Observatório Econômico Primeiros dias

Por: André Magalhães

Publicado em: 07/01/2019 08:00 Atualizado em:

O novo governo começou trazendo esperanças e expectativas positivas para o país. As propostas da área econômica foram recebidas de forma positiva pelos mercados. A bolsa de valores subiu, o dólar caiu e os investidores estrangeiros começam a demonstrar cada vez mais interesse em voltar.
 
As ideias de reforma da previdência, privatizações, aumento da eficiência dos serviços, controles de gastos e transparência são, de fato, positivas. Foram colocadas durante a campanha e estão em linha com o que foi prometido. Nada mais justo do que receber uma reação positiva por parte da sociedade.

Mesmo a posição do governo com relação aos bancos públicos foi melhor do que o esperado. A CAIXA deve, de acordo com os discursos oficiais, ter foco na população de baixa renda. Colocar o banco para fazer política social com foco nos mais pobres é uma excelente notícia.

Mas, nem tudo são flores. Até algo positivo, ficou marcado como algo ruim. No lugar de enfatizar o papel social da CAIXA, o discurso de posse do seu presidente virou um ato contra a classe média. E foi isso que acabou marcando a posse. Pior ainda, mandar as pessoas pagarem juros de mercado, quando os juros praticados pela Caixa já são próximos aos dos demais bancos para essa parcela da população. No mínimo, desnecessário.

Esse não tem sido um caso isolado. Na perseguição maluca aos supostos marxistas foram cometidos erros grosseiros na divulgação de edital para a compra de livros, retirados referências a grupos específicos e textos de direitos humanos, entre outros.

Se isso não bastasse, foram “descobertos” grandes talentos adormecidos, como no caso do filho do vice-presidente, nomeado a um cargo importante no Banco do Brasil pela pura competência até então não devidamente reconhecida. Pode isso? Até pode, mas não deveria acontecer. Aqui não basta ser honesto, tem que parecer honesto. Especialmente um governo que bateu tanto nisso.

Outra linha de problema que o governo está enfrentando vem da posição das forças armadas em relação à reforma da Previdência. Segundo o ministro da Defesa os militares não têm previdência, mas sim um “sistema de proteção social dos militares”. Dessa forma seria “impróprio mencionar a palavra previdência do ponto de vista técnico". Isso não faz o menor sentido. Assim como não faz sentido cobrar uma alteração nas regras para toda a sociedade civil, apertar de todos os lados e deixar os militares de fora. Não é hora de defender grupos de interesse.

É mais do que natural que um novo governo bata cabeças, cometa alguns erros. É esperado e tolerado. Deve-se dar tempo e espaço para o novo governo avançar nas propostas de campanha e colocar as coisas em prática. Mas, o governo não deve esperar tolerância, nem espaço para repetir as práticas erradas do passado.

Talvez seja difícil abandonar o discurso de campanha. Mas é preciso evoluir rapidamente. O discurso raivoso contra o PT funcionou para ganhar votos, mas não vai servir para governar. Tentar substituir um viés de esquerda por uma prática de direita cega também não vai ajudar. Temos que pensar no país como um todo. Precisamos de um governo que faça isso e pare de tentar caçar bruxas. O foco agora é melhorar a economia e voltar a crescer. 


TAGS: obseconomico

Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.