DESABAMENTO Desabamento no bairro de Afogados deixou uma pessoa morta e 12 feridos

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 22/05/2019 19:00 Atualizado em: 23/05/2019 00:30

Foto: Paulo Paiva/ Diario de Pernambuco
Foto: Paulo Paiva/ Diario de Pernambuco

Fim de tarde inesperado para moradores de um imóvel no bairro de Afogados. O desabamento parcial de um prédio de utilidade mista, residencial e comercial, na Rua Leônidas Cravo Gama, 120, no bairro de Afogados, Zona Sul do Recife, resultou na morte de uma mulher e em doze pessoas feridas, incluindo três crianças. A edificação irregular já havia sido notificada pela Diretoria de Controle Urbano do Recife desde 2008. A vítima fatal, de aproximadamente 40 anos, ainda não foi identificada. O Corpo de Bombeiros acredita que no momento em que aconteceu o desabamento havia cerca 16 pessoas no local. As três que continuam desaparecidas até o fechamento desta edição são, possivelmente, pedreiros que estavam trabalhando na construção de mais dois quitinetes, além dos cinco que já existiam no prédio.O Corpo de Bombeiros informou que, neste momento, já não trabalha com esperanças de encontrá-los vivos, visto que os cães farejadores não mais rastearam sinais vitais no local. Eles continuam atuando na remoção dos escombros.

O imóvel foi construído ao lado da Ponte de Afogados, que liga os bairros de São José e Afogados, colado com o guarda-corpo, no lado contrário do rio. De acordo com os bombeiros, abrigava um ferro velho no piso inferior e cinco casas no pavimento superior. O proprietário do estabelecimento comercial, ainda não identificado, não compareceu ao local embora tenha tentado ser contatado pelos Bombeiros.

O Corpo de bombeiros foi acionado às 17h28 e enviou várias equipes ao local, sendo duas Auto Busca e Salvamento, três Auto Resgates, duas Auto Comando de Operações, Torre de iluminação e Posto de Comando. As esquipes encontram-se realizando as atividades de buscas com cães farejadores para procurar possíveis vítimas sob os escombros. No local estão 40 militares do Corpo de Bombeiros, com 10 viaturas, além da guarnição dos cães farejadores. Os cães labradores com experiência de dois a três anos no local, Odin, Black e Ads , treinados em um canil de Paratibe, identificaram os três pontos onde podem estar as possíveis vítimas. Segundo o assessor de imprensa da corporação, Major Barros, as buscas devem se estender por toda a madrugada.”Estávamos com esperança de encontrar as vítimas com vida. Nesta situação, é mais fácil que isto aconteça do que quando há um deslizamento de barreira, por exemplo. Isto porque desabamentos costumam deixar bolsões de ar por onde os atingidos podem respirar. Os cães farejadores, entretanto, não rastrearam mais sinais vitais, então estamos trabalhando com a possibilidade de encontrar os corpos e  fazendo a remoção dos entulhos. ”, explica. Equipes da Secretaria Executiva de Defesa Civil (Sedec), da Guarda Municipal do Recife e da Autarquia de Trânsito e Transporte Urbano do Recife (CTTU) também estavam no local prestando apoio à operação.

O diretor integrado metropolitano do Corpo de Bombeiros, Coronel Antônio Hilário Lima Cavalcanti, afirmou que ainda não é possível afirmar as causas do desabamento e que os trabalhos só acabam quando forem sanadas todas as dúvidas a respeito de possíveis vítimas. “Um dos pontos onde podemos encontrar encontrá-las é próximo ao muro, que foi parcialmente demolido”, afirma.

Leonardo Gomes, coordenador geral do Samu, também não consegue precisar a causa exata do desabamento, mas acredita tratar-se de um colapso da estrutura. Ele fala sobre o salvamento das vítimas. “Chegamos quatro minutos após o chamado. Os desaparecidos não estão atendendo aos chamados da equipe dos Bombeiros, mas para a gente, qualquer chance é chance. Não iremos desistir de resgatá-los”, relata.

