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Despedida Artistas lamentam o falecimento de Gilvan Samico Para Abelardo da Hora, Samico era atualmente o maior gravador brasileiro

Publicado em: 25/11/2013 15:40 Atualizado em: 25/11/2013 19:54

Foto: Lais Telles/Esp. DP/D.A Press/Arquivo
Foto: Lais Telles/Esp. DP/D.A Press/Arquivo


Personalidades lamentam o falecimento do artista plástico Gilvan Samico. Para Abelardo da Hora, Samico era atualmente o maior gravador brasileiro. O xilogravurista J. Borges lamentou a perda de "uma grande figura da arte popular".

Gilvan Samico faleceu nesta segunda-feira (25), aos 85 anos de idade. Ele lutava contra um câncer e, nos últimos anos, foi internado várias vezes no Recife e em São Paulo para passar por tratamento. O velório está sendo realizado no cemitério Morada da Paz e a cremação foi marcada para as 21h.

Saiba mais:


Morre o artista plástico pernambucano Gilvan Samico.


Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press/Arquivo
Foto: Paulo Paiva/DP/D.A Press/Arquivo
Abelardo da Hora -
Escultor

"Conheci Samico quando fiz minha primeira exposição em escultura, em 1948. Na época, eu já tinha a intenção de criar cursos de iniciação em artes e, quando esse desejo se concretizou, Samico foi um dos meus primeiros alunos. Alguns anos depois, em 1952, fundamos o Ateliê Coletivo e nele experimentávamos de tudo: desenho, pintura, escultura e gravura. Samico fez as primeiras gravuras nessa época e também foi através de alunos desse curso que conheceu a esposa, Célida. Ele era, para mim, o maior gravador brasileiro da atualidade".

Foto: Inês Campelo/DP/A.A Press/Arquivo
Foto: Inês Campelo/DP/A.A Press/Arquivo
J. Borges -
xilogravurista e cordelista pernambucano

"Eu e Samico éramos amigos e o considero um dos grandes gravadores de Pernambuco. Quando éramos mais novos, nos encontrávamos em Olinda e tínhamos uma boa relação. Conversávamos sobre gravura, sobre nossas inspirações para criar. Deixei de vê-lo com frequência após concentrar minha produção em Bezerros, no Agreste. A partir daí, não o via tanto quanto antes. Lamento muito o que aconteceu, pois perdemos uma grande figura da arte popular".

Célida Samico - Viúva

"Estou cercada por amigos. Estou feliz porque ele estava sofrendo muito e agora não está mais. Ter passado mais de meio século ao lado dele me trouxe muita alegria. E poucas pessoas puderam ter esse privilégio". 

Derlon Almeida - artista visual


"Conheci Samico pessoalmente por conta da exposição Narrativas em madeira e muro: Presença da xilogravura popular nas obras de Samico e Derlon, mas vi sua obra pela primeira vez em uma exposição no Mamam. Fiquei encantado e usei seu trabalho como referência para o meu grafite. Na ocasião, convivemos muito. Tive a oportunidade de visitá-lo em seu ateliê e de conversar com ele, que sempre foi muito simpático e me deu conselhos valiosos para a minha carreira. Essa também foi uma experiência inesquecível pelo fato de ter conhecido todo o processo de produção dele: as ferramentas usadas, as técnicas de corte da madeira. Samico fez muito pela arte brasileira e continuará me influenciando sempre".

Paulo Bruscky - artista visual

"Não tive muita convivência com Samico, mas sempre fui recebido cordialmente em sua casa quando trazia pessoas de fora que queriam conhecê-lo. Era um dos maiores artistas pernambucanos e fiz uma obra dedicada a ele, chamada Homenagem a Samico. Além de guardar  uma farta documentação sobre o artista em minha coleção, tenho obras do início de sua carreira, da época do Ateliê Coletivo e do Movimento de Cultura Popular, entre os anos 1950 e 1960. Samico era muito perfeccionista e, por inventar seu próprio material de trabalho, fazia coisas que outros gravadores não conseguiam. Para você trabalhar com gravura, é preciso ser desenhista e saber um pouco de outras técnicas artísticas. O começo é técnica, o meio é mágica e o fim é técnica".

Moacir dos Anjos - pesquisador e curador de arte contemporânea da Fundação Joaquim Nabuco

"Sempre admirei Samico por articular, em uma técnica tão tradicional como a gravura, elementos vindos de tradições distintas. O artista fazia isso de uma maneira muito sintética e original, o que tornava sua obra ímpar e extremamente contemporânea. Ele era também uma pessoa tímida, extremamente generosa e sempre aberta a receber jovens artistas e todos os que partilhassem seu apreço por narrativas próprias da região onde nasceu. Ele brincava dizendo que era preguiçoso, mas, na verdade, era muito delicado, meticuloso. Jamais fazia algo apressado. Embora tenha sido muito associado ao armorial, sua obra ultrapassa qualquer delimitação de escolas e movimentos".

Ronaldo Correia de Brito - escritor, médico e dramaturgo

"Eu e Samico somos amigos há quase 40 anos. Acompanhei sua doença de perto e a sua grande angústia era não poder mais trabalhar. Antes do último internamento, fui visitá-lo e conversamos durante horas. Recebi lições brilhantes dele, que se dizia uma pessoa não religiosa, mas que aplicava na gravura um sentido religioso. Aprendi muita coisa na minha escrita a partir da observação das gravuras de Samico: exatidão, ordem e secura. Ele era um gênio, que alcançou uma perfeição na arte a custo de muita dedicação, silêncio e paciência. Samico sempre dizia que a gravura o mantinha vivo e, hoje compreendo perfeitamente o significado disso.



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