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Televisão 'Ninguém dá emprego', diz travesti espancada pelo irmão A Força do Querer Trecho forte narra rejeição de Elis Miranda (Silvero Pessoa) na família e a mostra sendo espancada pelo irmão

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 11/05/2017 16:34 Atualizado em: 11/05/2017 17:34

Personagem travesti é vivida por Silvero Pessoa na trama A Força do Querer, na Globo. Fotos: Artur Meninea/Gshow
Personagem travesti é vivida por Silvero Pessoa na trama A Força do Querer, na Globo. Fotos: Artur Meninea/Gshow

Uma cena da novela A força do querer, da Globo, trouxa à tona emoções dos espectadores por retratar imagens fortes de uma situação verdadeira para vítimas de LGBTfobia no Brasil. Na passagem, veiculada na quarta-feira (10), a personagem de Elis Miranda (interpretada por Silvero Pessoa) descreve a situação em que foi espancada pelo irmão e expulsa de casa depois de ser descoberta como travesti. Elis adota o nome de Nonato na trama para sofrer menos com o preconceito na hora de buscar empregos.

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"É claro que eu tentei ser igual aos meus irmãos. O Elson, o Rivaldo. O problema era que eu não conseguia. O que adianta ficar brigando com a própria natureza? Vai acabar é sofrendo ainda mais", desabafa Elis em conversa com a amiga Ivana. Ela conta que sempre soube que era gay, mas enfrentou dificuldade de aceitação por parte da família. "Uma vez eu levei uma surra de cipó. De que adiantou? De nada. É muito difícil ser diferente, sabia? A gente não quer ser diferente. Eu sempre admirei as mulheres e fui sentindo essa mulher dentro de mim. Aí fui criando ela, interpretando. Querendo me montar, me vestir".

E sentencia: "Eu não quero me operar. Eu sou mulher. Não sou transexual, sou travesti. Transformista". A revelação da sexualidade para a família ocorreu quando um dos irmãos de Elis, Elson, a viu se apresentando em um bar. No momento, o homem perseguiu e espancou a personagem e anunciou que ela não era mais bem vinda na casa da família sob ameaças de morte. "Tu quer ser viado, vai ser viado. Mas é bem longe lá de casa", gritou o irmão.


Após a rejeição, a peleja por condições de vida se transferiu para o Rio de Janeiro, onde Elis disse acreditar que poderia viver tranquilamente. A realidade encontrada, contou ela, foi outra: "Cidade grande, as pessoas com a cabeça aberta. Acreditando que as coisas iam ser mais fáceis. Me ferrei. Ninguém dá emprego a travesti não, meu amor. Se você não souber fazer uma boa maquiagem, um cabelo. Se você não for artista, vai acabar na pista", lamentou, referindo-se à prostituição.

"Eu mesmo já fiz prostituição, mas entendi que aquilo não era pra mim. Então, criei o Nonato. Fiquei interpretando o Nonato, consegui emprego, tô juntando meu dinheiro para fazer o meu show. Mas aí quando sobra uma graninha eu mando lá pra casa, pra ajudar nas despesas de lá", conclui Elis, que trabalha como motorista na empresa de Eurico (Humberto Matins). Nas redes sociais, a recepção da cena foi positiva. "Sem palavras com a cena de Nonato, como tem gente que pensa como o irmão dele, que todo mundo reflita vendo um 'cenão' desses", pontuou um internauta. "Que relato mais triste do Nonato! E o pior: é real", comentou outro.

Assista à cena:



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