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Cinema Um tio quase perfeito e uma comédia para toda a família Em seu primeiro filme como protagonista, humorista Marcus Majella é um trambiqueiro com a missão de cuidar dos sobrinhos e tentar ganhar a vida de algum jeito

Por: Pedro Galvão - Estado de Minas

Publicado em: 15/06/2017 18:05 Atualizado em: 15/06/2017 17:26

Os atores mirins Sofia Barros e João Barreto dão uma força para o tio, que faz bico como estátua viva nas ruas. Foto: H2O Filmes/Divulgação
Os atores mirins Sofia Barros e João Barreto dão uma força para o tio, que faz bico como estátua viva nas ruas. Foto: H2O Filmes/Divulgação


Marcus Majella, hoje com 38 anos, partiu para a carreira artística aos 23, quando saiu de Cabo Frio rumo à capital fluminense, onde se formou como ator pela Casa de Artes de Laranjeiras. Encarou os desafios e a falta de oportunidades que muitos profissionais da área conhecem bem. Quase desistiu. Um convite do amigo Paulo Gustavo (Minha mãe é uma peça) para ser contrarregra em uma peça o manteve na ativa e ele seguiu em frente. Atualmente, é conhecido por vários trabalhos no humor, especialmente como Ferdinando, personagem que faz há cinco anos na sitcom Vai que cola, do Multishow.

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Hoje, chega aos cinemas seu mais novo personagem, o tio Tony, também aspirante a ator, mas que não teve a mesma sorte e acabou indo morar de favor na casa da irmã, mãe de três crianças. Na comédia, definida pela própria produção como um "family film", ou seja, sobre família e para a família, sobra para o tio fanfarrão cuidar dos sobrinhos: uma de 6 anos, outra de 13, e um de 10, enquanto a mãe se ausenta. Uma trama familiar também para quem conhece alguns sucessos norte-americanos como Uma babá quase perfeita (1993), com Robin Williams, e O paizão (1999), com Adam Sandler.

Vagabundo
A aventura vivida por Majella começa quando ele e a mãe, vivida por Ana Lúcia Torre, são despejados do apartamento onde viviam. O jeito é procurar a irmã Angela (Letícia Isnard), com quem tinham uma péssima relação, e garantir um teto por algumas noites. Acostumada a falar para os filhos que o tio é um vagabundo e a avó uma péssima influência, ela rechaça o pedido, mas acaba cedendo, com a condição de ser apenas uma noite. Aproveitando a ausência da dona da casa por duas semanas, a dupla logo dá um jeito de permanecer mais tempo. Coisa fácil para quem era acostumado a ganhar a vida enganando os outros com falsas pregações e sessões espirituais, ou fazendo bicos como estátua viva no centro da cidade. O difícil seria cuidar das crianças.

A proposta de Um tio quase perfeito, lançado às vésperas das férias escolares, é fazer toda a família rir da história de outra família. As piadas giram em torno da falta de jeito do tio com as crianças e do jeito malandrão "do bem" com que ele tenta resolver as situações: levar os meninos para a escola, ir a reuniões de pais com os professores, além de tentar arrumar algum dinheiro. Nada muito diferente de outras tramas parecidas. "Num drama é difícil saber o que as pessoas estão sentindo, na comédia, não. Ou a pessoa ri ou ela não ri, existem os esquetes e existem as histórias, nós estamos investindo em uma história", define a produtora Mariza Leão, que assina seu trigésimo filme.

Para atingir a fórmula pretendida, foi preciso tirar o protagonista de seu lugar de conforto, que são os esquetes – além de Vai que cola, Majella também já fez Porta dos fundos e 220 volts –, e levá-lo para dinâmica cinematográfica. "Foram três meses para desconstruir o Ferdinando, abandonar os trejeitos e construir o Tony", revela o ator, que já havia trabalhado em filmes, mas nunca em um papel principal como agora. "Quero que acreditem no tio Tony como acreditam no Ferdinando, mas sabendo que são personagens completamente diferentes."

Desafio
Quem comanda o projeto é Pedro Antônio. O jovem diretor carioca, filho do cineasta Paulo Thiago e da produtora Glaucia Camargos, já havia lançado o longa Tô ryca (2015) e realizado outras parcerias com Majella na TV, como Ferdinando show, no canal Multishow, derivado do Vai que cola. Se com a estrela principal ele já tinha um entrosamento, o grande desafio foi encontrar e dirigir três artistas iniciantes não apenas na profissão, mas na vida.

O diretor conta o processo: "Esses três geniozinhos são fruto de um processo muito louco. Fazendo o teste, eu queria três atores e é muito difícil falar isso para uma criança. A Sofia (Barros) está no mundo há seis anos, comecei a ficar muito preocupado, porque já tínhamos os adultos, mas a alma do filme era as crianças". João Barreto e Jullia Svacinna, os outros dois atores mirins, já estavam definidos. "Estava quase desistindo quando ela apareceu", explica o diretor.

Sofia Barros, de apenas 6 anos, é Valentina, uma caçula no auge da fase dos "porquês", que aparece segurando sua iguana de estimação em várias cenas, mas é extremamente carinhosa. João Barreto, de 10, vive um garoto com esse mesmo nome, muito enrolado com as notas na escola, enquanto Patrícia, personagem de Jullia Svacinna, é uma jovem inteligente, independente e atenta às malandragens do tio. "Aprendi muito com essas crianças. Na vida de adulto, com tantos trabalhos e tantos textos, a gente fica engessado. As crianças não têm isso, elas têm aquele frescor, aquele brilho no olhar de falar uma coisa pela primeira vez e este filme me deu a oportunidade de resgatar isso", declara Marcus Majella sobre os colegas mirins.

Se esses três vivem a primeira experiência no cinema, o elenco conta também com a experiência de Ana Lúcia Torre e suas mais de três décadas de trabalhos no cinema e na TV, paralelamente à consolidada carreira no teatro. Ela interpreta Vó Cecília, uma senhora transgressora e trambiqueira, que aparece de forma coadjuvante na trama do filho com os netos. "A vó é mais criança que as crianças, me encantei com essa possibilidade por não ser uma comédia que termina na comédia, mas um filme sobre família que, em tempos tão extremos, dá uma lição sobre aceitar as diferenças", afirma a atriz, que usa um figurino inspirado, segundo ela, em Rita Lee.

Além do humor leve, praticamente livre de piadas que reproduzam preconceitos contra minorias, ou sobre temas politicamente incorretos e impróprio para crianças, Um tio quase perfeito também oferece ao público a possibilidade de se emocionar. A situação cômica que guia a trama é permeada pelo pequeno drama de uma família desunida há anos e que consegue se reaproximar nesse processo. Roteiro comum em vários lares do país.

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