{"id":37307,"date":"2026-09-20T13:47:00","date_gmt":"2026-09-20T16:47:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37307"},"modified":"2026-09-20T13:47:00","modified_gmt":"2026-09-20T16:47:00","slug":"a-ilha-abandonada-que-ja-teve-milhares-de-moradores-espremidos-em-predios-de-concreto-no-meio-do-oceano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/a-ilha-abandonada-que-ja-teve-milhares-de-moradores-espremidos-em-predios-de-concreto-no-meio-do-oceano\/","title":{"rendered":"A ilha abandonada que j\u00e1 teve milhares de moradores espremidos em pr\u00e9dios de concreto no meio do oceano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pr\u00e9dios de concreto emergem do mar onde viveram cinco mil pessoas, amontoadas em poucos metros quadrados. Hashima, um rochedo desabitado na costa do Jap\u00e3o, foi esvaziada em 1974, quando a Mitsubishi, empresa do setor autoomotivo, encerrou a extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o no local.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A sa\u00edda em massa dos moradores ocorreu em quest\u00e3o de dias e deixou escolas, lojas e apartamentos como se o tempo tivesse parado ali. Hoje, as ru\u00ednas lembram um cen\u00e1rio de filme, mas Hashima j\u00e1 foi um dos pontos mais adensados do planeta, erguido sobre um afloramento rochoso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">De rochedo a fortaleza oper\u00e1ria<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No final do s\u00e9culo 19, aquela forma\u00e7\u00e3o rochosa recebeu obras de aterro que ampliaram sua \u00e1rea para sustentar moradias e instala\u00e7\u00f5es de minera\u00e7\u00e3o. A Mitsubishi assumiu o controle do territ\u00f3rio e iniciou a extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o em galerias que se estendiam sob o oceano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pr\u00e9dios residenciais foram erguidos lado a lado, formando um conjunto compacto e protegido contra as ondas. Por isso, o local ganhou o apelido de Ilha do Encoura\u00e7ado, em refer\u00eancia aos navios de guerra revestidos de concreto e a\u00e7o da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O recorde de aglomera\u00e7\u00e3o humana<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1959, a ilha atingiu o auge da densidade demogr\u00e1fica mundial, com uma das maiores concentra\u00e7\u00f5es populacionais j\u00e1 registradas. Escolas, hospitais, com\u00e9rcio e espa\u00e7os de lazer funcionavam dentro daquele per\u00edmetro min\u00fasculo, sustentados pelo trabalho ininterrupto nas minas. A promessa de emprego fixo atra\u00eda fam\u00edlias inteiras para viver amontoadas em blocos que mais pareciam colmeias verticais.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O passado sombrio por tr\u00e1s dos muros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sob a apar\u00eancia organizada daquela pequena metr\u00f3pole, existia um cap\u00edtulo de sofrimento humano. Durante a Segunda Guerra Mundial, prisioneiros coreanos e chineses foram obrigados a trabalhar nas minas em regime de trabalho for\u00e7ado, em condi\u00e7\u00f5es extremas de risco e priva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa realidade rendeu ao local o apelido de Ilha do Inferno entre quem viveu ali sob coa\u00e7\u00e3o. Havia ainda uma hierarquia dura entre trabalhadores mais antigos, com certas regalias, e os rec\u00e9m-chegados, sempre destinados \u00e0s tarefas mais perigosas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O fim repentino das opera\u00e7\u00f5es<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A mudan\u00e7a na matriz energ\u00e9tica encerrou aquela economia baseada em carv\u00e3o. Quando o petr\u00f3leo passou a dominar o mercado como fonte de energia, a minera\u00e7\u00e3o no local perdeu sentido econ\u00f4mico, e a Mitsubishi decidiu fechar as minas em 1974. O esvaziamento populacional ocorreu rapidamente, e a ilha permaneceu desabitada por longo per\u00edodo depois do fim das atividades industriais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A maresia e a for\u00e7a das ondas continuam desgastando o que restou das constru\u00e7\u00f5es abandonadas. Por seguran\u00e7a, os visitantes podem acessar apenas uma parte das ru\u00ednas suspensas sobre o oceano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pr\u00e9dios de concreto emergem do mar onde viveram cinco mil pessoas, amontoadas em poucos metros quadrados. 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