{"id":36046,"date":"2026-09-01T00:18:00","date_gmt":"2026-09-01T03:18:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=36046"},"modified":"2026-08-31T14:44:55","modified_gmt":"2026-08-31T17:44:55","slug":"ninguem-o-encontrava-havia-decadas-ate-que-uma-camera-registrou-o-animal-que-cientistas-temiam-estar-extinto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/ninguem-o-encontrava-havia-decadas-ate-que-uma-camera-registrou-o-animal-que-cientistas-temiam-estar-extinto\/","title":{"rendered":"Ningu\u00e9m o encontrava havia d\u00e9cadas, at\u00e9 que uma c\u00e2mera registrou o animal que cientistas temiam estar extinto"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dois mam\u00edferos considerados extintos h\u00e1 cerca de 6 mil anos foram registrados vivos nas florestas de West Papua, na por\u00e7\u00e3o ocidental da Nova Guin\u00e9. A expedi\u00e7\u00e3o liderada pelo bi\u00f3logo australiano Tim Flannery confirmou a presen\u00e7a do Dactylonax kambuayai e do Tous ayamaruensis, esp\u00e9cies dadas como perdidas desde a pr\u00e9-hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os registros de armadilhas fotogr\u00e1ficas e as observa\u00e7\u00f5es feitas diretamente no local foram comparados depois com f\u00f3sseis guardados em museus. O Museu Australiano e a Universidade de Sydney trataram a confirma\u00e7\u00e3o como um marco raro para a biologia da regi\u00e3o. Para Flannery, nunca havia ocorrido a descoberta de duas esp\u00e9cies de mam\u00edferos extintos nessas condi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Marsupiais extintos redescobertos vivos em West Papua<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Dactylonax kambuayai \u00e9 um pequeno marsupial listrado que tem um quarto dedo da pata dianteira duas vezes mais comprido que os demais. O dedo do animal serve para vasculhar buracos em troncos e capturar insetos escondidos, em comportamento parecido com o do aye-aye, animal noturno de Madagascar, na \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O animal tamb\u00e9m foi encontrado em Queensland, na Austr\u00e1lia, onde habitava h\u00e1 cerca de 300 mil anos, segundo registros consultados pela edi\u00e7\u00e3o. O segundo mam\u00edfero, batizado de Tous ayamaruensis, \u00e9 um planador de cauda anelada que se equilibra em galhos com ajuda da cauda flex\u00edvel. O animal tem uma membrana entre as patas que funciona como um pequeno paraquedas e permite que deslize de uma \u00e1rvore a outra durante a noite.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O conhecimento local que revelou os animais<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Antes de qualquer c\u00e2mera registrar as esp\u00e9cies, elas j\u00e1 eram conhecidas por quem vive na regi\u00e3o. Relatos transmitidos entre gera\u00e7\u00f5es descreviam criaturas com dedo comprido e outra capaz de saltar entre as \u00e1rvores usando a cauda, mesmo sem confirma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. A pesquisa se apoiou nesse repert\u00f3rio de mem\u00f3rias para localizar os animais em meio \u00e0 mata densa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O cruzamento desse conhecimento com o trabalho de campo permitiu \u00e0 equipe de Flannery reduzir a busca e evitar anos de tentativas sem rumo. Para avan\u00e7ar com pol\u00edticas oficiais de conserva\u00e7\u00e3o, o governo da Indon\u00e9sia precisa envolver as comunidades. O trabalho mostra a import\u00e2ncia de combinar saber tradicional e pesquisa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que essas redescobertas importam para a ci\u00eancia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esp\u00e9cies que desaparecem dos registros por muito tempo e depois reaparecem vivas recebem o nome de Lazarus taxon, numa refer\u00eancia \u00e0 hist\u00f3ria b\u00edblica de L\u00e1zaro. Tanto o Dactylonax kambuayai quanto o Tous ayamaruensis entram agora nessa categoria pouco comum entre os mam\u00edferos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para ter certeza de que se tratava realmente de um Lazarus taxon, os cientistas analisaram a idade e origem dos \u00faltimos f\u00f3sseis conhecidos. Eles tamb\u00e9m comparam com aten\u00e7\u00e3o as caracter\u00edsticas f\u00edsicas do animal vivo com as estruturas preservadas nos f\u00f3sseis e realizam estudos gen\u00e9ticos para confirmar o parentesco e a identidade da esp\u00e9cie.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Cada redescoberta indica que outras esp\u00e9cies consideradas desaparecidas podem sobreviver em \u00e1reas isoladas. A cria\u00e7\u00e3o urgente de unidades de conserva\u00e7\u00e3o e corredores ecol\u00f3gicos torna-se necess\u00e1ria porque esp\u00e9cies rec\u00e9m-redescobertas apresentam popula\u00e7\u00f5es pequenas e vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Achados assim mostram que ainda existem \u00e1reas de floresta pouco exploradas pela ci\u00eancia, mesmo em 2026, quando h\u00e1 tecnologia de rastreamento e monitoramento ambiental dispon\u00edvel. West Papua se junta a uma lista curta de lugares onde a natureza guardou segredos por mil\u00eanios e onde florestas-ref\u00fagio continuam protegendo criaturas que o mundo presumia perdidas para sempre.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dois mam\u00edferos considerados extintos h\u00e1 cerca de 6 mil anos foram registrados vivos nas florestas de West Papua, na por\u00e7\u00e3o ocidental da Nova Guin\u00e9. 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