RECIFE Devotos lotam igreja da Santa das Causas Impossíveis Festa atrai católicos da Região Metropolitana e do interior do estado há décadas, no bairro de São José

Publicado em: 23/05/2019 17:55 Atualizado em: 23/05/2019 18:11

Movimento na capela começou na madrugada do dia dedicado à santa. Foto: Ione Nascimento/Esp. DP
Movimento na capela começou na madrugada do dia dedicado à santa. Foto: Ione Nascimento/Esp. DP

A dona de casa Rita Mendes Brito, 65 anos, manteve a tradição. A exemplo dos últimos anos, esteve na Capela de Santa Rita de Cássia, em São José. Foi agradecer graças alcançadas à santa, conhecida como a patrona das causas impossíveis. Rita Mendes era uma das centenas de devotos que lotaram a igreja durante as quatro missas da data dedicada pelos à santa: 22 de maio.

“Venho todo ano agradecer, pois minha mãe passou dias sofrendo durante a gravidez e pediu para Santa Rita que eu não morresse. Santa Rita de Cássia atendeu ao pedido de minha mãe e sobrevivi”, contou Rita Brito, que é “afilhada” da santa. Natural do Ceará, a dona de casa mora no Recife há 16 anos e nunca perdeu uma festa dedica à santa desde que se mudou.

Quatro missas foram celebradas ao longo do dia na Capela de Santa Rita. A primeira às 7h, logo após a procissão, cujo andor percorreu as ruas estreitas do bairro de São José na primeira hora da manhã. Também houve celebrações às 10h, às 13h e às 16h. Entre uma e outra, os devotos oraram, cantaram, acenderam velas e agradeceram.

Moradora de Floresta, no Sertão pernambucano, Anita Nery vem ao Recife há seis anos no dia 22 de maio, data consagrada à Santa Rita de Cássia e aniversário de Anita. “Agradeço pela graça que minha irmã alcançou. Ela teve um câncer e depois sua cura e foi mãe de uma menina que se chama Rita de Cássia”, confessou.

Acompanhada da vizinha, Vera Lúcia Carneiro Liberal, 65, também foi à capela agradecer. Três anos atrás, ela foi diagnosticada com um nódulo cancerígeno, que junto a outras doenças a levou a fazer um transplante de fígado. “Eu me apeguei muito à Santa Rita para que esse fígado chegasse e desse tempo para eu fazer minha cirurgia”, revelou. Sete meses após o apelo à santa, um fígado compatível foi disponibilizado para Vera. O transplante completa quatro anos no dia 13 de agosto deste ano.

Segundo o Frei Hélio Ferreira, a devoção à santa deve-se aos milagres que ela vem realizando na vida das pessoas. “Santa Rita mostra que podemos vencer através de nossa fé, superando o sofrimento, e ter uma vida de santidade no evangelho”, explicou.

VIDA DE ORAÇÃO
Nascida perto da cidade de Cássia, na Itália, no século 16, a Santa das Causas Impossível desejava ser freira, mas casou e teve dois filhos gêmeos. Seu marido foi assassinado e os filhos, adolescentes, prometeram se vingar. Santa Rita passou a rezar para que isso não acontecesse. Os filhos morreram de lepra.

Abalada com as mortes, ela manifestou a vontade de ingressar no mosteiro das irmãs agostinianas, mas teve o pedido rejeitado. Passou, então, a rezar para São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau Tolentino. Afirmam os biógrafos de Rita que os santos derrubaram as portas do mosteiro para ela entrar. Rita, de nome de batismo Margherita, morreu em 1457 e foi canonizada em 1900.



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