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Livro Leonardo Sakamoto lança livro no Recife nesta quarta-feira Jornalista vai realizar palestra e sessão de autógrafos na Livraria Cultura

Por: Viver/Diario - Diario de Pernambuco

Publicado em: 20/07/2016 14:15 Atualizado em: 20/07/2016 13:02

Autor faz reflexão sobre o ódio e a intolerância no ambiente virtual. Leya/Divulgação
Autor faz reflexão sobre o ódio e a intolerância no ambiente virtual. Leya/Divulgação


O jornalista Leonardo Sakamoto faz palestra e autografa no Recife o livro O que aprendi sendo xingado na internet. Na obra, ele faz reflexão sobre o ódio e a intolerância que por vezes dominam as redes sociais. O autor propõe espécie de guia para sobreviver em meio aos ânimos acirrados, sobretudo em tempos de forte polarização política.

“Quando algumas pessoas entram em contato com o que é diferente do seu pensamento, acham que o outro está errado”, opina o jornalista, completando que a violência verbal é uma das respostas encontradas por quem não está acostumado com o diálogo saudável e debate de ideias. “Pessoas que são violentas online geralmente não conseguem ser assim no offline. O anonimato traz coragem”, destaca.

“O ambiente virtual não garante empatia, não estamos preparados para reconhecer o semelhante na rede”, opina o autor, que também é diretor da ONG Repórter Brasil e conselheiro do Fundo das Nações Unidas para Formas Contemporâneas de Escravidão. A saída, acredita Sakamoto, é manter o bom senso: “Quando se tem paciência para ler, escutar e avaliar os argumentos, você gera um laço de respeito, mesmo quando se continua discordando”.

ENTREVISTA

Como você lida com ataques? Trouxeram algum impacto no seu dia a dia?
Dependendo do tipo de ataque, vai ter consequências diferentes. No caso dos xingamentos, não me afetam em nada. Eu acabei criando uma casca grossa. Já as difamações maiores, que começam espontaneamente ou orquestradas, causam transtorno e acabam transbordando para fora da internet. Já fui xingado, cuspido e agredido fisicamente na rua. Alguns, inclusive, já chegaram a ameaçar de morte. Acontece que fui aprendendo ao longo do tempo a ter paciência para lidar, para tentar educar as pessoas a respeito disso. Vivemos uma era de grande polarização política e social.

Podemos tirar algo de positivo da situação?
É uma questão mundial. Ao mesmo tempo que há avanço progressista, há o avanço do conservadorismo reacionário. Os partidos utilizaram de táticas muito violentas para incendiar a sociedade, como vimos nas eleições de 2014, criando uma guerra virtual. Eu não acho ruim que existam polos, prefiro o debate aberto, público, aos debates às escondidas. É importante que todo mundo fale. Caso o contrário, não vamos evoluir. Acredito que vamos chegar em uma fase adulta, de ouvir o outro, com a capacidade de dialogar. Só que temos pressa, porque queremos uma solução no tempo da nossa vida. No entanto, o tempo histórico é muito mais lento. Podemos contribuir, catalisar mudanças, mas não podemos ignorar que o processo é lento. O debate público vai piorar bastante, até que melhore.

Por que é tão fácil cair na violência verbal em debates na internet?
Eu tento entender caso a caso. A internet não está separada da vida offline, é uma outra plataforma, não é indissociável. Ela aproxima pessoas de um jeito que antes não era possível e isso acaba acelerando esse debate. A internet não criou a direita ou a esquerda, quem cria o movimento são pessoas. São elas mesmas que acabam utilizando a rede para confrontar. Mas redes sociais não foram criadas para o debate público. O Facebook não é planejado para o debate. O que o algoritmo do Facebook traz para as nossas timelines é o conteúdo de pessoas que pensam parecido e concordam entre si, criando bolhas. Só que o mundo não é feito de concordância, mas, sim, de dissonância. Mas acho que a internet trouxe mais conquistas do que problemas. Quem não estava acostumado ao debate público entrou na rede e se assustou quando entrou em contato com pessoas de pensamentos diferentes, não tinha ideia de como agir.

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