Teatro Peça sobre a migração dos nordestinos entra em cartaz no Barreto Júnior

Por: Juliana Aguiar - Diario de Pernambuco

Publicado em: 05/04/2019 15:04 Atualizado em: 05/04/2019 15:27

Enredo desmistifica estereótipos, abordando temas como a valorização cultural, a pluralidade étnica e oportunidade de trabalho. Foto: Lucas Lêonidas/Divulgação
Enredo desmistifica estereótipos, abordando temas como a valorização cultural, a pluralidade étnica e oportunidade de trabalho. Foto: Lucas Lêonidas/Divulgação
A migração de nordestinos ao Sudeste em busca de oportunidades de trabalho é o mote da peça Quanto mais eu vou, eu fico. O espetáculo dirigido por Samuel Santos e encenado pelas atrizes Bruna Castiel, Endi Vasconcelos e Maria Laura Catão, da Bubuia Companhia de Teatro, volta com nova temporada amanhã, no Teatro Barreto Júnior (R. Est. Jeremias Bastos, Pina), após uma apresentação única em janeiro deste ano. Ela ficará em cartaz também nos dias 12 e 26 de abril e 3 de maio, sempre às 20h. Os ingressos custam R$ 30 e R$ 15 (meia).

Com projeções no cenário do famoso quadro Os retirantes, de Candido Portinari, o enredo apresenta os principais dilemas enfrentados pelos nordestinos durante a migração, mas se preocupa em desmistificar os estereótipos impostos aos moradores da região, passando por temas como a valorização cultural, a pluralidade étnica e oportunidade de trabalho. "É um problema que atravessa muito quem morou no Sudeste, não tem como negar. Vivemos com uma sensação de não-pertencimento muito grande e somos constantes vítimas de preconceito. Isso precisa ser falado", explica Laura, convidada a participar da peça pela amiga e atriz Endi. "De início, resisti, eu já estava no Rio de Janeiro há quatro anos e meio, saturada com o clima e a energia da cidade, sem conseguir trabalho. Quando ela me apresentou a proposta, não tinha como dizer 'não'".

A princípio, a montagem foi pensada para entrar em cartaz no próprio Rio de Janeiro, cidade onde moravam as atrizes, mas a construção da equipe acabou levando as três para o ponto de partida: Recife. "Todas as pessoas que pensávamos para trabalhar com a gente, desde texto, roteiro à coreografia e música, eram pernambucanas. Então pensamos: precisamos apresentar a peça lá. E fomos", afirmou.

Produzida pela Mecane, a peça reúne uma nova cena autoral de teatro e música pernambucana, com direção musical de Juliano Holanda, músicas de Marcello Rangel, Thiago Martins e Zé Barreto, direção de movimento de Hélder Vasconcelos, além de texto original de Gleison Nascimento. Para o processo de criação, o poeta ouviu os anseios das atrizes, acompanhou de perto os ensaios e escutou nordestinos residentes no Rio de Janeiro. Apesar da temática forte, a montagem é desenvolvida de forma sensível e questionadora.

A primeira exibição da peça aconteceu em janeiro deste ano no Teatro Eva Hertz. "Foi uma surpresa muito incrível pra gente, lotou o teatro e o retorno foi muito bom. Conseguimos passar a nossa mensagem, que é forte, mas de uma forma lúdica. Agora a preocupação é expandir a visibilidade do teatro pernambucano", diz Laura. 


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