{"id":37281,"date":"2026-09-20T21:43:00","date_gmt":"2026-09-21T00:43:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37281"},"modified":"2026-09-20T21:43:00","modified_gmt":"2026-09-21T00:43:00","slug":"ha-mais-de-3-mil-anos-trabalhadores-fizeram-uma-das-primeiras-greves-registradas-da-historia-apos-ficarem-sem-receber-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/ha-mais-de-3-mil-anos-trabalhadores-fizeram-uma-das-primeiras-greves-registradas-da-historia-apos-ficarem-sem-receber-alimentos\/","title":{"rendered":"H\u00e1 mais de 3 mil anos, trabalhadores fizeram uma das primeiras greves registradas da hist\u00f3ria ap\u00f3s ficarem sem receber alimentos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No Egito antigo, equipes encarregadas de erguer tumbas reais suspenderam as atividades depois que a entrega dos mantimentos usados para remuner\u00e1-las deixou de ocorrer no prazo esperado. O fato aconteceu h\u00e1 mais de tr\u00eas mil\u00eanios, no per\u00edodo em que Rams\u00e9s III governava o Egito. A paralisa\u00e7\u00e3o foi anotada no chamado Papiro da Greve de Turim, considerado um dos mais antigos registros escritos de uma interrup\u00e7\u00e3o coletiva de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem executava esse trabalho morava em Deir el-Medina, vilarejo erguido justamente para reunir os profissionais encarregados de cavar e ornamentar os t\u00famulos do Vale dos Reis. Esses artes\u00e3os pertenciam a fam\u00edlias que exerciam o of\u00edcio havia gera\u00e7\u00f5es e estavam entre as categorias mais bem remuneradas do Egito. O pagamento, por\u00e9m, era feito com ra\u00e7\u00f5es de gr\u00e3os e outros mantimentos, n\u00e3o em moeda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O atraso que transformou comida em conflito<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No ano 29 do governo de Rams\u00e9s III, equipes inteiras deixaram os canteiros e atravessaram os pontos de controle da regi\u00e3o reclamando de fome. Elas se instalaram perto de templos funer\u00e1rios ligados \u00e0 necr\u00f3pole e recusaram voltar enquanto o atraso nas provis\u00f5es \u2014 que se prolongava por quase um m\u00eas \u2014 n\u00e3o fosse resolvido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O escriba Amennakht registrou em hier\u00e1tico o que se passou entre os artes\u00e3os e os administradores locais. Identificado com o c\u00f3digo Cat. 1880, o Papiro da Greve tem dimens\u00f5es pr\u00f3ximas de 950 por 450 mil\u00edmetros e foi produzido sobre fibras de origem vegetal. O documento data da XX Dinastia, entre 1.187 e 1.157 a.C.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o Museo Egizio, os manifestantes queriam que suas queixas chegassem ao vizir e ao pr\u00f3prio fara\u00f3. O museu tamb\u00e9m identifica o papiro como um dos primeiros registros de paralisa\u00e7\u00f5es no mundo. O documento preserva uma rara voz administrativa sobre o trabalho no Egito antigo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma paralisa\u00e7\u00e3o que durou dias de negocia\u00e7\u00e3o<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A ocupa\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os pr\u00f3ximos aos templos n\u00e3o foi um gesto isolado de um \u00fanico dia. Relatos preservados no papiro indicam que as tentativas de concilia\u00e7\u00e3o se estenderam por v\u00e1rios dias, at\u00e9 que o abastecimento fosse normalizado. A resist\u00eancia coletiva, mantida at\u00e9 uma resposta concreta das autoridades, \u00e9 um dos motivos que aproximam o epis\u00f3dio das greves modernas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O movimento re\u00fane elementos de uma paralisa\u00e7\u00e3o trabalhista organizada: interrup\u00e7\u00e3o coletiva das atividades, reivindica\u00e7\u00e3o concreta sobre o pagamento e press\u00e3o direta sobre quem administrava os recursos. Essa combina\u00e7\u00e3o levou pesquisadores a tratar o caso como precursor das greves modernas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que segue sendo lembrado 3 mil anos depois<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O papiro guardado em Turim, na It\u00e1lia, permanece como um dos poucos documentos que registra, com data e causa definidas, uma mobiliza\u00e7\u00e3o de trabalhadores t\u00e3o antiga. O epis\u00f3dio \u00e9 tratado como a primeira greve conhecida porque, entre os documentos j\u00e1 identificados, \u00e9 o mais antigo associado a uma paralisa\u00e7\u00e3o de trabalhadores \u2014 o que n\u00e3o quer dizer que protestos anteriores n\u00e3o tenham existido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais de 3 mil anos depois, o relato de Amennakht ainda mostra como a falta de pagamento pode transformar um problema administrativo em a\u00e7\u00e3o coletiva. Registros desse tipo raramente sobrevivem quando envolvem gente comum, o que torna o documento uma fonte rara sobre o cotidiano de trabalhadores no Egito antigo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Egito antigo, equipes encarregadas de erguer tumbas reais suspenderam as atividades depois que a entrega dos mantimentos usados para remuner\u00e1-las\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37280,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37281","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37281","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37281"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37281\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37590,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37281\/revisions\/37590"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37280"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37281"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37281"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37281"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}