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Televisão 'Você vira bicho', analisa Rodrigo Lombardi sobre Carcereiros, já renovada para segunda temporada A Globo autorizou a sequência da produção inspirada em obra homônima de Drauzio Varella, disponível apenas na internet

Por: Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/06/2017 19:24 Atualizado em: 13/06/2017 19:15

Rodrigo Lombardi vive o agente Adriano em Carcereiros. Foto: Globo/Divulgação
Rodrigo Lombardi vive o agente Adriano em Carcereiros. Foto: Globo/Divulgação

A série Carcereiros foi disponibilizada no streaming do Globo Play, com previsão de estreia na grade de programação da emissora apenas em 2018. A livre adaptação da obra de Drauzio Varella já foi renovada para a segunda temporada, o que sinaliza um diferencial no ritmo de produções da emissora, que só costuma renovar séries cômicas. Com oito episódios, o seriado acompanha a rotina de agentes penitenciários. O ator Rodrigo Lombardi interpreta o personagem principal, Adriano, que seria vivido por Domingos Montagner (1962-2016).

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"O Domingos era um grande amigo e tínhamos feito o início de Velho Chico juntos. Quando recebi a notícia daquela tragéria, estava fora do país, tentei até pegar um voo, mas não chegaria a tempo de me despedir", lamenta o ator, em entrevista ao Viver. Após alguns dias, a emissora ligou para Lombardi com o convite sobre o projeto, cujas gravações ocorreriam em 15 dias. "Não tive dúvidas, aceitei imediatamente. Não sabia nada sobre a obra, mas aceitei de cara", recorda.

Entrevista >> Rodrigo Lombardi

Que tipo de preparação você fez para incorporar Adriano?
Eu estava fora do Brasil e cheguei faltando dois dias para começarem as gravações. Então, não tive muito tempo para me preparar. Eu assisti ao documentário que o Pedro Bial e o Fernando Grostein fizeram também a partir do livro do Drauzio Varella, assisti a palestras com carcereiros, que nos ajudaram muito. E eu recebi um apoio muito grande dos colegas que já estavam nessa produção há mais tempo, se preparando. Não queria deixar a peteca cair.

Quais situações Adriano tem que lidar?
Basicamente, a gente incorporou todos os carcereiros em um só, não existe um que tenha vivido todas essas situações. A série foca nos problemas que eles têm de enfrentar, o medo que enfrentam no turno na penitenciária e também a dificuldade em administrar os problemas em casa, tentar viver, ter sua válvula de escape. O que a gente aprendeu é que existem as doenças do presídio, muita gente acaba tendo sua válvula de escape no alcoolismo, alguns caem nas drogas. É uma tensão tão grande que você pergunta por que aquela pessoa escolheu aquilo. Ela escolhe porque este é um cargo público, que te dá uma aposentadoria e, enfim, é uma possibilidade num país como esse em que a gente vive, de ter algo certo, mas é um risco total, todo dia, a todo momento.

O que de mais impactante aprendeu com o personagem?
Acho que até onde o ser humano pode chegar. O homem é o bicho do homem mesmo, as pessoas são colocadas num confinamento, em situações limites, e não tem jeito, você vira bicho, como é que o sistema quer recuperar essas pessoas? Eu não sei. Aprendi que o modo como está feito não me parece o modo correto.

Considera Carcereiros um momento de amadurecimento da produção de séries na televisão?
Sim, eu acho que a TV está olhando com carinho maior para séries e minisséries. A dramaturgia extensa é muito mais complexa, e o número de minisséries que precisa ser feito para ocupar o lugar de uma obra extensa teria de ser muito maior. Estamos chegando em uma equação legal com novelas que não são tão longas e séries que não tão "mini". É uma questão de ajuste, acho que o produto é bom, acho que num futuro próximo ninguém sai perdendo. A novela tem o seu público. Agora, é uma questão de formar esse público também para outros formatos, de habituar e formar para acompanharem uma série. Não significa que a novela vá perder espectadores, porque independentemente do formato, o público quer ver qualidade. É só colocar algo que interesse ao público naquele horário, naquele momento, que vai ter audiência. Cada um com seu tempo de duração diferente.

Carcereiros foi disponibilizado primeiro na internet que na televisão. Como enxerga essa mudança no comportamento da emissora?
Acho que é uma tentativa de você disponibilizar sua obra e ao mesmo entrar nesse mercado que é novo na emissora. Streaming não é tão novo, mas pra televisão brasileira é algo mais recente. É uma questão de acostumar o público a isso. Quem sabe, em futuro próximo, em isso dando certo, a gente não consiga produzir conteúdos exclusivos pra esse tipo de veículo. Acho superválido. E eu também não acredito que, quando o produto for pra TV, ele vá perder público porque já foi lançado agora.

Você está no ar em A força do querer e estará em Carcereiros. Como é estar em dois produtos de diferentes mídias?
Pra mim, não muda nada. Essa diferenciação de mídia é algo que a casa vai colocando. O meu trabalho já está pronto e o que vão fazer com isso já sai das minhas mãos. Estou acostumado a trabalhar todos os dias o ano inteiro, então, invariavelmente, isso pode acontecer.

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