Educação Comunidade acadêmica da UFPE defende nomeação do primeiro colocado na eleição para reitor

Por: Anamaria Nascimento

Publicado em: 13/06/2019 19:39 Atualizado em: 13/06/2019 19:48

Com 31,26% dos votos, os professores Alfredo Macedo Gomes e Moacyr Cunha de Araújo Filho foram eleitos. Foto: Afinco Digital/Divulgação.
Com 31,26% dos votos, os professores Alfredo Macedo Gomes e Moacyr Cunha de Araújo Filho foram eleitos. Foto: Afinco Digital/Divulgação.
Após o resultado do segundo turno da eleição para reitor na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o clima é de expectativa na instituição para que o vencedor da consulta à comunidade acadêmica tenha a nomeação confirmada pelo governo federal. Com 31,26% dos votos, os professores Alfredo Macedo Gomes e Moacyr Cunha de Araújo Filho, que formavam a chapa Mude UFPE, foram os primeiros colocados na consulta para os cargos de reitor e vice-reitor, respectivamente. A eleição aconteceu nessa quarta-feira (12) nos três campi - Recife, Caruaru e Vitória de São Antão - da universidade.

Terminada a etapa de consulta à comunidade, o processo vai para o Conselho Universitário da UFPE, que deve se reunir no início de julho para aprovar a lista tríplice, a ser enviada a Brasília entre o fim de julho e início de agosto. Depois disso, o governo federal faz a nomeação. “A nossa expectativa é positiva. Esperamos que o governo acolha a indicação da nossa comunidade. Foi um processo amplo e legítimo. Fomos escolhidos pelos três segmentos da universidade, ou seja, docentes, técnicos e estudantes. Esperamos, portanto, a nomeação para fazermos uma gestão conforme os nossos compromissos”, afirmou Alfredo Gomes.

O professor eleito para ocupar o cargo de reitor da UFPE destacou que pretende fazer uma gestão marcada pelo compromisso de articulação política, com protagonismo acadêmico e científico, no sentido de rearticular a universidade com as populações pernambucana, brasileira e global. “A universidade precisa apresentar uma pauta clara para a sociedade de maneira geral, de forma a criar as condições de articulação que impacte, inclusive, na melhoria da qualidade de vida de todos, mas que também possa efetivamente resolver os problemas que temos no entorno da universidade e internamente”, pontuou.

Outra marca da gestão, segundo o docente, será a capacidade de diálogo com a comunidade e sociedade. “Temos dito, durante a campanha, que teremos uma administração dialógica, democrática e compartilhada. Esse será um princípio que orientará toda a nossa gestão. Ao mesmo tempo, vamos redefinir um modelo de gestão da universidade e focar na resolução dos problemas históricos que afetam a nossa comunidade. Além disso, buscamos a capacidade de unir todos em torno da pesquisa e do ensino de excelência e da qualidade daquilo que efetivamente fazemos”, ressaltou. Criar políticas para garantir a permanência dos estudantes na UFPE será outra meta da gestão. "Apresentaremos também uma política de gestão de pessoas para o conjunto dos servidores técnicos e para os docentes", disse.

Defesa


A Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe) reforçou a defesa da nomeação do primeiro colocado para a reitoria da universidade. O presidente da entidade, Edeson Siqueira, afirmou que é preciso lutar pela autonomia das instituições e soberania nacional. "O respeito ao processo democrático da escolha dos reitores é essencial para a defesa da universidade pública, essencial à soberania nacional e ao desenvolvimento do nosso país", disse.

Apesar do clima de incerteza sobre a possibilidade de o presidente não acatar a decisão das comunidades acadêmicas na escolha dos dirigentes das universidades do país, o governo federal tem nomeado os primeiros colocados na consulta para reitores das universidades federais.

Outras instituições

Seguindo o resultado da consulta realizada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a professora Denise Pires de Carvalho teve a nomeação oficializada como a primeira mulher a ocupar o cargo na história da instituição, no último dia 3, no Diário Oficial da União. Na mesma data, a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) teve a confirmação da escolha de seu primeiro reitor eleito. O professor Gleisson Alisson Pereira de Brito havia sido escolhido em consulta pública à comunidade acadêmica no dia 24 de outubro de 2018.

Outro nome confirmado pela Presidência que seguiu a consulta à comunidade acadêmica foi o do professor Ricardo Luiz Lange Ness, que assumiu a gestão da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Candidato único na eleição da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), José Daniel Diniz Melo também foi confirmado pelo governo federal, mantendo o respeito à escolha da comunidade acadêmica.

Confira os perfis dos eleitos na UFPE:

Alfredo Macedo Gomes é graduado em psicologia (1990) e mestre em sociologia pela UFPE (1995). O docente tem doutorado em educação (PhD) pela University of Bristol (2000), no Reino Unido, e realizou estágio pós-doutoral junto ao Centre for Globalization, Societies and Education, também pela University of Bristol (2010-2011). Atualmente, é diretor do Centro de Educação (CE).

Moacyr Cunha de Araújo Filho é formado em engenharia civil pela UFPE (1985), com mestrado em hidráulica e saneamento pela Universidade de São Paulo (USP) e doutorado (1996) em physique et chimie de l'environnement pelo Institut National Polytechnique de Toulouse, na França. É professor do Departamento de Oceanografia.

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