ok ok ok Envelhecimento é tema de novo álbum de Gilberto Gil apresentado no Recife

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 07/06/2019 14:41 Atualizado em: 07/06/2019 18:42

Foto: Gerard Giaume/Divulgação
Foto: Gerard Giaume/Divulgação
"Alguns sugerem que eu saia no grito / Outros que eu me quede quieto e mudo / E eis que alguém me pede: Encarne o mito / Seja nosso herói, resolva tudo". Na música-título do álbum Ok ok ok (2018), um Gilberto Gil de tom sereno canta a fragilidade do envelhecimento e questiona a necessidade de posicionamento que lhe é exigida. “Ok ok ok ok ok ok / Já sei que querem a minha opinião / Um papo reto sobre o que eu pensei / Como interpreto a tal, a vil situação”, introduz. A canção deve abrir o show deste sábado, às 21h, no Teatro Guararapes.

O álbum da turnê também traz uma memória do caos e a felicidade na conquista celebrada com família e amigos que estiveram presentes em sua trajetória - e até dos médicos que o ajudaram a se recuperar após os problemas renais e cardíacos enfrentados em 2016. O disco, que quebrou um jejum de oito anos de músicas inéditas, será apresentado pela primeira vez em Pernambuco, aliado a um repertório de clássicos de sua carreira.

É a primeira vez que Gil se debruça sobre a velhice, depois de cantar o Nordeste, os avanços tecnológicos, o cotidiano, a fé e o ser. Em cinco décadas de carreira, o artista produziu mais de 60 discos, revelando versatilidade poética, marcada por influências rítmicas de João Gilberto, Dorival Caymmi, Luiz Gonzaga e Bob Marley. Em Ok ok ok, nome escolhido por impulso depois de ser pressionado pelos familiares, o cantor se apresenta fortalecido depois dos problemas de saúde.

A rede de apoio construída no período de recuperação se transformou em letra, foi musicada e, em seguida, produzida com o auxílio do filho Bem Gil. "Recebi uma ligação de minha mãe dizendo: ‘Filho, seu pai compôs algumas músicas e quer lhe mostrar. Horas depois, nos encontramos em seu estúdio, onde ele apresentou uma série de seis ou sete canções feitas num intervalo de dez dias", conta Bem, o quinto filho de Gil.

Em Quatro pedacinhos, uma das 15 músicas do álbum, o artista mostra que é possível musicar uma biópsia que seu coração foi submetido e homenageia a cardiologista Roberta Sarreta. A equipe hospitalar foi lembrada também em Kalil, escrita para o médico Roberto Kalil. O acolhimento presente na voz de Gil é acompanhado de percussão, guitarra e teclado, levando o público para dentro da sala de estar da casa do cantor, em uma reunião de família.

A faixa Sol de Maria é dedicada à primeira bisneta. Os netos são lembrados em Uma coisa bonitinha. Sereno fala da beleza do nome do filho de Bem. Tartaruguê foi feita para Dom, que acredita que só existem Tartarugas Ninjas além do pai e da mãe. As canções carregam uma mensagem para a nova geração Gil. "Nada é normal, você é", os versos de Na real levam à Flora, esposa do cantor, assim como Prece.

A amizade com a atriz Maria Ribeiro e a jornalista Andréia Sadi ficou marcada em Lia e Deia. O violonista Yamandu Costa foi o tema em Yamandu - ele participa do álbum. A cantora Roberta Sá, que lançou um disco só com canções de Gil, divide o vocal com ele em Afogamento. Apesar de a idade ser uma constante no disco, a faixa Jacintho sintetiza a proposta a partir da história do amigo que entrou em sua vida quando estava às vésperas de completar 100 anos. Duas décadas depois de lançar Pela internet, que falava dos impactos da tecnologia, Gil encerra o álbum com uma nova versão, Pela internet 2.

SERVIÇO
Gilberto Gil em Ok, ok, ok
Quando: sábado (8), às 21h
Onde: Teatro Guararapes (Centro de Convenções de Pernambuco, Olinda)
Quanto: Cadeira Bronze - R$ 120 (inteira) e 60 (meia) / Cadeira Prata - R$ 160 e R$ 80 / Cadeira Ouro - R$ 180 e R$ 90 

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