta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Registros arqueol\u00f3gicos indicam que a regi\u00e3o j\u00e1 era habitada na era do Paleol\u00edtico, quando cavernas naturais serviam de abrigo aos primeiros grupos humanos que ali se instalaram. Com o passar dos s\u00e9culos, sobretudo a partir da Idade M\u00e9dia, esses espa\u00e7os deixaram de ser apenas abrigo e ganharam novos usos, passando a servir de moradia, templo e local de trabalho, consolidando um modo de vida rupestre que se manteve por gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma cidade moldada na rocha<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os Sassi se dividem principalmente entre Sasso Caveoso e Sasso Barisano, separados pela Civita, a \u00e1rea hist\u00f3rica central. O conjunto foi inscrito como Patrim\u00f4nio Mundial da Unesco em 1993, validando sua import\u00e2ncia arquitet\u00f4nica e arqueol\u00f3gica \u00fanica no mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o simplesmente cavernas vazias: os primeiros moradores escavavam o tufo e fechavam os espa\u00e7os com paredes feitas dos pr\u00f3prios blocos retirados da rocha. Depois surgiram amplia\u00e7\u00f5es, c\u00f4modos constru\u00eddos para fora, fachadas e terra\u00e7os que transformaram o relevo em estrutura urbana complexa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em certos pontos, o telhado de uma casa funciona como passagem ou \u00e1rea externa para edifica\u00e7\u00f5es acima. Escadas, becos estreitos e p\u00e1tios sobrepostos fazem com que ruas, casas e rocha pare\u00e7am integradas numa mesma malha urbana.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As igrejas rupestres e a vida religiosa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As igrejas escavadas na rocha refletem a presen\u00e7a mon\u00e1stica durante a Alta Idade M\u00e9dia. Cavernas preexistentes foram ampliadas e redesenhadas para receber altares, divis\u00f5es internas, criptas e ambientes mon\u00e1sticos, enquanto outras foram abertas especificamente para fun\u00e7\u00f5es religiosas, muitas delas ainda guardando pinturas que resistiram aos s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A administra\u00e7\u00e3o municipal identificou mais de 150 igrejas rupestres no territ\u00f3rio do parque, cada uma contando uma etapa da evolu\u00e7\u00e3o espiritual da comunidade. Esses espa\u00e7os sagrados moldados na pedra demonstram como a popula\u00e7\u00e3o integrou f\u00e9 e funcionalidade ao ambiente desafiador da encosta rochosa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A engenharia hidr\u00e1ulica que sustentou a vida<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viver em uma encosta rochosa exigia resolver o problema do acesso \u00e0 \u00e1gua. Os moradores desenvolveram sistemas de capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da chuva e armazenamento em cisternas, aproveitando a inclina\u00e7\u00e3o natural do terreno para distribuir a \u00e1gua por gravidade entre os diferentes n\u00edveis dos Sassi.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os p\u00e1tios compartilhados tamb\u00e9m desempenhavam papel crucial na vida comunit\u00e1ria, servindo como espa\u00e7os de encontro, trabalho e conviv\u00eancia entre grupos de resid\u00eancias conectadas verticalmente pela encosta. Essa infraestrutura transformou um desafio geogr\u00e1fico em oportunidade de integra\u00e7\u00e3o social e conviv\u00eancia cont\u00ednua.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O esvaziamento for\u00e7ado dos Sassi<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de sua import\u00e2ncia, os Sassi enfrentaram um momento cr\u00edtico no s\u00e9culo XX. Na d\u00e9cada de 1950, problemas sanit\u00e1rios levaram as autoridades a remover a popula\u00e7\u00e3o dos Sassi para outras partes da cidade, abrindo caminho para que o conjunto hist\u00f3rico fosse posteriormente restaurado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conjunto ficou parcialmente abandonado durante esse per\u00edodo. J\u00e1 nos anos 1980, a popula\u00e7\u00e3o voltou a ocupar o local, e iniciativas de restaura\u00e7\u00e3o recuperaram o uso residencial e comercial de boa parte das constru\u00e7\u00f5es. O reconhecimento como Patrim\u00f4nio Mundial da Unesco veio em 1993, o que consolidou a import\u00e2ncia do conjunto e impulsionou sua voca\u00e7\u00e3o tur\u00edstica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sul da It\u00e1lia, a cidade de Matera guarda um modo de ocupa\u00e7\u00e3o que talhou casas, ruas e templos direto na pedra, um processo que se estendeu por\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37352,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37353","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37353","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37353"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37353\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37360,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37353\/revisions\/37360"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37353"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37353"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37353"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}