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Música Compositor de 'Pavão mysteriozo' homenageia Belchior em show no Recife Ednardo fará show neste sábado, no Teatro RioMar, com sucessos do cantor morto recentemente, como Paralelas, A palo selo e Na hora do almoço

Por: Fellipe Torres - Diario de Pernambuco

Publicado em: 06/05/2017 09:52 Atualizado em: 05/05/2017 16:45

Artista grava as próprias apresentações e as disponibiliza na internet para driblar o 'esquecimento da mídia'. Foto: Middia/divulgação
Artista grava as próprias apresentações e as disponibiliza na internet para driblar o 'esquecimento da mídia'. Foto: Middia/divulgação


Há uma espécie de limbo no universo da música do qual o cantor cearense Ednardo tenta escapar há mais de 40 anos. É a pecha do one-hit wonder, atribuída a artistas detentores de um único grande sucesso, como é o caso de Ritchie (Menina veneno) e da banda Kaoma (Chorando se foi), cujas canções mais conhecidas estouraram na década de 1980. Um pouco antes, em 1976, ao ser escolhida como tema de abertura da novela Saramandaia, a faixa Pavão mysteriozo se tornou incontornável na trajetória de Ednardo, compositor de pelo menos outras 400 músicas.
A última tentativa de deixar o hit fora do repertório dos shows foi no auge da carreira, em Teresina. Mas um experiente pernambucano o demoveu da ideia. “Estava entrando no hotel, depois da passagem de som, e escutei um vozeirão: ‘Ednardo, venha aqui meu filho’. Era Luiz Gonzaga. Ele disse: ‘Sente aqui ao meu lado. Faça isso não, meu filho. Você foi abençoado com um sucesso popular legítimo. Até hoje eu canto Asa branca. Coloque sua música de volta’. Foi uma lição que aprendi com o mestre”, lembra.

Com setlist acrescido de canções como Terral, Ingazeiras, Enquanto engoma a calça e Artigo 26, o músico fará show no próximo sábado, às 21h, no Teatro RioMar (Avenida República do Líbano, 251, Pina). Ele sobe ao palco acompanhado de Mimi Rocha (guitarra) e Carlos Patriolino (bandolim e violão). Como de costume, ele deve registrar a apresentação em vídeo para disponibilizá-la no YouTube. É uma forma, segundo Ednardo, de driblar o esquecimento por parte da chamada “mídia tradicional”.

Segundo o artista, nas estações de rádio e emissoras de televisão, é preciso pagar para tocar. “O ‘jabá’ é uma maldade grande que o sistema do show business faz com a riqueza da música brasileira, porque não existem somente aquelas pessoas. O dinheiro escolhe muito mal quem vai ser divulgado. Mas não tenho do que reclamar, pois dentro da mídia honesta e espontânea tenho um espaço razoável”, comenta, em referência a matérias em jornais impressos e ao interesse de alguns “radialistas mais esclarecidos”. De acordo com Ednardo, suas canções têm espaço considerável em rádios de países europeus, como Portugal, França e Alemanha.

Nos últimos anos de vida, Belchior ficou recluso e afastado dos palcos. Foto: Arquivo/EM
Nos últimos anos de vida, Belchior ficou recluso e afastado dos palcos. Foto: Arquivo/EM


HOMENAGEM
O show de Ednardo no Recife terá um bloco de canções dedicadas ao amigo e parceiro musical de mais de 50 anos Belchior, morto no sábado passado. Estão no repertório Paralelas, A palo selo e Na hora do almoço. Ele também irá recitar trecho de Galos, noites e quintais: “Eu era alegre como um rio,/ um bicho, um bando de pardais/ Como um galo, quando havia.../ quando havia galos, noites e quintais/ Mas veio o tempo negro e, à força, fez comigo/ o mal que a força sempre faz/ Não sou feliz, mas não sou mudo:/ hoje eu canto muito mais”.

Padrinho do primeiro casamento de Belchior, Ednardo chegou a dividir uma casa com ele na Avenida Oscar Freire, no bairro dos Jardins, em São Paulo. Naquele período de oito meses, em 1972, a dupla participava do programa Proposta, exibido semanalmente na TV Cultura e apresentado pelo jornalista Júlio Lerner. “Nós dois, junto com Roger Rogério, atuávamos como compositores que ilustravam os fatos em função dos convidados que passavam por lá”, explica Ednardo.

Com a missão de produzir de oito a dez músicas para cada programa, os colegas tinham um prazo curtíssimo. “Belchior brincava muito. Dizia que ia trancar a gente no quarto e só liberar quando a gente passasse as letras da músicas por debaixo da porta”. Desde então, Ednardo e Belchior fizeram muitos shows em parceria, inclusive em Pernambuco. Em 2002, gravaram junto com Amelinha o disco Pessoal do Ceará, produzido por Robertinho de Recife.

“Foram muitos momentos de convivência com Belchior, todos muito plenos. Tínhamos uma admiração mútua. Sempre que um de nós lançava disco, a gente se reunia pra ouvir e tomar cachaça. A notícia da morte me pegou meio de surpresa, embora eu já percebesse que ele se sentia triste demais. Até essa opção de se retirar... Isso denotava um certo desencanto com o meio artístico”, opina Ednardo. 

SERVIÇO
Ednardo - 40 anos de canção
Quando: sábado, às 21h
Onde: Teatro RioMar (Avenida República do Líbano, 251, Pina)
Quanto: balcão - R$ 120 e R$ 60 (meia), plateia alta - R$ 140 e R$ 70 (meia), plateia baixa - R$ 140 e R$ 70 (meia), à venda na bilheteria do teatro e no site www.ingressorapido.com.br 

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