Rasgacabeza Com influências eletrônicas, Francisco, el hombre traz show explosivo ao Recife

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/06/2019 15:36 Atualizado em: 14/06/2019 15:45

Foto: Rodrigo Gianesi/Divulgação
Foto: Rodrigo Gianesi/Divulgação
Uma campanha online, lançada em 2015, trouxe a banda Francisco, el Hombre de volta ao Brasil após os integrantes serem vítimas de um assalto na Argentina, durante turnê. Sem documentos e instrumentos, realizando apresentações nas ruas com equipamentos emprestados para conseguir retornar ao país, o grupo guarda esse episódio como um divisor de águas para a carreira.

As viagens e os percalços têm relação direta com o surgimento da Francisco, formada há seis anos, em Campinas-SP, por Sebastián e Mateo Piracés-Ugarte, dois irmãos mexicanos radicados no Brasil. Eles se uniram aos brasileiros Juliana Strassacapa (vocal e percussão), Andrei Martinez Kozyreff (guitarra) e Rafael Gomes (baixo) e desenvolveram uma sonoridade baseada na mistura de elementos musicais de ambos os países.

O resultado permeia os trabalhos de Manu Chao e Nação Zumbi, com batucadas e resgate ao folk, tudo isso com um estilo festivo marcado por letras políticas e provocadoras. Não à toa, o nome da banda relembra um folclore colombiano, o personagem conhecido por tocar acordeão para aliviar os longos percursos que atravessava pelas ruas da região. Experimentando influências eletrônicas, o quinteto apresenta o segundo e novo álbum, Rasgacabeza, neste sábado (15), às 22h, no Estelita (Av. Saturnino de Brito, 385, Cabanga). 

O show seria no Villa Ponte D’Uchôa, na programação do Arraial Babylon, que foi cancelado ontem. Mas a agenda da banda segue confirmada em novo formato, ainda com show da banda Bule e discotecagem do DJ PatrickTor4.

Com oito faixas, Rasgacabeza é um disco mais dançante. "As melodias e letras do novo álbum têm muito a ver com as coisas que a gente estava vivendo quando criamos. Ficamos ouvindo referências, jogando para fora algumas ideias. E, de repente, a partir de uma palavra, já tínhamos um movimento que gerava uma ideia e assim chegamos a um conceito", explica Rafael Gomes, ao Viver.

Depois de idealizadas as letras, a construção melódica passou a ser feita diretamente no computador, apostando no caráter mais eletrônico. "Mas não deixamos a música latina, que é nossa origem, de lado, optamos por olhar de outra forma. Construímos a partir da música eletrônica, mas não necessariamente aqueles 'tuts, tuts'. Incorporamos uma diversidade, como o kuduro, ritmo com origem angolana que adoramos. Queremos transformar o que a gente faz em algo mais explosivo", conta.

No palco, o grupo apresenta as músicas do novo álbum, entre elas O tempo é sua morada e Chama adrenalina, além dos sucessos do primeiro trabalho, o Soltasbruxa, como Bolso nada e Triste, louca ou má. Essa última foi trilha da novela O outro lado do paraíso e indicada ao Grammy Latino 2017. Marcada por forte discurso político e social, a banda aposta no palco como local de dar a voz ao público, mas também com um papel transformador. "A gente está no palco para marcar um pensamento, tentamos colocar as nossas ideias e criar um espaço de diálogo", afirma Rafael.

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