música Show vai rodar o Brasil em celebração a Charlie Brown Jr.

Por: Adriana Izel - Correio Web

Publicado em: 11/04/2019 08:06 Atualizado em:

Chorão e Champignon são os homenageados da turnê. Foto: Eduardo Biermann / Divulgação
Chorão e Champignon são os homenageados da turnê. Foto: Eduardo Biermann / Divulgação
Na última terça-feira, no dia em que o cantor Chorão, que morreu em 2013, completaria 49 anos, o filho do vocalista do Charlie Brown Jr., Alexandre Abrão, iniciou uma série de homenagens ao patriarca e ao baixista Champingon, que também morreu em 2013, e a história do grupo de rock . Ao lado de companheiros de banda do pai, Marcão Britto (guitarra), Heitor Gomes (baixo) e Pinguim Ruas (bateria), fez show de apresentação da turnê do festival Tamo aí na atividade: Celebração a Charlie Brown Jr., que vai rodar o Brasil celebrando os princípios da banda criada em 1992: rock'n'roll, skate e energia positiva.

“A ideia desse show, desse festival, surgiu como uma maneira de homenagear tanto o meu pai, como o Champ. Eu me senti obrigado a juntar essa galera dele, a banda dele, e mandar essa energia positiva lá pra cima. Até para gente que está com saudade e batalhando todo dia para manter o nome do Charlie Brown Jr., que era o sonho do meu pai perpetuar essa mensagem”, define Alexandre Abrão em entrevista ao Correio.

Por se tratar de um tributo, a turnê não é um retorno da banda com uma nova formação. Trata-se de uma reunião de remanescentes do grupo em um show em que Chorão e Champingon se farão presentes em intervenções visuais no telão. O principal objetivo é realizar um tributo aos artistas, celebrar a trajetória da banda e apresentar o grupo para uma nova geração.

Ao todo, o evento passará por mais de 20 cidades. Brasília está na rota, que tem ainda locais como São Paulo, Rio de Janeiro, Goiânia, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza e Cuiabá. Por enquanto, apenas as capitais paulista e carioca tiveram as datas reveladas: em 13 de julho, no Espaço das Américas, abrindo a turnê, e em 27 de julho, no Engenhão, respectivamente.

Releitura
Mais do que apenas um show, a turnê Tamo aí na atividade: Celebração a Charlie Brown Jr., que será um festival com conceitos que fizeram parte da construção da banda, como a cultura urbana com o skate e o breakdance, o esporte e a música — até por isso leva o nome do disco de 2004. Além disso, a turnê terá um lado social com um projeto para pessoas dependentes de substâncias químicas.

Para fazer a releitura da banda no show, Alexandre Abrão, Marcão Britto, Heitor Gomes e Pinguim Ruas subirão ao palco em uma apresentação interativa revisitando a discografia do grupo, passando por diferentes fases da banda, que se manteve ativa entre 1992 e 2013, quando lançou o último álbum, La família 013. Panda, vocalista do La Raza, vai acompanhar a turnê como mestre de cerimônias. “Estou muito feliz com a oportunidade de estar aqui com meus heróis”, revela.

“A gente faz um apanhado de todos os discos, de todas as histórias começando pelo Transpiração contínua prolongada (1997), pegando um pouco da história de cada disco e transmitindo essa energia das músicas. Cantamos as faixas de extrema importância, porque se fôssemos fazer todas as músicas que foram para rádio, hits e singles, seriam de três a quatro horas de show”, explica Gomes.

Sucesso atemporal
Apesar de ter tido o auge no fim dos anos 1990 e início dos 2000, a banda Charlie Brown Jr. consegue se fazer forte e presente até os dias de hoje. Para Marcão Britto, guitarrista do grupo, isso tem muito a ver com a mensagem das músicas. “Foi construído de verdade e a verdade é muito poderosa. O Chorão era um cara que passou, como muitos brasileiros, por experiências de vida difíceis. Acho que (o sucesso) é o casamento perfeito da energia, da vibe, com a letra. Isso ficou marcado. Tem mensagens políticas e sociais que, infelizmente, ainda são atuais. É uma banda que falava de tudo, de relacionamentos, da sociedade, da política, em um leque vasto de sonoridade do reggae, do hip-hop, do punk rock”, analisa.

“O legal do Charlie Brown Jr. é justamente ser completamente atemporal. Você ouve algo que é da década de 1990 e consegue inserir na sua vida. Com essa nova turnê daremos um gás a isso”, completa Alexandre Abrão sobre o fato de a banda se mostrar contemporânea apesar das composições serem de 20 anos atrás.

Essa atemporalidade pode ser confirmada também com o lançamento do EP Zóio de lula, também na última terça-feira. Iniciativa da gravadora Universal Music, o material traz a versão original gravada pela banda em 1999 no disco Preço curto... Prazo longo e uma nova, com vocais de Marcelo D2, Maneva, Nação Zumbi e Hungria Hip Hop e citação de Hoje eu procuro a minha paz, com produção de Marcelo Lobato, tecladista da banda O Rappa. 

“Eu acho que o Charlie Brown Jr. sempre foi uma questão de atitude. As letras são verdadeiras e acho que isso causa uma identidade com o público”, afirma Tales Mello de Polli, vocalista do Maneva. “Aceitamos na hora, pelo Charlie Brown Jr. e pelo Chorão, que fez parte da nossa história. Acho que foi uma mistura de sentimentos, até por causa do time que estava participando. A gente do Maneva, pelo menos, sempre cantou Charlie Brown Jr. no início da nossa carreira. Então, fazer parte desse projeto foi bem natural”, completa.


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