TV 'É bem divertido', diz ator brasileiro que cresceu em Game of thrones, sobre reações do público Em entrevista exclusiva, Lino Facioli comentou reaparição surpreendente na série

Por: Pedro Galvão - Estado de Minas

Publicado em: 26/05/2019 13:30 Atualizado em: 26/05/2019 13:34

Fotos: HBO/Divulgação.
Fotos: HBO/Divulgação.
“Sou eu, Lino Facioli, também conhecido como aquela criança estranha de Game of thrones.” Assim ele se descreve em seu Instagram, hoje seguido por mais de 63 mil pessoas. Antes do último domingo (19), não eram mais do que 5 mil, mesmo que pudesse se descrever também como os personagens Fernando e Odnanref, do filme brasileiro O menino no espelho (2014). Nascido em Ribeirão Preto e radicado na Inglaterra desde os 5 anos, Facioli ficou conhecido por interpretar o pequeno e mimado Robin Arryn nas primeiras temporadas de Game of thrones. No último episódio da série, ele surpreendeu o público ao reaparecer, em uma única cena, que rendeu manchetes em várias línguas, chamando a atenção para como ele havia crescido, depois de três anos longe dos olhos dos fãs.

“É interessante a reação que as pessoas têm de ficar chocadas com o crescimento e esse processo da criança se tornar adulta. Para mim e para as outras pessoas que estão ao meu redor, é uma coisa gradual e normal, mas entendo esse lado de você não ver a pessoa por anos e, do nada, ela aparece e é completamente outra pessoa. É interessante ver como reagiram. É bem divertido e, em geral, foram reações positivas”, diz Lino ao Estado de Minas. O portal norte-americano TMZ observou que, “enquanto a maioria dos fãs estiveram reclamando sobre o enredo, quase todos adoraram a versão adulta de Robin”.

Hoje com 18 anos, ele entrou em Game of thrones logo na primeira temporada, lançada em 2011. Sua última aparição havia sido na sexta, exibida em 2016 e gravada quando ele tinha 15. Seu personagem, um pequeno lorde herdeiro de uma importante família nobre, tinha como principal característica a superproteção da mãe Lysa (Kate Dickie), que o amamentou até os 11 anos, conforme mostrou uma cena polêmica no início da trama, feita com uma prótese de plástico. Lembrado por muitos como uma criança problemática e petulante, Robin Arryn reapareceu no episódio final como um adulto, exercendo sua função de Lorde do Ninho da Águia e, por isso,  participando da assembleia que escolheu o novo rei de Westeros.

O retorno ao seriado era inesperado até para o próprio ator. “Descobri que participaria nessa mesma época, no ano passado. Recebi uma mensagem da equipe, perguntando se eu topava gravar em Sevilha (Espanha), no mês seguinte. Topei e, uma semana depois, já estava experimentando figurino. Em seguida, recebi o roteiro e era tudo muito misterioso, iam gradualmente revelando as coisas para não vazar detalhes”, conta Facioli, que não apareceu mais do que alguns segundos e não disse praticamente nada além de um “sim” para a aclamação de Brandon Stark (Isaac Hempstead-Wright) como rei. Lino contou ainda que se esqueceu de assistir ao capítulo no domingo e quando acordou na segunda-feira já havia recebido milhares de mensagens e um enorme de número de seguidores a mais nas redes sociais.

SURPRESA

Ele se diz surpreso com o final da história, mas “menos do que a maior parte do público”. “Eu já esperava por um final chocante. Eles não iam fazer um final feliz igual filme da Disney”, opina o ator, que começou a assistir ao seriado apenas neste ano, depois de atingir a idade para a qual o seriado era indicado. Na última gravação, ele reencontrou o colega Hempstead-Wright, de quem ficou amigo na primeira temporada. “Naquela época, ele era um dos poucos da minha idade, éramos as únicas crianças no set. Ficamos amigos, nos encontramos em Londres depois da filmagem e foi superlegal revê-lo.”

Depois de “entrar criança e sair adulto” da série, Lino destaca que Game of thornes “foi uma plataforma para aprender e amadurecer como ator”. “Comecei a entender muito mais as necessidades da profissão, como funcionam as coisas e os aspectos técnicos. Além disso, aprendi a me divertir com o papel, não ter medo do ridículo. Entendi que era possível explorar as opções, fazer de vários jeitos a mesma cena, a mesma fala. Fiquei confortável para explorar isso.”

Lino é só elogios para a atriz Kate Dickie, sua mãe na trama. “É um doce de pessoa, muito gente fina. Ela teve muita cautela na primeira cena que a gente fez, aquela da amamentação, e se preocupava em saber se eu estava confortável e em me passar tranquilidade para eu parar, caso não estivesse. Ela era muito preocupada com meu bem-estar e muito bem-humorada, ótima de se contracenar.” Nos últimos dias, o ator compartilhou em suas redes sociais alguns memes feitos por fãs, que brincavam com o fato de o “garoto do leite” ter crescido.

Lino aponta que seu maior desafio ao participar de GoT foi aprender a lidar com a mídia e os fãs. “Não que tenha sido um grande desafio, até porque gosto muito dessa interação e de manter contato com os fãs da série, mas foi uma coisa que precisei aprender a fazer, pois não tinha nenhuma experiência em dar entrevistas e etc. Era uma parte de ser ator sobre a qual eu não tinha pensado antes, mas da qual aprendi a gostar.” O brasileiro acaba de concluir um curso de design e arte em teatro na University of Arts de Londres. Atualmente, está envolvido com a gravação de um projeto sobre o qual não pode dar detalhes e se prepara para estrear uma peça teatral na capital inglesa.

Três perguntas para Lino Facioli

Nas primeiras temporadas, Robin Arryn era um garoto superprotegido pela mãe, que, por sua vez, era uma mulher bastante perturbada e manipulada por Petyr Baelish. Depois da morte da mãe e de tudo que houve em Westeros, como acha que o Robin se desenvolveria como Lorde do Ninho da Águia?

Honestamente, eu achava que ele passaria por uns apuros. Uma pessoa que era tão depende da mãe, quando ela morre e ele perde esse vínculo, só consigo imaginar que seria um processo muito difícil. Mas acho que ele deve também ter passado por um processo de amadurecimento, foi levado para treinar artes bélicas e teve que crescer. Isso deve ter tido um efeito forte nele, tanto que tentei mudar minha performance no último episódio, mesmo que em poucos segundos na câmera, porque achei importante mostrar como ele mudou sua postura.

Se você fosse escolher um(a) personagem para jogar da Porta da Lua (um precipício no castelo de sua família), qual seria e por quê?

O Joffrey (Jack Gleeson). Sei que ele já morreu, mas seria interessante vê-lo cair da Porta da Lua. Seria um momento bem catártico.

Como Lorde defensor do Vale, o que você diria ao novo rei Brandon Stark?

Acho que, como Lorde Defensor do Vale, Robin deveria criar um reino independente. O Vale tem muita coisa boa, um exército muito bom e a capacidade de se defender em guerras. Westeros já deu muito problema, então acho que seria melhor ficar na minha, na minha torre, e teria mais liberdade para fazer o que quisesse em lugar autônomo.


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