TECNOLOGIA Uso de dados para o bem: aposta e compromisso para o futuro

Por: Patrícia Monteiro

Publicado em: 10/06/2019 18:31 Atualizado em: 10/06/2019 18:36

O pesquisador Sílvio Meira foi um dos participantes. Foto: Patrícia Monteiro / DP
O pesquisador Sílvio Meira foi um dos participantes. Foto: Patrícia Monteiro / DP
Você troca contatos com alguém no whatsapp. Alguns dias depois, o facebook te indica esta pessoa como sugestão de amizade. Em outra situação, você menciona determinado nome em um e-mail e o mesmo acontece. Além disso, se você já pesquisou algum produto ou serviço pela internet, sabe que irá receber uma série de sugestões de artigos semelhantes ou de lojas que o comercializem. Conclusão: mais do que nunca, o termo aldeia global parece adequado à realidade em que vivemos. Um universo em que informações e dados são “mercadoria” de altíssimo valor.  Visando utilizar os dados para a tomada de melhores decisões e causar impactos positivos na sociedade, surgiu o Movimento Data For Good, uma iniciativa liderada pelo Social Good Brasil em parceria com a Fundação Telefônica Vivo e o Instituto Humanize. Nesta quarta (10), o grupo promoveu seu primeiro encontro, no Recife, com empresas, fundações, institutos, organizações, pesquisadores e representantes de governo para debater e conhecer exemplos de uso destes dados para o bem comum. 

Os participantes puderam conhecer melhor o movimento, as formas de engajamento, além de dois casos de uso positivo e impactante de dados. Um deles, pernambucano, é o aplicativo Mete a Colher, startup que utiliza a tecnologia como aliada no combate à violência contra as mulheres prestando apoio emocional, assessoria jurídica e inserção no mercado de trabalho a elas. Nascido em 2016,  trata-se de uma rede de apoio que ajuda mulheres a sair de relacionamentos abusivos conecatando mulheres que precisam de ajuda a outras que desejam ajudar de forma voluntária. São 13 mil mulheres conectadas e 2 mil ajudadas em 63 cidades do país. Renata Albertim, CEO e co-fundadora da instituição, afirma que os dados sobre as participantes informam a respeito de questões como idade, quantidade de filhos, maiores pedidos de ajuda e profissões. O aplicativo funciona no Brasil inteiro, com maior concentração em Recife, São Paulo, Fortaleza e Rio de Janeiro. A maioria das mulheres estão na faixa dos 30 anos e são terapeutaa, psicólogas, advogadas ou desempregadas. “Percebemos, também, que a maioria delas nos procura buscando apoio emocional. A gente utiliza estes dados para melhorar enquanto atendimento, saber quem é nosso público e, a partir daí, gerar novas possibilidades ou melhorias na própria plataforma. Temos vontade de torná-los públicos, mas não fizemos isso ainda por questão de verba”, explica. A startup, pioneira no Brasil em seu segmento, tem dois financiadores, Avon e CNPQ, além do Magazine Luiza como doador. 

O evento teve, ainda, depoimento de Bruno Freitas que falou sobre sua experiência no uso de dados para inovar a gestão pública e do pesquisar Sílvio Meira, que levou para o debate sua visão sobre a revolução dos dados e o impacto na sociedade.”As pessoas passaram a viver no universo onde sistemas vários governam que mundo a gente vê, como a gente vê esse mundo e para onde somos levados ou não”, afirmou. Ele complementou opinando que uma das principais formas de garantir a cidadania e das pessoas, a médio prazo, é fazer com que elas ganhem de volta o direito, que de uma certa forma pederam, de ter controle sobre seus dados. E que isto não é resolvido com lei de privacidade, proteção de dados das pessoas visto que a multa, nestes casos, é apenas se os dados forem vazados.  “Vemos muito uso de dados para analisá-los, dados que geram mais dados. Isto tem seu valor. Precisamos, entretanto, pegá-los e fazer algo que tenha consquência no munbdo real. A vasta maioria dos algoritmos que constrange e determina nosso comportamenteo na sociedade digital hoje, entretanto, são escondidos. O que precisamos verdadeiramente fazer é chegar em um ponto onde a gente use estes dados para empoderar pessoas e não somente empresas. Não estou descartando empresas, obviamente. Presido o conselho do Porto Digital há um tempo e é óbvbio que queremos mais instituições competentes e que usem mais dados pra prover resultados de maior qualidade e de maior impacto. Queremos ainda mais, fundamentalmente, que dados sejam um insumo libertário para as pessoas e não o insumo escravizante do sistema contra elas para determinar o seu comportamento”, afirma.

Ana Addobbati, diretora executiva da Social Good Brasil, afirmou que o encontro visou pensar e desenhar este espaço de movimento intersetorial no Recife visto que a cidade é uma capital com vocação para a inovação. O objetivo é aglutinar as pessoas em prol do objetivo comum de trabalhar educação e filantriopia de dados. “Entendemos que a mudança não cabe apenas ao terceiro setor, empresa, ou governo. É todo mundo junto pensando nesse lugar onde queremos que o Brasil esteja nesse contexto do uso de dados. Um convite ao protagonismo humano, à ética, a pensar. Ir além de não fazer o mal, mas potencializar o bem. Toda empresa tem dados que podem ser utilizados  para potencializar impactos, otimizar investimentos. Então, é preciso tomar decisões baseadas em dados de forma assertiva, imparcial, com protagonismo humano”, explica. Ela cita um exemplo mexicano em que empresas telefônicas doaram dados durante uma catástrofe e, a partir disso, pessoas foram resgatadas com vida. “Os dados são o novo petróleo, os futuros donos do poder. Então, por que não pensar como usar nosso protagonismo para o bem?”, questionou.

Com sede em Fortaleza, a empresa promoveu, em Recife, o primeiro encontro fora do eixo do Sudeste. “Não tratamos os dados, não somos consultorias, mas ensinamos pessoas que trabalham nas empresas a pensar a partir de dados. Estamos super abertos para trazer esta realidade para cá. Estamos construindo este ambiente. Temos expertise e metodologia. Precisamos de gente para construir isso conosco”, conclui Ana. 

Carol de Andrade, Co-fundadora do Social Good Brasil, complementa.“O que queremos com o Movimento Data For Good é trazer significado concreto e positivo para os dados. Acreditamos que mais do que ter a capacidade de coletar dados, é importante entender para quê eles serão
usados, de forma a que ajudem a empresa ou organização a ampliar o impacto que podem ter para a sociedade", diz  "Essa compreensão faz toda a diferença e pode ter um impacto significativo e muito positivo para a sociedade", afirmou.

Sobre o Social Good Brasil
Desde a sua fundação, em 2012, o Social Good Brasil desenvolve iniciativas e
metodologias para inspirar protagonistas sociais e capacitar negócios de
impacto. Nessa caminhada, o SGB já impactou direta e indiretamente mais de
8 milhões de pessoas. www.socialgoodbrasil.org.br


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