{"id":36441,"date":"2026-09-04T13:16:00","date_gmt":"2026-09-04T16:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=36441"},"modified":"2026-09-04T13:16:00","modified_gmt":"2026-09-04T16:16:00","slug":"funcionario-causa-prejuizo-de-r-10-mil-no-trabalho-valor-e-descontado-do-salario-e-patrao-acaba-condenado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/funcionario-causa-prejuizo-de-r-10-mil-no-trabalho-valor-e-descontado-do-salario-e-patrao-acaba-condenado\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rio causa preju\u00edzo de R$ 10 mil no trabalho, valor \u00e9 descontado do sal\u00e1rio e patr\u00e3o acaba condenado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um funcion\u00e1rio derrubou acidentalmente um lote de mercadorias avaliado em R$ 10.000,00, e a empresa reteve esse valor do sal\u00e1rio seguinte. A Justi\u00e7a do Trabalho anulou o desconto, obrigou o patr\u00e3o a devolver a quantia e proibiu a transfer\u00eancia dos riscos do neg\u00f3cio sem autoriza\u00e7\u00e3o contratual expressa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O caso chegou ao Tribunal Superior do Trabalho depois que o empregado contestou a cobran\u00e7a. Para os magistrados, o contrato n\u00e3o autorizava previamente descontos por dano culposo. Por isso, a reten\u00e7\u00e3o era ilegal e violava a prote\u00e7\u00e3o ao sal\u00e1rio prevista na CLT.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que a lei diz sobre descontos por preju\u00edzo<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A legisla\u00e7\u00e3o brasileira protege o sal\u00e1rio, que sustenta as despesas b\u00e1sicas de quem trabalha. O artigo 462 da CLT pro\u00edbe abatimentos na remunera\u00e7\u00e3o e consagra o princ\u00edpio da intangibilidade salarial. Assim, o patr\u00e3o n\u00e3o pode fazer reten\u00e7\u00f5es unilaterais sem respaldo contratual. Para que um desconto por dano seja v\u00e1lido, a empresa precisa comprovar culpa ou dolo do empregado, sob pena de transferir indevidamente os riscos da atividade ao trabalhador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A lei tamb\u00e9m distingue o dano proposital do acidente ocorrido na rotina de trabalho. Quando n\u00e3o h\u00e1 inten\u00e7\u00e3o de causar o estrago, como no caso de quem derruba mercadoria por imprud\u00eancia, o desconto no sal\u00e1rio s\u00f3 \u00e9 permitido se houver autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via no contrato. O contrato de admiss\u00e3o n\u00e3o tinha cl\u00e1usula autorizando esse abatimento. Sem essa cl\u00e1usula de autoriza\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, o desconto \u00e9 nulo de pleno direito.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que os riscos do neg\u00f3cio pertencem ao empregador<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quebrar produtos, derrubar mercadorias ou cometer falhas operacionais faz parte da rotina de quem trabalha em lojas ou dep\u00f3sitos. O artigo 2\u00ba da CLT estabelece que os riscos da atividade econ\u00f4mica pertencem \u00e0 empresa, n\u00e3o ao empregado. A lei considera esse tipo de contratempo um risco natural da atividade comercial, e n\u00e3o culpa isolada do trabalhador que cumpre suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sem base contratual, transferir esse custo ao empregado significa torn\u00e1-lo respons\u00e1vel pelo pr\u00f3prio neg\u00f3cio da empresa. O Tribunal Superior do Trabalho consolidou o entendimento de que a quebra acidental de produtos faz parte do risco do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa l\u00f3gica sustentou a condena\u00e7\u00e3o e levou \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o dos R$ 10.000,00 retidos. Para a decis\u00e3o, n\u00e3o era necess\u00e1rio comprovar m\u00e1-f\u00e9 deliberada do funcion\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como agir diante de um desconto indevido<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem identificar reten\u00e7\u00e3o salarial sem justificativa contratual deve evitar assinar confiss\u00f5es de d\u00edvida sob coa\u00e7\u00e3o da chefia. Para instruir uma a\u00e7\u00e3o trabalhista, re\u00fana holerites e contracheques que mostrem os descontos, \u00e1udios. E mensagens de WhatsApp de gerentes exigindo o pagamento do preju\u00edzo e uma c\u00f3pia do contrato que comprove a aus\u00eancia de cl\u00e1usula autorizadora. Os documentos ajudam a comprovar, na Justi\u00e7a do Trabalho, que n\u00e3o havia cl\u00e1usula autorizando o abatimento por dano culposo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cobran\u00e7as insistentes por preju\u00edzos operacionais tamb\u00e9m podem justificar um pedido de rescis\u00e3o indireta, conforme o artigo 483 da CLT. Esse mecanismo permite ao empregado deixar o emprego por culpa do patr\u00e3o. A cobran\u00e7a nessas condi\u00e7\u00f5es viola a intangibilidade salarial e pode gerar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais, al\u00e9m da restitui\u00e7\u00e3o do valor retido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um funcion\u00e1rio derrubou acidentalmente um lote de mercadorias avaliado em R$ 10.000,00, e a empresa reteve esse valor do sal\u00e1rio seguinte. 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