OBSERVATÓRIO ECONÔMICO Justiça padrão A+ , no consumo

Por: André Matos Magalhães

Publicado em: 17/05/2019 09:48 Atualizado em:

O Brasil está tentando sair de uma das maiores, se não a maior, crise econômica que o país já enfrentou. O desemprego continua em nível elevados, o subemprego tem crescido. Os estados e municípios estão praticamente falidos. Todos fazendo sacrifícios e cortes nos orçamentos. O Ministério da Educação, por exemplo, resolveu fazer um corte linear de 30% dos orçamentos das universidades federais. Em suma, não há espaços para desperdícios ou luxos? Ou existe? 

No meio de todo esse cenário, o órgão máximo de uma das elites mais fortes do país, o judiciário, resolve fazer uma licitação para adquirir itens, talvez básicos para os excelentíssimos, como medalhões de lagosta e vinhos importados. O nível de sofisticação é extraordinário. Para os vinhos, por exemplo, são definidas as safras, as uvas, o número de prêmios, e tipo de barril, entre outras características fundamentais. Tudo para garantir o tão necessário produto de qualidade. Afinal, quem não merece um bom vinho? 

Ao ser inicialmente questionado a respeito da licitação, a resposta da instituição foi a de que a licitação seguia os padrões estabelecidos pelo Itamaraty. Claro, por que não? É preciso manter o padrão! 

O fato é que talvez seja realmente difícil para a equipe do Supremo entender o absurdo da licitação. Afinal, além dos vencimentos que colocam o nosso judiciário no patamar dos 99% mais ricos do país, os seus membros têm acesso a tudo de melhor em todas as áreas, como saúde, educação, benefícios (carros e combustível) e outros penduricalhos financeiros. Tudo pago com o dinheiro do contribuinte. Não apenas no Supremo, mas nos demais tribunais do país. 

De fato, damos ao nosso judiciário um padrão especial. Melhor do que qualquer outro judiciário no mundo. Com tantos padrões mais simples a copiar, usamos o que mais nos custa. Que tal seguir os padrões das autoridades europeias? Que tal usar o dinheiro do contribuinte com mais respeito, cortar regalias? 

Esse caso em particular chamou a atenção pelo absurdo do pedido. Pedido  que seria sem sentido em qualquer contexto econômico. Senadores e o Ministério Público estão pedindo esclarecimentos. Pode não dar em nada. É até provável que nada mude no processo, mas se não pode deixar passar a oportunidade para chamar a atenção de um problema muito maior: a elite do judiciário vive em uma realidade paralela, distante dos problemas nacionais. Se isso é verdade, como eles podem julgar o que aqui se passa? 

Por fim, se os ministros gostam tanto das coisas tão boas, que façam como o resto da sociedade e comprem com os seus próprios recursos. Ao contrário dos outros 99% da população, eles podem!



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