OBSERVATÓRIO ECONÔMICO Militares podem mais?

Por: André Magalhães

Publicado em: 25/03/2019 08:50 Atualizado em:

O Brasil vive e respira na expectativa da reforma da Previdência. O governo depositou as fichas nessa reforma. O mercado espera para ver o que vai sair do congresso. Os trabalhadores também. 

Não há dúvidas de que algo precisa ser feito. Aqui já começa a existir algum consenso. O sistema é insustentável da forma como está. Está ruim para o Governo Federal e pior ainda para os estados e municípios. Mas, o consenso parece terminar aqui. Grupos diferentes querem diferentes reformas. Geralmente o que se escuta é que reforma boa é a na Previdência dos outros. 

Com todas as pressões do processo, os últimos dias foram muito ruins para o projeto da reforma. Por questões políticas, partidos começaram a fechar questão contra as mudanças. No Nordeste, os governadores fizeram o mesmo. Até parece que os governadores não estão quebrados e sufocados pelas previdências estaduais. Mas, política é isso. 

O fato é que a proposta do governo é salgada em muitos aspectos. Dura com várias categorias. Tenta acabar com privilégios e reduzir diferenças. Por mais que não se goste da ideia, ela foi colocada de forma a igualar a sociedade e isso é muito positivo. Fica mais fácil entender o sacrifício quando ele é dividido por todos. 

Isso foi até quarta da semana passada. Na quarta, o governo apresentou a proposta de reforma para os militares. Bem, o que seria uma proposta de algo que parecia uma reforma. O que veio foi um prêmio aos militares, não uma reforma. Nada parecido com o que foi proposto para o resto da sociedade. As reações foram as piores possíveis. Cai por terra o discurso de que todos são iguais e devem fazer sacrifícios. Claramente isso não se aplica aos militares. 

A primeira grande diferença é que a proposta veio dos próprios militares! Nenhuma outra categoria ou grupo teve esse privilégio. Coube a eles dizer o que queriam. O resultado está no documento. Dentro da proposta veio uma reestruturação da carreira, com aumento de remuneração e tudo. A maior parte dos chamados privilégios continuam lá (aposentadoria integral, paridade, entre outros). Além disso, o aumento da contribuição, que hoje é de 7,5%, só passaria a valer em 2022! Pode? Parece que sim. 

Fantástico, não?  Eu suspeito que todos os outros humildes e simples trabalhadores do Brasil gostariam de ter o mesmo. A proposta é, no mínimo, frustrante. 

Há algo errado aqui. Os militares não devem ser sacrificados de forma desproporcional na reforma, mas não devem ser privilegiados. Ficou claro que os militares são especiais, pelo menos para os membros desse governo. Tentou-se esconder essa preferência empurrando para a frente a reforma desse grupo. Reveladas as preferências fica difícil para o resto da sociedade defender algo assim: pode tirar de todos, menos dos militares. Isso pode, e deve, ser usado pela oposição para complicar a reforma. Talvez o governo tenha dado grande um tiro no pé. 



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