{"id":37244,"date":"2026-09-16T11:01:00","date_gmt":"2026-09-16T14:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37244"},"modified":"2026-09-16T11:01:00","modified_gmt":"2026-09-16T14:01:00","slug":"homem-congelado-ha-mais-de-cinco-mil-anos-carregava-tatuagens-ferramentas-e-uma-refeicao-ainda-preservada-no-estomago","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/homem-congelado-ha-mais-de-cinco-mil-anos-carregava-tatuagens-ferramentas-e-uma-refeicao-ainda-preservada-no-estomago\/","title":{"rendered":"Homem congelado h\u00e1 mais de cinco mil anos carregava tatuagens, ferramentas e uma refei\u00e7\u00e3o ainda preservada no est\u00f4mago"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Encontrado em setembro de 1991 nos Alpes de Venoste, na fronteira entre \u00c1ustria e It\u00e1lia, \u00d6tzi permanece como a m\u00famia mais estudada da Europa. Preservados naturalmente pelo gelo durante mais de cinco mil anos, seus restos revelam como era a vida na Idade do Cobre e oferecem pistas para a medicina moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Caminhantes alem\u00e3es descobriram o corpo a mais de tr\u00eas quil\u00f4metros de altitude, deitado de bru\u00e7os \u00e0 beira de um lago gelado. Tr\u00eas d\u00e9cadas depois, novas descobertas ainda ampliam o conhecimento sobre como nossos ancestrais viveram, comeram, trabalharam e morreram nos Alpes europeus.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um acervo arqueol\u00f3gico \u00fanico preservado no frio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os restos de \u00d6tzi est\u00e3o guardados no Museu de Arqueologia de Tirol do Sul, em Bolzano, na It\u00e1lia, dentro de uma c\u00e2mara frigor\u00edfica mantida a aproximadamente -30\u00b0C. A institui\u00e7\u00e3o recebe de 12 a 15 pedidos de cientistas por ano para examinar a m\u00famia. Cada solicita\u00e7\u00e3o \u00e9 avaliada com cuidado porque descongelar o corpo pode causar deteriora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a m\u00famia raramente \u00e9 descongelada, e a \u00faltima vez foi em 2019. Apesar da restri\u00e7\u00e3o, cerca de 300 mil visitantes viajam a Bolzano por ano para observ\u00e1-la atrav\u00e9s de uma janela de vidro espesso que protege sua c\u00e2mara gelada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00famia recebe manuten\u00e7\u00e3o espec\u00edfica: quatro ou cinco vezes por ano, seus restos s\u00e3o borrifados com \u00e1gua esterilizada para formar um exoesqueleto protetor que a mant\u00e9m no estado de &#8220;m\u00famia \u00famida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist\u00f3rico de doen\u00e7as e marcas no corpo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d6tzi tinha aproximadamente 1,57 metros de altura, era magro e canhoto \u2014 caracter\u00edsticas que pesquisadores confirmaram ao analisar seus restos. Foram descobertas 61 tatuagens em seu corpo, concentradas nas articula\u00e7\u00f5es e estruturas \u00f3sseas dos joelhos, quadris, ombros. E costas, bem como pontos que correspondem a linhas de acupuntura moderna, sugerindo que marcavam regi\u00f5es de dor cr\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As tatuagens provavelmente foram feitas por pun\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o por incis\u00f5es, segundo pesquisa com colabora\u00e7\u00e3o de tatuadores profissionais.&nbsp; Os exames revelaram que o homem, com aproximadamente 46 anos quando morreu, sofria de dores persistentes nessas regi\u00f5es. Tamb\u00e9m identificaram c\u00e1ries dent\u00e1rias, parasitas intestinais e doen\u00e7a de Lyme.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tamb\u00e9m foi mostrado ainda que ele tinha sangue tipo O, intoler\u00e2ncia \u00e0 lactose e uma anomalia cong\u00eanita rara que impedia a forma\u00e7\u00e3o de seu 12\u00ba par de costelas. Ele havia quebrado v\u00e1rias costelas e o nariz durante a vida. A an\u00e1lise dos olhos preservados indicou cor castanha escura e tom de pele t\u00edpico do Mediterr\u00e2neo, oferecendo detalhes \u00fanicos sobre a sa\u00fade humana h\u00e1 cinco mil anos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A morte e os pertences preservados<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d6tzi sofreu um ferimento defensivo dias antes de morrer: um corte entre o polegar e o indicador da m\u00e3o direita, provavelmente causado ao tentar agarrar uma l\u00e2mina. O golpe fatal veio de uma flecha que atingiu uma art\u00e9ria em seu ombro esquerdo, causando hemorragia que o levou \u00e0 morte em minutos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando foi descoberto, ele carregava pertences que iluminam seu cotidiano: uma adaga com l\u00e2mina de s\u00edlex transportada em bainha de grama. Um machado de cobre notavelmente rico para a \u00e9poca, e roupas feitas de pele animal costuradas com cuidado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Seu conte\u00fado estomacal e intestinal tamb\u00e9m foi preservado, permitindo aos pesquisadores reconstruir sua \u00faltima refei\u00e7\u00e3o: trigo einkorn, cervo-nobre e \u00edbex. A descoberta levou 18 anos, pois o est\u00f4mago havia se deslocado para sob as costelas durante o processo de mumifica\u00e7\u00e3o. Essa informa\u00e7\u00e3o rara revela os alimentos dispon\u00edveis e as pr\u00e1ticas alimentares do per\u00edodo neol\u00edtico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Patrizia Pernter, radiologista respons\u00e1vel pelos exames corporais, disse ao National Geographic Brasil que estudar a m\u00famia exige respeito excepcional, porque \u00d6tzi era um ser humano como qualquer outro, com seus pr\u00f3prios problemas de sa\u00fade e uma hist\u00f3ria que nunca conheceremos completamente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Legado cient\u00edfico tr\u00eas d\u00e9cadas depois<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os restos deste homem pr\u00e9-hist\u00f3rico continuam produzindo dados relevantes para a medicina contempor\u00e2nea. Sua predisposi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica a doen\u00e7as card\u00edacas \u00e9 o caso mais antigo conhecido de doen\u00e7a card\u00edaca. As 61 tatuagens marcam pontos de dor cr\u00f4nica e sugerem uma forma primitiva de acupuntura.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os registros de inflama\u00e7\u00e3o ajudam a entender como o corpo humano respondeu a esfor\u00e7os f\u00edsicos e condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas. Pesquisas recentes tamb\u00e9m analisam seu microbioma intestinal e estomacal para compreender como a flora bacteriana ancestral difere da popula\u00e7\u00e3o moderna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Universidade de Trento e outras institui\u00e7\u00f5es europeias continuam aprofundando as an\u00e1lises do DNA e dos tecidos de \u00d6tzi. Cientistas preveem que a m\u00famia, conservada de maneira extraordin\u00e1ria, revelar\u00e1 mais informa\u00e7\u00f5es nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Cada estudo, seja com tecnologia de imagem avan\u00e7ada ou an\u00e1lise gen\u00e9tica, amplia a compreens\u00e3o sobre a vida neol\u00edtica europeia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00d6tzi n\u00e3o \u00e9 apenas um acidente arqueol\u00f3gico, e \u00e9 um registro humano congelado que continua ajudando a compreender o passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Encontrado em setembro de 1991 nos Alpes de Venoste, na fronteira entre \u00c1ustria e It\u00e1lia, \u00d6tzi permanece como a m\u00famia mais estudada da Europa. 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