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Música Entre o sonho e a psicodelia, Lira lança segundo disco solo Ex-Cordel do Fogo Encantado contou com parcerias de peso como Gal Costa e Pupillo. Novo disco está disponível para audição gratuita

Por: Luiza Maia - Diario de Pernambuco

Publicado em: 14/05/2015 09:43 Atualizado em:


Crédito: Caroline Bittencourt/Divulgação
Crédito: Caroline Bittencourt/Divulgação

A cereja do bolo do novo disco de Lira, O labirinto e o desmantelo, aguarda a bênção de uma das principais vozes da música brasileira para a gravação se tornar pública, mas poderá ser ouvida no show de lançamento no Recife, nesta sexta-feira (15). Jabitacá, canção inspirada em um cantinho situado entre Sertânia e Arcoverde, cidade natal do cantor, estará no CD Estratosférica, de Gal Costa, previsto para o dia 26 de maio, com faixas assinadas por Criolo, Mallu Magalhães e Marcelo Camelo. Após o lançamento da Tigresa, o álbum do pernambucano chegará às lojas, e a 11ª faixa ganhará divulgação na web - as outras dez estão disponíveis para audição no Deezer (pela internet).

“É muito forte ela gravar essa música, porque falo de um lugar que se torna imaginário, mas existe. Falo da mais bela flor encontrada nas montanhas de Jabitacá. Mas lá não é montanha, é um serrote”, conta, envolto em risos, sobre a música composta em parceria com Bactéria, ex-Mundo Livre S/A, e Junio Barreto (autor também da faixa-título Estratosférica, com Pupillo e Céu). Elba Ramalho (Nossa senhora da paz) e Pitty (Lagrimas pretas) já gravaram músicas dele.

Gal e Lira se conheceram em espetáculo em tributo a Waly Salomão, uma das referências poéticas do disco, em julho de 2014, no lançamento do livro Poesia total (Cia das Letras, R$ 49). “Quando recitei um poema dele chamado Garrafa, Gal sugeriu que trouxesse para a introdução de Vapor barato”, recorda. Nos bastidores, começou a relação musical dos dois, estreitada com o pedido de canções por Marcus Preto, diretor artístico de Estratosférica. Ele mandou três. Jabitacá foi escolhida.

Crédito: Divulgação
Crédito: Divulgação
 O labirinto e o desmantelo é o segundo disco do ex-vocalista do Cordel do Fogo Encantando, grupo cuja performance teatral e recitais poéticos guiaram a repercussão nacional. As batidas percussivas dão lugar a sonoridades harmônicas, guitarras com sintetizadores, instrumentos da música erudita e marcante solo de cravo do recifense Vítor Araújo em Pra fora da terra - além da standup drums (bateria tocada em pé) de Pupillo, da Nação Zumbi, produtor musical do disco e coautor de várias faixas. “Devido ao processo intenso no levantamento das músicas, perdi noção do que era meu e nosso”, diz, sobre os dois anos de produção.

A experimentação melódica se intrica a versos psicodélicos e oníricos, com referências da mitologia, literatura fantástica, poesia do Oriente – especialmente da Pérsia – e a busca incessante pelo ineditismo. “Essa coisa de buscar o novo é impossível, mas é ela que me interessa. O impulso, a busca por uma metáfora, uma melodia nunca feita, um arranjo que surpreenda. Caracteriza meu trabalho”, diz.

O ouvinte é apresentado a um casal protegido na torre do relógio enquanto a cidade é destruída por tempestade de areia, em Vasto, a uma versão psicodélica de Trocando em miúdos, de Chico Buarque, em Desamar, e a um carro em chamas que vem do futuro para atacar a paz, em Ser. Com vocais de Céu, parceira da canção, Filtre-me tem clima de luz vermelha em roupagem dançante.



Referências fantásticas


Os artistas que serviram de inspiração para o novo disco de Lira

José Alcides Pinto
Cearense, escreveu romance, poesia e dramaturgia marcados por experimentalismo, existencialismo e traços concretistas, como Tempo dos mortos (Topbooks, R$ 29).

José J. Veiga
De escrita lúdica e ácida, completaria 100 anos neste ano e algumas obras serão relançadas, como A hora dos ruminantes (Cia. das Letras)

Attar
Poeta e místico persa que viveu no século 12. A obra mais famosa é A linguagem dos pássaros (Attar Editorial, R$ 48), sobre a busca deles por uma ave mítica para se tornar rei.

Rumi
Também persa, nascido no século 13, o poeta e mestre espiritual é um dos mais populares escritores islâmicos no Ocidente, com várias versões em inglês.

Waly Salomão
Integrante da Tropicália e da contracultura, o carioca teve canções interpretadas por Caetano Veloso, Maria Bethânia e O Rappa.

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