Viviane Félix Fonseca, 26, comerciária, é moradora do local. Ela conta que estava trabalhando quando foi avisada do acidente. Morava sozinha com o esposo, que também estava em horário de trabalho no momento do desabamento. Ela conta que a propriedade abrigava algo em torno de 15 a 20 pessoas. “Quando cheguei, já encontrei tudo caído. Minha casa é a que está com os móveis à mostra. Os pedreiros, que estão desaparecidos, estavam aqui há mais ou menos um mês construindo mais duas quitinetes. Eu morava aqui há dois meses e ainda não sei o que fazer, Irei ficar a noite inteira acompanhando as buscas e os procedimentos a que devemos nos submeter”, afirmou.

Sua mãe, Josélia Félix Correia, 50 anos, empregada doméstica, morava ao lado da filha, mas era moradora mais antiga, há seis meses na habitação. “Nunca desconfiamos que poderia acontecer algo assim, pois não havia rachaduras, nada assim. Ninguém sabe o motivo. Saí para a Igreja hoje por volta das 13h30, algo que não é meu hábito. Considero que escapei da morte hoje. Não sei o que farei daqui para a frente, minhas coisas ainda estão todas lá”, lamentou.

 

Desabamento deixou 12 vítimas, incluindo três crianças, e uma pessoa morta

Das 12 vítimas do desabamento, sete foram transportadas pelo Samu com lesões ou escoriações leves. Cinco não precisaram dos transportes, saíram do local caminhando sozinhos.  Dentre os sete levados às unidades de saúde, três foram crianças. Uma menina de 1 ano e dois meses de idade teve escoriações leves e foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Imbiribeira. Outra garota, de 6 anos, sofreu cortes no couro cabeludo e foi para a UPA do Ibura, assim como um menino de 13 anos com escoriações leves.

 

Dos sete adultos atendidos, dois foram para a UPA de Afogados, dois para a do Ibura, dois para a da Imbiribeira. Uma mulher, de 39 anos, com maior gravidade por apresentar fraturas no joelho e costelas, foi encaminhada ao Hospital da Restauração. Dentre estas vítimas, esteve um homem de 46 anos com pressão pressão arterial elevada e crise nervosa, atendido na UPA de Afogados. Outra mulher, também no mesmo estado, foi atendida no mesmo local. Dentre os cinco que não precisaram de atendimento, foi informado pelo Samu que tinham idade entre 15 e 21 anos de idade.

Foi encontrado, ainda, um cão sem ferimentos e de pelagem totalmente preta, de raça indefinida, que estava por baixo de placas de concreto. Ele foi protegido por parte da laje que caiu. 

 

Imóveis antigos também apresentam risco

Em abril do ano passado, parte da estrutura de dois casarões antigos desabou no bairro da Boa Vista, na região central do Recife e três pessoas ficaram feridas. Segundo a Defesa Civil do Recife parte do telhado de um imóvel desabou sobre outro casarão, que também acabou desabando parcialmente. As pessoas socorridas estavam no segundo imóvel. O acidente aconteceu na Rua da Matriz, nas proximidades da Igreja Matriz. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) socorreu uma pessoa com com trauma abdominal fechado e fratura exposta em uma das pernas para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, e outra com fratura fechada na perna para o Hospital Getúlio Vargas. Os bombeiros foram acionados e socorreram uma mulher de 40 anos, que apresentava quadro de hipertensão arterial e foi encaminhada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Caxangá.

Memória

De 1977 até 2004, 12 edifícios desabaram, deixando mais de 30 vitimas fatais e dezenas de feridos. O primeiro caso registrado aconteceu em julho de 1977, foi o edifício Giselle, localizado no município de Jaboatão dos Guararapes. Aproximadamente vinte anos depois, o edifício Aquarela, no mesmo município, afundou e, posteriormente, desabou. Em novembro de 1999, o edifício Éricka, no município de Olinda, desmoronou. Menos de dois meses depois, no mesmo bairro, parte do edifício Enseada de Serrambi também desabou. Em 2004 ocorreu o desabamento do edifício Areia Branca, no bairro de Piedade. Um levantamento chegou a apontar em Olinda, cerca de 60 prédios interditados por risco de desabamento.

 





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