{"id":37236,"date":"2026-09-16T14:00:00","date_gmt":"2026-09-16T17:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=37236"},"modified":"2026-09-16T14:00:00","modified_gmt":"2026-09-16T17:00:00","slug":"fossil-de-113-milhoes-de-anos-encontrado-no-brasil-pertence-a-formiga-mais-antiga-ja-identificada-pela-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/fossil-de-113-milhoes-de-anos-encontrado-no-brasil-pertence-a-formiga-mais-antiga-ja-identificada-pela-ciencia\/","title":{"rendered":"F\u00f3ssil de 113 milh\u00f5es de anos encontrado no Brasil pertence \u00e0 formiga mais antiga j\u00e1 identificada pela ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um peda\u00e7o de calc\u00e1rio encontrado na regi\u00e3o Nordeste do Brasil guarda o registro mais antigo j\u00e1 identificado de uma formiga. O inseto, batizado de Vulcanidris cratensis, viveu h\u00e1 cerca de 113 milh\u00f5es de anos, na mesma \u00e9poca em que dinossauros dominavam o planeta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O exemplar pertence a um grupo apelidado de &#8220;formigas do inferno&#8221;, conhecido pelas mand\u00edbulas com apar\u00eancia amea\u00e7adora, em forma de foice. Essa linhagem se espalhou por diferentes regi\u00f5es do globo durante o per\u00edodo Cret\u00e1ceo, mas n\u00e3o deixou descendentes vivos at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um inseto que parecia vespa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com cerca de 1,35 cent\u00edmetro de comprimento, o animal tinha mand\u00edbulas altamente especializadas, capazes de prender ou perfurar presas. Possu\u00eda tamb\u00e9m asas, o que sugere boa capacidade de voo, e um ferr\u00e3o bem desenvolvido, parecido com o de vespas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo o entomologista Anderson Lepeco, do Museu de Zoologia da Universidade de S\u00e3o Paulo, e principal autor de um estudo publicado na revista Current Biology, um olho destreinado provavelmente confundiria o inseto com uma vespa comum. As mand\u00edbulas, segundo ele, provavelmente serviam para manipular presas de um jeito bem espec\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma mordida ao contr\u00e1rio<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A diferen\u00e7a mais chamativa est\u00e1 no movimento das pe\u00e7as bucais: elas se moviam de cima para baixo, e n\u00e3o de um lado para o outro, como ocorre nas formigas atuais. Lepeco observou que hoje existem formatos estranhos de mand\u00edbula entre as formigas, mas quase sempre com articula\u00e7\u00e3o horizontal. O f\u00f3ssil brasileiro \u00e9 13 milh\u00f5es de anos mais antigo do que os registros anteriores encontrados em \u00e2mbar na Fran\u00e7a e em Myanmar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">D\u00e9cadas guardado em cole\u00e7\u00e3o particular<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pe\u00e7a foi escavada na forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica do Crato, no Cear\u00e1, provavelmente nos anos 1980 ou 1990, segundo Lepeco em entrevista \u00e0 Reuters. Antes de chegar ao museu paulista, cerca de cinco anos atr\u00e1s, o material ficou em uma cole\u00e7\u00e3o particular. Ainda de acordo com o pesquisador, entre os f\u00f3sseis do acervo, foi descoberto um parente pr\u00f3ximo de uma formiga do inferno j\u00e1 descrita em um material encontrado em Myanmar.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pistas sobre a origem do grupo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A anatomia t\u00e3o espec\u00edfica do f\u00f3ssil, somada \u00e0 dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica entre os dois registros de formigas do inferno da mesma \u00e9poca. Indica que o grupo j\u00e1 existia muito antes do surgimento dessa esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Lepeco tamb\u00e9m disse que estimativas moleculares situam o surgimento das formigas entre 168 milh\u00f5es. E 120 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s, e a nova descoberta refor\u00e7a uma idade mais pr\u00f3xima do limite inferior desse intervalo. As formigas s\u00e3o consideradas descendentes de um tipo de vespa, e seus parentes vivos mais pr\u00f3ximos continuam sendo vespas e abelhas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Vida ao lado de dinossauros<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O ambiente onde a Vulcanidris viveu era cheio de vida. Outros f\u00f3sseis da mesma regi\u00e3o mostram que ela compartilhava espa\u00e7o com aranhas, mil\u00edpedes, centopeias, diferentes crust\u00e1ceos, tartarugas, crocodilianos, r\u00e9pteis voadores conhecidos como pterossauros, aves e dinossauros, incluindo o carn\u00edvoro emplumado Ubirajara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os poss\u00edveis predadores desse inseto estavam sapos, aves, aranhas e insetos maiores. As formigas, hoje presentes em praticamente todo o planeta, tiveram nesse per\u00edodo um dos cap\u00edtulos mais antigos j\u00e1 registrados de sua longa hist\u00f3ria evolutiva.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um peda\u00e7o de calc\u00e1rio encontrado na regi\u00e3o Nordeste do Brasil guarda o registro mais antigo j\u00e1 identificado de uma formiga. O inseto, batizado de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":37235,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-37236","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37236","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=37236"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37236\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":37290,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/37236\/revisions\/37290"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/37235"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=37236"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=37236"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=37236"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}