Estacionamento Flanelinhas buscam fonte de renda com a implantação do Zona Azul digital

Por: Diario de Pernambuco

Publicado em: 13/06/2019 11:15 Atualizado em:

Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto  (Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto )
Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto

A desesperança paira entre os flanelinhas que vendem folhas de Zona Azul no Bairro do Recife, principal região da cidade com a oferta desse tipo de serviço. Desempregados e, em sua maioria, sem outra fonte de renda, eles conseguem uma média mensal de R$ 300 com o negócio e agora estão sem essa perspectiva com a chegada do Zona Azul digital, prevista para começar no dia 1º de julho. O que é pouco para sobreviver tende a ficar mais escasso com o novo sistema. E alguns pensam em outros planos de ganhar a vida. Mas o caminho é o mesmo: lidar com veículos estacionados nas ruas. Faltam qualificação e oportunidade para pensar diferente.

Cláudia Beatriz da Silva, 39 anos, comercializa as folhinhas há cinco anos. É uma das poucas mulheres no Recife Antigo a trabalhar com esse serviço. Ela é técnica em laboratório e já trabalhou no Hospital da Restauração. Passou a viver da venda dos talões depois de uma viagem frustrada a São Paulo, onde foi tentar a vida com o companheiro, que na época entregava água mineral. O casal consegue uma renda média de até R$ 600 por mês. Além disso,  o bolsa-família dos  dois filhos. “O plano B é fazer o que eu já faço nos dias de domingo. Oriento o motorista onde tem vaga”,  diz.

Para competir com os demais flanelinhas, Cláudia oferece um trabalho diferenciado. “Não fico coagindo, não digo preço, somente peço uma ajuda em dinheiro, e não obrigo a me dar dinheiro na hora”, explica a moradora da Favela do Brum. Segundo ela, o movimento de venda de Zona Azul aumenta de novembro e fevereiro, época de férias e verão.

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Douglas Santana do Nascimento, 30, está no time dos que esperam que a iniciativa da Prefeitura do Recife não dê certo. “Já fizeram isso outras vezes e não funcionou. Por enquanto, não pensei em nada para fazer de diferente disso”, falou. (a experiência digital sem sucesso ocorreu em 2015). Douglas arrecada cerca de R$ 600 por mês com a venda de talões. O dinheiro, conta, não dá para sobreviver. “A gente vai vivendo como Deus quer.” Douglas disse morar no Alto do Pascoal, mas está em situação de rua, no Bairro do Recife, junto com a companheira.

Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto  (Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto )
Foto: Leandro de Santana / Esp. DP Foto

Carlos Antônio da Fonseca, 51, é uma exceção entre os flanelinhas. Além de negociar com Zona Azul, estaciona e lava carros para pessoas que trabalham no Bairro do Recife e tem um fiteiro no mesmo bairro, onde está desde 1984. “Esse negócio vai apertar um bocado a vida da gente”, lamentou. Carlos mora em Paulista, e chega ao Bairro do Recife, todos os dias, às 6h30. Larga 12 horas depois. Com o passar dos anos, ganhou a confiança dos clientes, que deixam as chaves dos carros com ele. Por mês, diz, arrecada um salário mínimo com os serviços juntos.

O Zona Azul por meio digital é previsto por lei municipal desde 2008, mas somente agora as regras foram publicadas no Diário Oficial. O novo sistema valerá para todas as áreas com vagas de estacionamento rotativo da cidade, ao todo 3,2 mil. Para adquirir o serviço, será preciso acessar um aplicativo, que, a princípio, poderá ser baixados pelos usuários a partir do próximo dia 25. As folhas de Zona Azul perdem o efeito no dia 30.

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