Defesa Suspeitos de assassinato seriam seguranças de parque aquático de Aldeia

Publicado em: 25/04/2019 13:20 Atualizado em: 25/04/2019 20:17

Crédito: Leo Santana/Esp. DP
Crédito: Leo Santana/Esp. DP
Dois dos suspeitos de terem participação no assalto e homicídio do empresário Mário Gouveia, de 78 anos, já haviam trabalhado como vigilantes do Parque Aquático Águas Finas. Luciano Josuel de Santana, de 38 anos e Cícero Romão Henrique da Silva Pino, 37, conheciam a rotina da propriedade do idoso, localizada no km 17 da Estrada de Aldeia, em Paudalho, onde o latrocínio aconteceu, na última terça-feira (23). Os dois homens já possuem histórico criminal e trabalhavam como vigias nas proximidades de Aldeia, em Camaragibe, e Chã de Cruz, distrito de Paudalho. 

Os dois suspeitos e ainda Leonardo do Nascimento Silva, 24 e Rodrigo Gomes da Silva, 24, tiveram o flagrante convertido em prisão preventiva após passarem por audiência de custódia, no Fórum de Nazaré da Mata, Mata Norte do estado, na manhã de quinta-feira (25). Todos os quatro suspeitos foram encaminhados ao Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel) por volta do meio dia e poderão responder por roubo qualificado, porte ilegal de arma, organização criminosa e tráfico.

Sobre o envolvimento de Cícero e Luciano no crime, o advogado de defesa dos dois, Rodrigo Varejão, fala em inocência. "Posso confirmar que meus clientes são inocentes. A polícia, no intuito de dar uma resposta rápida à sociedade, se precipitou. Aguardamos os elementos e conclusão do inquérito para poder se posicionar como defesa." No entanto, o advogado afirma que os dois tinham acesso à propriedade do empresário. "Não eram seguranças, mas já realizaram serviços para Mário fazendo rondas em algumas propriedades e isso a gente vai provar durante a instrução. Eu prefiro me posicionar posteriormente, no momento em que a gente tiver mais elementos e dar um parecer melhor", afirmou.

Luciano Josuel informou ao juiz, durante audiência de custódia que trabalha como pedreiro e mora em Aldeia. Ele já havia sido preso por ter matado o irmão após uma discussão familiar. Foi condenado a 14 anos de prisão, mas fugiu e depois foi capturado por porte ilegal de arma de fogo. Ele contou ainda que tem 26 filhos, sendo 14 registrados. Durante o depoimento, ele comentou que é amigo de Cícero e Leonardo. Diz trabalhar como guarda nas redondezas de Aldeia. 

Cícero Romão morava em Chã de Cruz com a esposa. Ele já tem passagem na polícia por organização criminosa, roubo e porte ilegal de arma. Ao juiz, durante audiência, ele afirmou trabalhar como segurança. Rodrigo Gomes, 24, mora no Passarinho e contou que trabalhava como caseiro em uma granja, na BR-101, onde foram encontradas metralhadora, drogas e outras armas no momento da prisão. Ele afirma não conhecer os outros suspeitos e não tem passagem pela polícia. Leonardo Silva também não tem histórico criminal e mora em Aldeia.

De acordo com agentes da Polícia Civil, eles seriam integrantes de uma quadrilha conhecida por cometer outros crimes em Chã de Cruz e Aldeia. Os homens foram capturados em duas granjas localizadas em Camaragibe, Região Metropolitana do Recife. Algumas peças do armamento roubado pelo grupo foram encontradas em diferentes locais dentro da chácara, durante uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar de Pernambuco.

O juiz da audiência de custódia, Iarly Holanda, esclareceu que eles serão detidos por outros crimes, já que foram encontrados mais de oito armas de fogo e cerca de um quilo de maconha. "Em princípio, optamos pela prisão cautelar de todos os envolvidos não pelo crime que se impulta a eles, que seria o suposto latrocínio ou homicídio, a depender da conclusão do inquérito. A prisão se deu pela prática de uma suposta organização criminosa, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo, inclusive armas de uso restrito, como metralhadora e pistola .45, entre outras", disse.

O magistrado presidiu a audiência em regime de plantão e, como é titular da comarca Paudalho, pode chegar a julgar o caso no futuro. "Eles superficialmente falaram sobre os fatos, mas não sobre o latrocínio. Disseram que a polícia já os conheciam e, por isso, impultam a eles as responsabilidades. Mas o mérito deixaremos para enfrentar quando concluir o inquérito e quando houverem mais provas", disse.
 
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ENTENDA - O empresário Mário Cavalcanti de Gouveia Junior, de 78 anos, foi assassinado dentro de casa, no Parque Aquático Águas Finas, no km 17 da Estrada de Aldeia, em Paudalho, na madrugada dessa terça-feira (23). Ele teria reagido a um assalto praticado por uma quadrilha de pelo menos 15 bandidos, que pretendiam roubar a coleção de armas de propriedade de Mário. A vítima chegou a ser socorrida de helicóptero para o Hospital Português, no Recife, mas não resistiu. Um dos bandidos baleado durante a investida, identificado por Wallace Everton Lemos da Silva, 22 anos, morreu no Hospital Otávio de Freitas, na Zona Oeste do Recife, nessa terça-feira (23). 


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