{"id":34659,"date":"2026-08-19T20:55:00","date_gmt":"2026-08-19T23:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/?p=34659"},"modified":"2026-08-19T20:55:00","modified_gmt":"2026-08-19T23:55:00","slug":"quase-8-km-abaixo-do-oceano-criatura-de-apenas-4-centimetros-vive-e-caca-onde-a-pressao-esmagaria-um-ser-humano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/quase-8-km-abaixo-do-oceano-criatura-de-apenas-4-centimetros-vive-e-caca-onde-a-pressao-esmagaria-um-ser-humano\/","title":{"rendered":"Quase 8 km abaixo do oceano, criatura de apenas 4 cent\u00edmetros vive e ca\u00e7a onde a press\u00e3o esmagaria um ser humano"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo sem qualquer incid\u00eancia de luz solar, o leito da Fossa do Atacama, no Pac\u00edfico Sul, abriga uma criatura que se movimenta ativamente em busca de alimento. Este predador foi batizado de Dulcibella camanchaca, o crust\u00e1ceo rec\u00e9m-identificado pela ci\u00eancia foi encontrado a 7.902 metros de profundidade e chega a quase 4 cent\u00edmetros de comprimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O animal usa ap\u00eandices raptoriais para agarrar outros anf\u00edpodes num ambiente onde a press\u00e3o \u00e9 muito superior \u00e0 da superf\u00edcie. O achado indica que, mesmo nas regi\u00f5es mais profundas do oceano, h\u00e1 organismos que ca\u00e7am ativamente, e n\u00e3o apenas esp\u00e9cies que sobrevivem de detritos vindos de cima.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Predador min\u00fasculo nas profundezas do oceano<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em geral, esse grupo de crust\u00e1ceos re\u00fane animais diminutos, cujo corpo se apresenta achatado nas laterais. J\u00e1 os exemplares de Dulcibella camanchaca surpreenderam pelo tamanho, grande para uma esp\u00e9cie dessa faixa de profundidade extrema.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ap\u00eandices raptoriais permitem ao animal agarrar presas com precis\u00e3o, caracter\u00edstica que o destaca entre as esp\u00e9cies conhecidas dessa profundidade. A capacidade de nadar com rapidez tamb\u00e9m favorece a nova esp\u00e9cie, j\u00e1 que cada oportunidade de alimenta\u00e7\u00e3o pode ser decisiva onde a comida escasseia. A Woods Hole Oceanographic Institution aponta que este \u00e9 o primeiro grande anf\u00edpode ca\u00e7ador ativo j\u00e1 descrito em profundidades t\u00e3o extremas.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como o crust\u00e1ceo saiu do fundo da Fossa<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A coleta dos quatro exemplares ocorreu ainda em 2023, quando uma expedi\u00e7\u00e3o embarcou no navio R\/V Abate Molina para explorar a regi\u00e3o. Um lander, equipamento sem cabo e carregado de armadilhas com isca, desceu sozinho at\u00e9 o ponto mais profundo da coleta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As armadilhas atra\u00edram os organismos, e o equipamento trouxe os esp\u00e9cimes de volta \u00e0 superf\u00edcie para an\u00e1lise. Testes morfol\u00f3gicos e gen\u00e9ticos foram feitos em laborat\u00f3rio e confirmaram que se tratava de um g\u00eanero totalmente novo, n\u00e3o apenas de uma esp\u00e9cie at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Por que a press\u00e3o n\u00e3o trava o movimento<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na Fossa do Atacama, a press\u00e3o chega a valores muitas vezes superiores aos registrados na superf\u00edcie do mar. Ainda assim, as membranas e prote\u00ednas de Dulcibella camanchaca funcionam sem os espa\u00e7os cheios de ar que colapsariam em um corpo comum.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em vez de resistir ao ambiente como uma c\u00e1psula r\u00edgida, os tecidos do animal se mant\u00eam em equil\u00edbrio constante com a press\u00e3o externa, o que permite que ele continue ativo mesmo naquela profundidade.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Um nome que mistura literatura e geografia<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O batismo cient\u00edfico do crust\u00e1ceo junta duas refer\u00eancias distintas: uma liter\u00e1ria e outra geogr\u00e1fica. &#8220;Dulcibella&#8221; remete \u00e0 figura de Dulcineia, personagem de romance cl\u00e1ssico, enquanto &#8220;camanchaca&#8221; evoca o ambiente escuro onde a esp\u00e9cie vive.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa combina\u00e7\u00e3o une refer\u00eancias culturais e a geografia do Pac\u00edfico Sul em um \u00fanico nome cient\u00edfico. O nome identifica uma esp\u00e9cie encontrada na escurid\u00e3o do fundo oce\u00e2nico que inspirou parte dele.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A imagem tradicional da zona hadal como um deserto quase im\u00f3vel perde for\u00e7a com achados como esse. Ali, a poucos passos do ponto mais profundo j\u00e1 registrado, Dulcibella camanchaca segue ca\u00e7ando outros anf\u00edpodes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mesmo sem qualquer incid\u00eancia de luz solar, o leito da Fossa do Atacama, no Pac\u00edfico Sul, abriga uma criatura que se movimenta ativamente em busca de\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":23,"featured_media":34658,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"jnews-multi-image_gallery":[],"jnews_single_post":[],"jnews_primary_category":[],"jnews_social_meta":[],"jnews_post_split":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-34659","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-uncategorized"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34659","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=34659"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34659\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":34762,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/34659\/revisions\/34762"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media\/34658"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34659"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=34659"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.diariodepernambuco.com.br\/dptrends\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=34659"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}