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TV Zé do Caixão: primeiro episódio da série revela segredos criativos do lendário cineasta Mojica Atuação impecável de Matheus Nachtergaele e foco no início da carreira são trunfos da estreia da produção, exibida às sextas no Space

Por: Pedro Siqueira - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/11/2015 12:16 Atualizado em: 14/11/2015 13:27

Estratégias de improviso do diretor são exploradas no primeiro episódio. Foto: Space/Divulgação
Estratégias de improviso do diretor são exploradas no primeiro episódio. Foto: Space/Divulgação
As dificuldades das primeiras produções de José Mojica Marins foram tema do primeiro episódio da série biográfica Zé do Caixão, exibida na noite da sexta-feira, 13, pelo canal pago Space. A trama do capítulo relatou a gravação de A sina do aventureiro (1958) ou, como o próprio Mojica define, O primeiro faroeste brasileiro do Brasil. De cara, o que chama a atenção é a espetacular interpretação de Matheus Nachtergaele. O ator estudou a fundo a personalidade de Mojica, especialmente a entonação da voz e os erros de português, mas que nunca soam caricatos ou desrespeitosos.

O Mojica do primeiro capítulo é um jovem sonhador, que ama o cinema mais do que a si próprio, e faz qualquer tipo de negócio para rodar suas "fitas", como aceitar doações em dinheiro de pessoas que queriam participar dos filmes. Vale lembrar que o coveiro Zé do Caixão, que lhe deu fama, só surgiria anos depois.

Com o pouco orçamento, Mojica e sua equipe, encabeçada pelos produtores Mário Lima (Felipe Solari) e Dirce (Maria Helena Chira), viajam até um vilarejo no interior paulista, que servirá como cenário do filme. A comitiva é recebida com carinho, mas também com certo grau de desconfiança pelos moradores e autoridades locais.

Um aspecto que a série destaca é a maneira artesanal como Mojica sempre afirmou gostar de fazer os filmes. Em uma das cenas, a equipe contorna a falta de cavalos disponíveis para uma cena de perseguição com uma solução inusitada: gravar tomadas com os cavalos que tinham e, depois, outros takes com os cavalos pintados à mão, para que parecessem outros. Além das dificuldades técnicas, Mojica e equipe ainda enfrentam o conservadorismo da cidade, que é contra as cenas sensuais envolvendo a sexy Sarita del Ciel (Vanessa Prieto).

Protagonista estudou entonação da voz e os erros de português. Foto: Space/Divulgação
Protagonista estudou entonação da voz e os erros de português. Foto: Space/Divulgação
Ponto positivo da série é começar explorando mais Mojica do que o próprio personagem Zé do Caixão. Por questões de fluidez narrativa, passagens da infância e adolescência do cineasta foram cortadas. O roteiro, assinado por André Barcinski, foge do estilo "didático" que poderia tornar a série um pouco arrastada, tomando licenças poéticas e introduzindo situações um pouco mais romantizadas.

 A caracterização dos personagens e os cenários recriam com fidelidade a São Paulo dos anos 1950 e a ágil direção de Vitor Mafra consegue dosar na medida certa comédia, suspense e drama.

O próximo episódio será focado em À meia-noite levarei sua alma (1963), filme mais icônico de Mojica e primeira aparição de Zé do Caixão nas telonas. A série tem seis capítulos é exibida às sextas-feiras, às 22h30 (horário de Brasília), no Space.

Confira vídeo sobre o uso dos animais em cena:



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