{"id":35584,"date":"2026-08-29T15:04:00","date_gmt":"2026-08-29T18:04:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=35584"},"modified":"2026-08-29T15:04:00","modified_gmt":"2026-08-29T18:04:00","slug":"aos-30-anos-ela-queria-juntar-dinheiro-para-comprar-uma-casa-aceitou-emprego-em-dolar-e-acabou-vitima-de-trafico-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/aos-30-anos-ela-queria-juntar-dinheiro-para-comprar-uma-casa-aceitou-emprego-em-dolar-e-acabou-vitima-de-trafico-humano\/","title":{"rendered":"Aos 30 anos, ela queria juntar dinheiro para comprar uma casa, aceitou emprego em d\u00f3lar e acabou v\u00edtima de tr\u00e1fico humano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Aos 30 anos, Karine tinha um objetivo bem definido: economizar o suficiente para comprar um im\u00f3vel e criar ali a filha, de 11 anos. Formada como bombeiro civil, ela enfrentava dificuldade para se manter empregada em Salvador, vivendo de bicos e sem previsibilidade de renda \u2014 o que afastava a possibilidade de realizar esse projeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi ent\u00e3o que recebeu, por indica\u00e7\u00e3o de um conhecido radicado no Camboja, a not\u00edcia de uma oportunidade de trabalho remunerada em moeda estrangeira, na \u00e1rea de atendimento ao p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A oferta inclu\u00eda custeio da viagem e moradia garantida, o que a convenceu de que finalmente surgira a chance que buscava. Karine topou, confiou a filha aos cuidados dos pais e, em novembro do ano passado, viajou acreditando se tratar de uma oportunidade de emprego regular.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Karine e a realidade do tr\u00e1fico humano no Camboja<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim que chegou ao Camboja, ela percebeu que algo n\u00e3o correspondia ao prometido. Seu passaporte foi retido imediatamente, ela ficou confinada a um alojamento e foi coagida a aplicar golpes contra brasileiros. No local, os integrantes do grupo n\u00e3o podiam sair do alojamento e estavam sujeitos a regras, multas e outras formas de puni\u00e7\u00e3o, e Karine atuava na primeira linha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Respons\u00e1vel pelo atendimento inicial de abordagens fraudulentas, enquanto outras pessoas davam continuidade aos golpes \u2014 inclusive com falsas situa\u00e7\u00f5es envolvendo policiais e promotores \u2014 para enganar brasileiros e tirar dinheiro deles.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ela havia ca\u00eddo em uma rede de tr\u00e1fico humano. O esquema recrutava brasileiros para cooptar novas v\u00edtimas. Mesmo tentando fugir, Karine n\u00e3o conseguiu, e quando disse que queria sair, foi informada de que teria de pagar uma multa muito alta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00f3s dez meses de sofrimento, a situa\u00e7\u00e3o piorou quando o grupo foi for\u00e7ado a deixar o territ\u00f3rio cambojano e transferido para Madagascar. Nas \u00faltimas semanas, policiais apareceram no hotel onde o grupo estava retido e pediram os passaportes. Como ningu\u00e9m tinha os passaportes, guardados por um respons\u00e1vel pela empresa, dois colegas se recusaram a entregar os telefones.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os policiais apontaram armas para eles, e quando Karine e uma colega pediram que n\u00e3o fizessem nada, um policial deu um tapa no rosto das duas e as jogou no ch\u00e3o. Os 23 brasileiros foram levados \u00e0 delegacia e n\u00e3o tiveram acesso a comida nem \u00e1gua. Karine ficou presa em um pa\u00eds distante, sem meios de voltar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A situa\u00e7\u00e3o a levou ao ponto de crise: ela tentou se suicidar duas vezes enquanto estava no Camboja.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Grupo de 23 brasileiros retidos em Madagascar busca retorno<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, ela faz parte de um grupo de 23 brasileiros que estava no Aeroporto de Antananarivo, onde uma organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental local acolheu o grupo. S\u00e3o nove baianos, dois sergipanos, um mineiro, oito cariocas e tr\u00eas alagoanos \u2014 todos v\u00edtimas de tr\u00e1fico e sem recursos para comprar passagens de volta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para arrecadar fundos, a advogada Queila Veloso, amiga pr\u00f3xima de Karine, criou uma vaquinha online. Ela disse que apelou aos pol\u00edticos baianos por ajuda financeira, mas n\u00e3o teve retorno ou recebeu respostas com muita burocracia. A advogada escreveu que a emerg\u00eancia n\u00e3o espera pela burocracia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como a armadilha foi montada<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Queila explicou \u00e0 reportagem que o colega dela, j\u00e1 envolvido na rede criminosa, recebeu instru\u00e7\u00f5es para aliciar compatriotas no Brasil. O grupo criminoso oferecia benef\u00edcios e prest\u00edgio a brasileiros j\u00e1 capturados que conseguissem trazer novas v\u00edtimas \u2014 um sistema que transformava prisioneiros em recrutadores involunt\u00e1rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O amigo a abordou com promessas detalhadas: trabalho no exterior pagando em d\u00f3lar, despesas de viagem cobertas, habita\u00e7\u00e3o apropriada e a possibilidade de economizar por um ano antes de retornar ao Brasil. Ela levou cerca de um m\u00eas refletindo antes de aceitar \u2014 na \u00e9poca, n\u00e3o tinha passaporte e precisou providenci\u00e1-lo especificamente para a viagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A rota at\u00e9 o Camboja durou dois dias, com uma parada na Turquia. Segundo levantamentos divulgados por \u00f3rg\u00e3os como o Minist\u00e9rio P\u00fablico Federal, o Camboja \u00e9 uma das rotas mais frequentes para brasileiros capturados por redes de tr\u00e1fico.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Resposta das autoridades e urg\u00eancia do retorno<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Karine mant\u00e9m contato regular com os familiares na Bahia e enfatiza sua determina\u00e7\u00e3o de voltar com seguran\u00e7a. Em contato com a reportagem, Karine reafirmou o desejo de retornar ao pa\u00eds para reencontrar a filha e os familiares, com quem mant\u00e9m comunica\u00e7\u00e3o, e disse esperar poder fazer essa volta de forma segura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 30 anos, Karine tinha um objetivo bem definido: economizar o suficiente para comprar um im\u00f3vel e criar ali a filha, de 11 anos. 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